As descobertas sugerem que os microbicidas e as vacinas poderão ter mais hipóteses de sucesso se puderem limitar ou prevenir completamente os contactos entre a superfície da proteína gp120 do VIH e as membranas das células mucosas do tracto genital e intestinal.
O que se passa a partir do momento em que o VIH entra em contacto com as membranas mucosas e com as reacções imunitárias que ocorrem na mucosa são uma área crítica de investigação para os cientistas que esperam desenvolver novos métodos de prevenção da infecção pelo VIH. Todas as transmissões sexuais da infecção pelo VIH ocorrem através das membranas mucosas.
Durante a investigação, o grupo da Universidade McMaster de Ontário, colegas da Universidade de Toronto e da Universidade Laval constataram que no teste em tubo de ensaio o invólucro da proteína gp 120 do VIH estimulava a produção das citoquinas nas células das membranas, tornando-as mais permeáveis.
Segundo os autores, este mecanismo pode permitir ao VIH entrar nas células por baixo da superfície das membranas mucosas, mesmo quando não são danificadas e explicar a razão pela qual há bactérias que se ”deslocam” através da parede intestinal mais frequentemente nas pessoas com VIH do que nas pessoas não infectadas.
Do ponto de vista de alguns investigadores a deslocação das bactérias é responsável pela activação imunológica nas pessoas com VIH, e pode levar não apenas à progressão da infecção pelo VIH, mas também ao desenvolvimento de doenças graves, tais como, a aterosclerose cujo desenvolvimento é favorecido pelo estado inflamatório presente nas pessoas com um sistema imunitário altamente activado.
Anteriormente, os investigadores pensavam que a transmissão do VIH tinha mais probabilidade de ocorrer quando as membranas das mucosas estavam danificadas (por exemplo devido a trauma ou ulceração) ou quando estavam presentes muitas células imunitárias activadas (como durante uma infecção sexualmente transmitida tal como, por exemplo, a gonorreia).
Mas o grupo da Universidade McMaster descobriu que o VIH pode enfraquecer a integridade da superfície das células, mesmo quando não são danificadas.
“O que (o vírus) faz é enfraquecer a resistência da barreira eléctrica das células epiteliais. Ao fazer isso, o vírus pode atravessar a barreira”, afirma o investigador chefe Charu Kaushic, professor associado no Centro para Terapêuticas Genéticas na Universidade de McMaster.
Os cientistas têm-se defrontado com a questão sobre como, de facto, o VIH atravessa as células epiteliais para infectar outras células que são susceptíveis ao VIH. Kaushic afirma, que “ Não são as células da superfície”. “São as células imunitárias por baixo que têm todos os receptores aos quais o VIH se liga e que permitem ao vírus de se replicar e estabelecer uma infecção. Mas, antes de tudo, tem de atravessar a barreira epitelial.”
Os investigadores da McMaster fizeram uma cultura de células epiteliais em laboratório de pequenos pedaços de tecido retirado de úteros de mulheres durante histerectomias, com o seu consentimento. Depois, estudaram como, de facto, o VIH interage com estas células. A resistência eléctrica nestas culturas é usada para monitorizar como estão a crescer as células epiteliais e como funcionam.
Aischa Nazli, uma investigadora do laboratório de Kaushic, notou que cada vez que punha o VIH sobre as células epiteliais, a sua resistência diminuia significativamente. Testes sucessivos confirmaram isto.
Segundo Kausnic, a superfície da proteína do vírus provoca a ruptura da barreira epitelial. “A superfície da proteína envia “sinais” para o interior das células epiteliais unindo-se a elas”, afirma. “As células epiteliais começam a produzir proteínas inflamatórias o que provoca que estas células entrem num processo auto-destrutivo.”
Os investigadores dizem que, desde que a carga viral e o tempo de exposição sejam suficientes, o VIH pode provavelmente quebrar qualquer barreira mucosa no organismo, embora a infecção não ocorra sempre.
“Isto é um passo significativo em frente na definição de como as estratégias de prevenção, tais como microbicidas e vacinas, se devem focar. Segundo Charu Kaushic, “Em vez de prevenir que o VIH infecte células alvo por baixo da superfície do epitélio, precisamos de descobrir maneiras para não deixar o vírus ligar-se às própria células epiteliais”.
Referência:
Nazli A et al. Exposure to HIV-1 directly impairs mucosal epithelial barrier integrity allowing microbial translocation. PLoS Pathogens 6 (4): e1000852, 2010.
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