Retrospectiva 2007: manifestações de grupos gays e de ONG católica marcam visita do papa bento XVI

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Agência de Notícias da Aids

Editoria: Pág.

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01/JANEIRO/08

Retrospectiva 2007: manifestações de grupos gays e de ONG católica marcam visita do papa bento xvi ao Brasil; maior associação gay do país divulga carta ‘por um estado laico de fato’

 

31/12/2007 – 11h45

No decorrer do ano de 2007, a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos, especialistas e também cobrindo os principais eventos e acontecimentos nacionais e internacionais. Apesar da pandemia da Aids continuar crescendo e representar um problema gravíssimo em todo o mundo, a Igreja vem mantendo sua postura conservadora em relação à prevenção da doença. Em mais de uma oportunidade, o Papa Bento 16 afirmou que a abstinência sexual é o único “modo seguro” de deter a proliferação da Aids. Em maio de 2007,o pontífice visitou o Brasil e deflagrou uma série de protestos e manifestações. Leia a seguir reportagem sobre o assunto publicada no dia 9 de maio de 2007, dia da chegada do religioso ao país.

Em qualquer rebanho, existem os desgarrados. Com o rebanho formado pelos fiéis do papa Bento XVI, que chega nesta quarta-feira (09/05) ao Brasil, não é diferente. Esse é o caso das integrantes da organização Católicas Pelo Direito de Decidir, que farão manifestação na Praça da Sé ao meio dia de quinta-feira (10/05). O objetivo do ato, de acordo com matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, seria dar um “recado” ao pontífice. A entidade, que reúne católicas progressistas, defende o uso da camisinha e a descriminação do aborto, dogmas que o papa atual considera intocáveis. "Ser católica não significa pensar como o papa ou como o grupo conservador que está na hierarquia da igreja", explicou Dulcelina Xavier, coordenadora de comunicação da organização, ao jornal paulista.

A visita do pontífice, além da canonização de Frei Galvão (o primeiro santo nascido no país), também vai ser marcada por manifestações de indivíduos que defendem, entre outros temas, a supremacia do estado laico e a criminalização da homofobia. Nesta quarta-feira (09/05), às 19h00, gays, lésbicas e simpatizantes reúnem-se na Praça da República, no centro de São Paulo, para lembrar as vítimas da violência homofóbica. A manifestação é organizada pela Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) e pela Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA, na sigla em inglês).

Em uma manifestação que deverá criar polêmica, o Grupo Gay da Bahia (GGB) irá queimar “documentos papais contra a homossexualidade e fotos do Inquisidor Ratzinger", como explica texto da própria entidade. Antes de assumir a direção do Vaticano, o agora papa Bento XVI era conhecido como Joseph Ratzinger, um dos cardeais mais próximos do então papa João Paulo II. A manifestação, que acontece às 16h00 desta quarta-feira (09/05), será em frente à Catedral de Salvador, capital da Bahia.

Na noite de terça-feira (08/05), a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) divulgou carta em defesa do estado laico, pois considera que “o atual pontífice elegeu os homossexuais como os cidadãos preferenciais para sua pregação de ódio e discriminação.” A ONG reúne 240 organizações de todo o país. Abaixo, o texto da associação na íntegra.

ABGLT DIVULGA CARTA PELO ESTADO LAICO DURANTE VISITA DO PAPA

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais-ABGLT está mobilizando suas 240 Organizações Não Governamentais -ONG em todos os Estados e no Distrito Federal em Defesa do Estado Laico , especialmente no momento em que o Papa visita o nosso País. O Atual pontífice elegeu os Homossexuais como os cidadãos preferenciais para sua pregação de ódio e discriminação. As Ongs de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgeneros -GLBT em todas capitais e grandes cidades do País estão preparadas para responder aos ataques a serem desferidos pelo Papa, através da imprensa ou dos veículos de rádio e televisão contra a comunidade de 18 milhões de brasileiros homossexuais, muitos deles até cristãos . Para Carlos Magno, diretor da região sudeste da ABGLT " O papa reage contra toda forma de garantia de direitos e cidadania, reforçando, através de suas declarações, o preconceito, a discriminação e a homofobia. Numa defesa da família, baseada na heteronormatividade, acusa os homossexuais de quererem destruí-la. A igreja católica tem na sua história a complacência com as piores atrocidades da humanidade, como foi quando do genocídio dos povos indígenas, a legitimação da escravidão, calando-se diante do nazismo, desalmando as prostitutas e hoje oprimindo milhões de homossexuais, inferiorizando-os e negando a eles a dignidade humana."

