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Retrospectiva 2007: ativistas consideram ‘perigoso’ OMS e unAids aprovarem circuncisão masculina.

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Agência de Notícias da Aids

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01/JANEIRO/08

Retrospectiva 2007: ativistas consideram ‘perigoso’ OMS e unAids aprovarem circuncisão masculina; assessora do pn cobra mais estudos

 

31/12/2007 – 11h35

No decorrer do ano de 2007, a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos, especialistas e também cobrindo os principais eventos e acontecimentos nacionais e internacionais. A polêmica sobre a utilização da circuncisão esquentou em 28 de março, dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UnAids) recomendaram oficialmente, pela primeira vez, o procedimento como importante ferramenta adicional para a prevenção do HIV por via heterossexual. Em reportagem publicada no mesmo dia, a Agência ouviu a opinião de especialistas, ativistas e gestores sobre o assunto. Leia a seguir.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UnAids) recomendaram hoje, pela primeira vez, a circuncisão masculina como uma importante intervenção adicional para reduzir o risco de infecção do HIV por via heterossexual (saiba mais).

Ativistas consultados pela reportagem consideraram o anúncio “perigoso”. Médico infectologista aprovou idéia. No entanto, a assessoria técnica do Programa Nacional de DST/Aids diz que não há consenso sobre o assunto e que estudos não revelam impacto do método em mulheres, sendo o ato cirúrgico impraticável no Brasil, com o método de prevenção, nos moldes propostos pelas duas instituições internacionais.

“É no mínimo uma colocação desastrosa, dois órgãos de tamanha importância tomarem uma decisão precipitada sem esperar um debate mais conclusivo. A questão ainda é polêmica demais e nem mesmo a Fundação Bill Gates ainda tem um parecer final sobre o assunto”, criticou o ativista e coordenador da AFXB Brasil, José Araújo de Lima.

“A idéia ainda reforça o machismo contra mulher. Não faça circuncisão, camisinha é a solução”, defendeu Araújo, ao criar slogan contra o método durante entrevista.

Já o médico infectologista da Unifesp, Dr. Ésper Kallas, disse aprovar a idéia porque os estudos indicam que o método da circuncisão masculina pode prevenir em até 70% a infecção pelo vírus HIV no homens, além de reduzir infecções de outras DSTs. “Recomendo a idéia em plano particular, mas em escala maior não sei se seria praticável esse procedimento no Brasil”, comentou o especialista.

De acordo com as agências internacionais de notícias, três testes clínicos realizados em Quênia, Uganda e África do Sul, com uma população de quase dez mil homens entre 15 e 49 anos, mostraram provas convincentes e prevenção de até 60%.

“Não sou especialista no assunto, mas acho que isso pode ser um pouco perigoso, principalmente porque as pessoas podem usar a idéia para abolir a camisinha”, ressaltou o presidente do Fórum de ONG/Aids do Rio de Janeiro, Roberto Pereira.

A gerente de divisão da prevenção, no CRT de São Paulo, Naila Santos, diz que o assunto é extremamente complexo. “Em termos de saúde pública, fazer o possível para prevenir a infecção de africanos por exemplo, é bom. Mas, será que todos eles querem ser cincuncisados? Temos questões religiosas e o anúncio tem um foco machista”, comentou.

Impacto nas mulheres

A assessora técnica em prevenção do Programa Nacional de DST/Aids, Dulce Ferraz, esteve no início deste mês na Suíça para debater o assunto e representar o País em evento promovido pela OMS.

“Uma coisa muito grave, que deve ser ressaltada, é que não há estudos sobre o impacto da transmissão [do HIV] do homem circuncisado para a mulher. Outra coisa é o molde desse estudo, que não serve para o Brasil. O contexto epidemiológico é para países com prevalência de mais de 5% e majotariamente com infecções em heterossexuais. No nosso caso, além de não termos essa prevalência, a epidemia é concentrada em populações vulneráveis”, explicou a assessora.

Segundo ela, a OMS e UnAids não fizeram um levantamento sociológico da questão e considerou precipitado o anúncio realizado nesta quarta, na medida em que não levanta outras possíveis conseqüências. Ela afirmou também que os países africanos, com alta prevalência e com maior número de infecções em heterossexuais, não possuem condições básicas em saúde pública para realizar o procedimento cirúrgico.

“O método mais eficaz que temos conhecimento é a camisinha e para o Brasil ainda não há pesquisa que prove a eficácia de outros tratamentos contra o HIV ou prevenção”, disse.

 

Rodrigo Vasconcellos


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