
O VIH piora a infecção H1N1?
Esteban Martinez e investigadores do hospital clínico IDIBAPS, em Barcelona, compararam 56 adultos seropositivos para o VIH com 168 pessoas seronegativas, randomizadas como grupo de controlo, todos diagnosticados com H1N1 no hospital. Os doentes com VIH tinham sintomas e resultados comparáveis ou melhores, com menos diagnósticos de pneumonia (9% vs 25%, p=,01) e insuficiência respiratória (9% vs 21%, p=,03), menos ou menores internamentos (27% vs 42%, p=,047), mais possibilidades de receber tratamento com o fármaco oseltamivir (95% vs 71%, p=,0003) e melhores taxas de recuperação clínica no prazo de uma semana (77% vs 56%, p=,0056). Não houve diferença na mortalidade ou no risco de outras complicações durante a admissão.
Gustavo Reyes-Terán e a sua equipa do Hospital de Doenças Respiratórias da Cidade do México analisaram os registos de 22 doentes seropositivos para o VIH com H1N1 e encontraram resultados piores em doentes com baixas contagens de células CD4, infecções oportunistas (IOs) ou que não estavam a fazer terapêutica anti-retroviral (TARc). A hipótese de necessitarem de internamento foi muito mais elevada nos doentes com IOs (OR>24,5, p=0,0004) e menor em doentes sob tratamento bem sucedido (OR=0,1, p=0,03). Concluíram que a sobreposição de sintomas do vírus H1N1 e de Infecções Oportunistas podiam complicar o diagnóstico e retardar o início do tratamento adequado.
Nos doentes seropositivos, a doença provocada pelo vírus H1N1 pareceu levar mais tempo a desenvolver-se após a infecção e o vírus continuou a ser excretado por um longo período durante o tratamento com oseltamivir.
Quão eficaz é a vacina contra o vírus H1N1?
Odele Launay apresentou conclusões positivas de um ensaio francês, que testou uma dose única de vacina influenza A H1N1v 2009 em 300 doentes seropositivos para o VIH a fazer ou não TARc, randomizados para receber a vacina com ou sem o adjuvante AS03A. (Um adjuvante é uma substância, por vezes adicionada às vacinas, com o fim de desencadear uma resposta imunológica mais forte). Três semanas após a vacinação, a vacina sem o adjuvante gerou respostas protectoras (títulos de anticorpos de 1:40 ou superior) em 77%, e a vacina com adjuvante em 95,3%. (O limite necessário para a aceitação da regulamentação europeia é de 70%). Os efeitos secundários variaram, na maioria, de ligeiros a moderados, sem efeito na contagem de células CD4 ou na carga viral.
Contudo, vários outros estudos encontraram níveis menos elevados de resposta protectora. Num ensaio norte-americano (Tebas), a vacina H1N1 2009 foi testada em 120 pessoas com VIH, a maioria das quais sob terapêutica e com cargas virais indetectáveis. Três semanas após a vacinação, 69% tinha desenvolvido uma resposta protectora (títulos ≥ 1:40). Contudo, aproximadamente, um em cada quatro participantes já tinha níveis de protecção de anticorpos H1N1 antes de a vacina ser administrada, presumivelmente devido a uma exposição prévia ao vírus. Quando estes participantes foram excluídos, a taxa de resposta desceu para 61% naqueles que não tinham anticorpos protectores antes da vacinação.
Uma nova vacina desenvolvida com o split-virion (A/California/7/2009) teve efeitos protectores em 69% das 160 pessoas seropositivas vacinadas, num estudo efectuado por Bickel et al. Os doentes com uma resposta protectora tinham uma mediana mais elevada na contagem de células CD4 (532 vs 475/mm3, p=,03), eram ligeiramente mais novos (mediana 45,1 vs 45,8, p=,04) e tinham maior probabilidade de ter recebido a vacina para o vírus H5N1 2009 (diferente da gripe sazonal) (25% vs. 8%, p=,009).
Os investigadores dos estudos acima mencionados concluíram que doses maiores, doses adicionais ou diferentes formulações podem ser necessárias para induzir uma resposta protectora num número suficiente de pessoas vacinadas.
Outros ensaios conduzidos pelo International Maternal Pediatric Adolescent AIDS Clinical Trials Group (IMPAACT) encontraram boas respostas em relação à segurança em mulheres seropositivas para o VIH que estavam grávidas (Nachman), após estas terem recebido duas doses da vacina com o vírus inactivo de H1N1, da Novartis, em crianças recém-nascidas e em adolescentes infectados pelo VIH (Flynn), após duas doses da vacina Influenza A (H1N1) 2009 da Novartis. Não foi reportado nenhum caso de síndroma de Guillain-Barré em qualquer dos estudos; vários efeitos adversos de grau 3 relacionados com duas possíveis vacinas foram observadas em 155 crianças vacinadas. Os dados sobre a eficácia serão apresentados durante o decorrer do estudo.
Referências
Reyes-Terán G et al. Clinical features of subjects infected with HIV and H1N1 influenza virus. 17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, poster abstract 803LB. San Francisco, 2010.
Launay O et al. Immunogenicity of one dose of influenza A H1N1v 2009 vaccine formulated with and without AS03A-adjuvant in HIV+ adults: preliminary report of the ANRS 151 randomized HIFLUVAC trial. 17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, poster abstract 804LB. San Francisco, 2010.
Bickel M et al. Low rate of immunoresponse to the novel split virion, inactivated, adjuvanted pandemic H1N1 influenza vaccine in HIV-1-infected patients. 17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, poster abstract 805LB. San Francisco, 2010.
Tebas P et al. Poor immunogenicity of the H1N1 2009 vaccine in well controlled HIV-infected individuals: interim results of an immunogenicity trial. 17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, poster abstract 806LB. San Francisco, 2010.
Nachman S et al. Safety of an inactivated H1N1 2009 H1N1 vaccine in HIV-1-infected pregnant women, IMPAACT P1086.17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, poster abstract 808LB. San Francisco, 2010.
Flynn P et al. 2009 H1N1 immunization in HIV-1 perinatally infected children and youth. 17th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections, poster abstract 809LB. San Francisco, 2010.
Para mais informações
Poderá também ver a webcast e os slides da sessão através do site oficial.
Tradução
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