A ABGLT, através de suas Ongs afiliadas promoverá atos pacificos , demonstrando que nosso País não suporta modelos de violencia humana que o papa pretende exportar para o Brasil, através dos seus ataques aos avanços e conquista de cidadania de diversos setores sociais. Para isso a ABGLT esta divulgando uma carta onde solicita aos detentores dos poderes Judiciário, Executivo, Legislativo e do Ministério Público que façam cumprir a Constituição Federal e a Soberania Nacional mantendo o Estado Laico , não permitindo que a nossa democratica garantia de liberdade religiosa seja confundida com a promiscua relação de intromissão da Igreja nos assuntos que digam direito a liberdade e cidadania de todos os brasileiros. A ABGLT espera que as autoridades, especialmente as politicas, não permitam que o Papa intrometa em assuntos que devem ser decididos soberanamente pelas Instituições Democráticas do país. A ABGLT espera que a nossa pauta de vencer a pobreza, a fome, a miséria, a falta de educação e da distribuição de renda do nosso povo, seja colocada de lado para garantir visões morais do Vaticano que colocam em risco a vida e dignidade de milhões de cidadãos brasileiros. a ABGLT espera também que as rádios e televisões, que são concessões públicas, não sejam propagadoras de idéias totalitárias e moralistas que visam atingir direitos conquistados ou em discussão nos espaços políticos do Brasil.

Carta da ABGLT a visita do papa no Brasil

POR UM ESTADO LAICO

POR UM SOCIEDADE LIVRE, INCLUSIVA E JUSTA

A ABGLT – Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais acredita que para se garantir a liberdade de todos, e a liberdade de cada um, devemos lutar pela garantia de um Estado Laico. Somente assim podemos distinguir e separar o domínio público, onde se exerce a cidadania do domínio privado, onde se exercem as liberdades individuais (de pensamento, de consciência, de convicção).

O espaço público pertence a todos. Nenhum cidadão ou grupo de cidadãos deve impor as suas convicções aos outros, portanto o Estado Laico deve garantir a toda pessoa o direito de adotar uma convicção, d
e
mudar de convicção, ou de não adotar nenhuma. O Estado Laico deve garantir a coexistência de todas as convicções no espaço público.

Garantir o Estado Laico não significa dizer que somos contra as religiões – que devem ter garantidos seus espaços de expressão. O que o Estado Laico deve se opor é quando as religiões preconizam discriminação ou tentam apropriar-se da totalidade ou de uma parte do espaço público.

A liberdade de crença religiosa é um valor fundamental em qualquer sociedade que se pretenda democrática. Os fundamentalismos religiosos devem ser combatidos no terreno das idéias, com a difusão de valores de tolerância, respeito e pluralismo. No campo material o caminho é o combate para a diminuição das bases em que os fundamentalismos prosperam: a desigualdade, a miséria, a falta de educação, as limitações no acesso à cultura universal.

O Estado Laico – republicano e democrático deve determinar suas políticas através de mecanismos de consulta à população numa combinação de democracia representativa e democracia direta. Dessa forma, as convicções religiosas devem ser encaradas como de caráter pessoal, de foro íntimo, e não podem influenciar na elaboração de políticas de governo, muito menos servir de anteparo para discriminar quem quer que seja.

Desta forma denunciamos a pressão pública que grupos religiosos, a começar pelo Vaticano, fazem contra a aprovação de leis que beneficiem os gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais em todo o mundo.

O Estado brasileiro é laico, a elaboração de nossas leis não pode ser feita com base na moral de um grupo de pessoas que professam determinada fé. Ainda mais quando se trata de impedir casais homossexuais de ter seus direitos previdenciários reconhecidos, ou que famílias lésbicas, gays e trans possam adotar crianças, ou prejudicar a aprovação de uma lei específica que criminalize atos de discriminação contra essa minoria sexual.

Não é possível negar os direitos de milhões de pessoas em razão de sua orientação sexual ou identidade de gênero. Não é possível pensar em direitos humanos só para alguns e ignorar as violências cotidianas a que estão submetidos milhões de homossexuais e transgêneros brasileiros, sem mencionar as centenas de crimes de ódio que continuam ocorrendo no País.

Pela aprovação da união civil entre pessoas do mesmo sexo!

Pela criminalização da homofobia!

Pela garantia dos direitos civis!

Por um Estado Laico de Fato!

 

Redação da Agência de Notícias da Aids


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