Remédio para portadores do HIV está em falta
Raphael Veleda
Brasilienses que convivem há mais de dez anos com o vírus HIV, causador da AIDS, estão enfrentando a falta de um medicamento importante desde novembro passado. O Abacavir 300mg está em falta no estoque do Centro de Saúde nº 1, também conhecido como Hospital Dia, na 508/509 Sul, especializado no tratamento da doença. O remédio é usado por pacientes que apresentam forte resistência às demais drogas do coquetel anti AIDS do Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde, responsável pela compra do produto, afirma estar enfrentando dificuldades para negociar com o fornecedor. Christiano Ramos, presidente da organização não-governamental Amigos da Vida, afirma que a demora na reposição pode resultar na morte de doentes. “Se isso acontecer, a responsabilidade será do governo e nós vamos acioná-lo judicialmente”, afirma ele.
Em nota técnica, o Ministério da Saúde informou aos usuários do medicamento que ocorreria a falta. De acordo com a assessoria de comunicação da Diretora do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais, outros antirretrovirais da mesma classe do Abacavir 300mg foram sugeridos aos pacientes. “Eles querem substituir pelo Abacavir de via oral, que é usado para medicar crianças com HIV. Mas não é a mesma coisa. Muitos pacientes que já enfrentam o vírus há 10, 20 anos também são dependentes psicológicos do medicamento e acabam por não toma-lo de outra forma”, informa Ramos. “Além disso, essa solução vai acabar por desabastecer também as crianças, que não têm nada a ver com isso”, acrescenta.
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que o medicamento não está em sua lista, já que é fornecido pelo Governo Federal. A previsão do Ministério é voltar a oferecer o remédio em meados de fevereiro. “Quem precisa do Abacavir é resistente aos outros 15 remédios contra a AIDS. Essas pessoas podem morrer se ficarem sem ele. Um dia, pode fazer a diferença para elas”, reclama Ramos, que é portador do vírus da AIDS há duas décadas, mas não precisa desse remédio em especial. “É um produto que não se compra em uma farmácia comum. Apenas em São Paulo e por R$ 1,5 mil, em média. Não dá para bancar. Se alguém morrer por isso, vamos entrar na Justiça contra o estado. O direito à saúde é indissociável do direito à vida e está previsto na Constituição”, ataca ele. A Ong Amigos da Vida atua há dez anos prestando assessoria jurídica para portadores do vírus da AIDS e ajuda ainda na prevenção à doença.
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19/JANEIRO/10 |
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