Mas… mas é preciso pensar que para cada decisão e postura que adotamos, assumimos uma responsabilidade. Muitas vezes com outra pessoa, outras vezes conosco… Certas decisões e ações repercutem por toda uma vida!
Acho que quase todas as pessoas pensam, de quando em vez, naquele momento em que ela entrou a direita, ou à esquerda, e daria tudo para poder ter a oportunidade de ter seguido adiante ou, pior, arredado o passo e tornado ao lar…
Com o sexo, algumas vezes é assim. Não pensamos de forma racional, agimos impulsiva e instintivamente e isso acaba acarretando em conseqüências terríveis para toda uma vida…
Tudo porque, num dado momento, eu não usei camisinha!
Embora possa parecer diferente, eu sou feliz hoje, como jamais fui durante toda a minha juventude, com todas as emoções que ela me proporcionou!
Tenho um lar, uma esposa que me ama, e, se não tenho dinheiro, também não me falta o essencial e, às vezes, é melhor mesmo que seja assim!
Hoje, 1º de dezembro, é o “”Dia de combate à Aids”” e à discriminação das pessoas soropositivas. Vamos refletir sobre este delicado assunto.
- O sexo seguro, socialmente falando, e em função da saúde pública, requer o uso de preservativo. Mas no sentido ético, sexo seguro é fidelidade conjugal, humanização da sexualidade, autocontrole e ordenação das paixões desordenadas, como também renúncia, continência, castidade. A conversão da vida para Deus tem ajudado a viver o sexo seguro.
- Uma pessoa portadora do vírus HIV nunca deve ser diminuída, excluída, discriminada. Ela não perde sua dignidade humana, nem a filiação divina. Por outro lado, quem sabe que é portador do vírus HIV nunca deve transmiti-lo a outra pessoa. É assustador o aumento de pessoas portadores do vírus HIV. Não basta só o sexo seguro, é preciso falar de sexo ético.
- Sexo seguro é também procurar a cura das feridas, carências e decepções na área da sexualidade e afetividade. O ato carnal por si só não pode saciar nossa fome de amor e de transcendência, fome de Deus. Amar é mais do que fazer amor. A castidade é a organização dos afetos, pulsões e desejos. Paixão e amor são coisas bem distintas.
- Liberdade não é permissividade, nem o “”vale tudo””. Hoje o princípio do prazer tornou-se obrigatório. O prazer egoísta é desumano. O sexo psicológico é tão ou mais importante que o sexo fisiológico. O erotismo é egocêntrico, vingativo, sedutor e ilusório. A revolução sexual não tornou a humanidade mais feliz. Não morremos por falta de sexo, mas por falta de afeto.
- Não basta distribuir preservativos como se a energia sexual não precisasse de limites, de valores, de ética. Nossa cultura está erotizada demais. Uma das causas da queda das civilizações é a decadência da moral sexual. Temos hoje um novo tabu: a orgasmomania e orgasmolatria.
- A Aids é uma pandemia que atinge crianças, adolescentes, namorados, idosos, mulheres casadas, mulheres marginalizadas, além das pessoas homossexuais. Pessoas homossexuais não podem ser excluídas, nem rejeitadas. Pelo contrário, devem ser acolhidas com respeito, compaixão e compreensão. Nossas comunidades organizaram a pastoral dos portadores do HIV e começa a pastoral de pessoas homossexuais.
- Em nome da saúde pública, há orientações e restrições dos poderes constituídos a respeito do álcool, cigarro, drogas e doenças. Em nome da saúde pública, não basta o uso dos preservativos, mas os cidadãos têm direito à educação para o amor, para os valores, para os limites em matéria de sexualidade, sempre sendo preservada a área da intimidade das pessoas.
- Uma vida em comunhão com Deus, como também a vivência dos mandamentos, a espiritualidade, a oração, o diálogo com peritos, os ideais, as esperanças da vida, as famílias bem constituídas, muito ajudam na solução para problemas da sexualidade e da Aids.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
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