Sociedade civil e governo debatem o atendimento de pacientes com HIV na atenção básica de São Paulo

“Granjeiro, rebateu, assim, a proposta do Ministério da Saúde de atender nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) pacientes com HIV assintomáticos – o argumento é de que, ao passarem esses casos para a atenção básica, os Serviços de Atenção Especializada (SAEs) poderiam dar prioridade aos casos mais complexos.
No debate, realizado na Câmara Municipal de São Paulo, os ativistas, assim como Granjeiro, assumiram claramente temer o fim dos serviços especializados e demonstraram preocupação com o futuro do atendimento às pessoas com HIV/aids em São Paulo. Os gestores optaram pelo meio-termo. Disseram reconhecer a importância da manutenção dos serviços especializados e defenderam a integração das ações de luta contra aids, principalmente a prevenção, na rede básica.
Seguindo o argumento do governo, de mandar para a rede básica, mais perto das casas dos pacientes, quem está na fase inicial do diagnóstico, Granjeiro disse que, mesmo sendo assintomáticas, essas pessoas apresentam alta vulnerabilidade e exigem cuidados especiais. “É no início do tratamento que temos de escolher o esquema de medicação certo, trabalhar a adesão, os efeitos adversos, observar se há resistência primária do vírus. Há doenças que são recorrentes da própria infecção.”
Alexandre ressaltou que, ao longo dos anos, o tratamento melhorou muito, com medicamentos menos tóxicos e receitados em menores doses. “Mas, efetivamente, não é um tratamento de
Para o também pesquisador do Comitê Nacional de Vacinas e integrante do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), Jorge Beloqui, a atenção básica está saturada. “Eles (os profissionais de saúde) não dão conta de atender os pacientes com outras patologias, imagina com HIV”, disse.
Beloqui também chamou atenção para o acesso ao tratamento das pessoas com HIV perto de suas casas. “Alguém perguntou para elas se querem ser atendidas no bairro onde moram? O diagnóstico deve ser feito com base nos princípios dos direitos humanos e respeitar o sigilo”.
O integrante do GIV sugeriu aos gestores algumas metas na luta contra aids: “Que as pessoas testadas para o HIV com diagnóstico positivo saiam dos postos onde foram atendidas com consulta agendada em até 15 dias. Também que os direitos humanos sejam respeitados na saúde. Recentemente, por interferência religiosa, foram violados direitos à saúde com vetos de campanhas para público especifico.”
O debate na Câmara foi idealizado pelo Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) e integra as discussões temáticas da Comissão Permanente de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher. Representando o Mopaids, o ativista José Araújo Lima também criticou o atendimento. “Nossos serviços em São Paulo estão abarrotados, há pessoas com HIV que esperam cinco meses para ter a primeira consulta com especialista. E as UBS estão sufocadas.”
A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna defendeu que o atendimento às pessoas vivendo com HIV não deve fazer parte da atenção básica mas que essa deve incluir ações como diminuição da transmissão vertical, diagnóstico precoce do HIV, testagem, aconselhamento, interpretação dos dados epidemiológicos e distribuição de insumos de prevenção. “O trabalho da rede básica é importante principalmente para controlar os casos de transmissão vertical do HIV (mãe para filho) e da sífilis congênita”, disse Maria Clara.
Representando o secretário municipal da Saúde, José de Filippi Junior, a médica e coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Eliana Battaggia Gutierrez, anunciou que a cidade está reestruturando sua rede especializada e em processo de contratação de médicos. A gestora acredita que o melhor caminho no tratamento é a assistência com qualidade.
“Minha proposta para o Ministério da Saúde é a criação de uma rede de saúde para as pessoas com HIV, semelhante às que já existem, como a Rede Cegonha e a Hora Certa”, disse Eliana.
A coordenadora do Programa Municipal reforçou a importância da prevenção. “Em São Paulo, temos uma epidemia concentrada. Pesquisas mostram que apenas 35% das pessoas que moram no município fizeram o teste de HIV uma vez na vida. Esse número é baixo, temos de mudá-lo.”
Representando o Departamento de DST, Aids, Juliana Ulsono anunciou que o governo federal está preparando materiais para auxiliar os estados e municípios que decidirem transferir o tratamento para a atenção básica.
“O tratamento na rede básica já é realidade em alguns lugares do Brasil, como no Rio de Janeiro. No entanto, nenhum município é obrigado a aderir, essa é só uma orientação do Ministério da Saúde. Para os que aderirem, temos cartilhas e vídeos sobre como conduzir esse tratamento para a rede básica”, declarou. “A meta do governo esse ano é ampliar o tratamento contra aids para 100 mil novos pacientes.”
Por falta de tempo, a plateia não pode se manifestar. Por isso, o presidente da audiência, o vereador Gilberto Natalini, do Partido Verde, decidiu ampliar o debate para uma segunda audiência pública, em 14 de maio.
Nota do Editor de Soropositivo.org: Levar o tratamento de pacientes com HIV para o serviço básico de saúde é insinuar que AIDS e catapora sejam similares…. E não são.
Eu uso como exemplo a desarazoada eliminação da Casa da AIDS pelo Excelentíssimo Governador Eleito, Geraldo Alckimin e o desterro dos pacientes para o Emílio Ribas foi desastroso e traumático a tal nível que já se fala na reabertura da Casa da AIDS.
Esta gente não sabe diferenciar Infecção por HIV de AIDS e quer legislar sobre ela.
Outra nota do Editor: Já tem algum tempo que esta notícia foi publicada e o que era “uma hipótese” já é uma realidade: a Casa da AIDS foi reaberta, numa infraestrutura muito inferior e só o amor dos desvelados profissionais da Casa para nos dar algum alento. Graças a Deus eu sou paciente da Casa da AIDS e não de uma UBS…
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