Tire dúvidas sobre a vacina contra HPV para meninas
Esta é uma foto de uma manifestação “lite” desta doença
A vacina contra o papiloma vírus humano (HPV) disponibilizada pelo Ministério da Saúde para meninas de 11 a 13 anos será uma forma de prevenção não apenas contra a doença sexualmente transmissível (DST), mas também contra o câncer de colo de útero. Segundo o Ministério da Saúde, o vírus do papiloma humano

O órgão anunciou que a vacinação contra HPV para meninas será em três doses. A primeira começou a ser aplicada nesta segunda-feira, 10 de março, em postos de saúde e em escolas da rede pública. A segunda ocorre seis meses após a primeira, e a última, depois de cinco anos. Em 2015, o público-alvo passará a ser meninas de 9 a 11 anos. A imunização será restrita a meninas de 9 anos a partir de 2016. A meta do Ministério da Saúde é vacinar 5,2 milhões de meninas, ou seja, 80% do total.
A campanha de prevenção nessa faixa etária ainda é tema de debate entre os pais. Enquanto uns avaliam a ação positivamente, outros consideram como uma forma de estimular a sexualidade precocemente. Em entrevista ao SRZD, a oncologista Daniele Ferreira, da Oncoclínica do Rio de Janeiro, esclareceu dúvidas sobre a vacina e alertou aos pais sobre a importância de não encarar o assunto como tabu. Leia a seguir.
SRZD: Por que a vacina contra o HPV é importante para meninas tão novas?
Daniele Ferreira: É importante que a menina entre cedo em contato com o vírus sem atividade para que tenha imunidade quando iniciar uma vida sexual ativa, e a maioria das garotas geralmente ainda não tem vida sexual nessa faixa etária. O HPV é o principal causador do câncer de colo uterino. É uma doença viral que gera inflamação, verrugas e outras lesões genitais que vão aparecer como câncer uterino anos depois.
SRZD: Os meninos e os adultos também não deveriam ser vacinados?
Daniele: Sim, na verdade deveriam. A vacina também protege contra o câncer de canal anal, que acomete em sua maioria os rapazes, mas que também acontece nas mulheres e é causado principalmente pelos vírus dos tipos 16 e 18. No entanto, o câncer de canal anal não é uma doença tão frequente. Pensando pelo lado estratégico do Ministério da Saúde, de almejar atingir um número maior de pessoas, o câncer de colo uterino é um problema muito maior do que o de canal anal. É por isso que a campanha é restrita às meninas jovens, mas a fórmula já está disponível há um pouco mais de tempo na rede privada e é indicada para as outras pessoas que não estão incluídas no programa do governo.
SRZD: E a vacina pela rede privada custa caro?
Daniele: Custa muito caro. Essa vacina gira em torno de R$ 200 a R$ 300 por dose, e são necessárias três doses no total. Não é barato.
Daniele: Normalmente, pode desencadear algum tipo de alergia em algumas pessoas, mas, em geral, nada além disso.
SRZD: Além da relação sexual sem o uso do preservativo, o que mais pode causar a crista de galo?
Daniele: A única causa do VPH é o contato durante a relação sexual.
SRZD: A vacina oferecida pelo Ministério da Saúde combate quatro tipos do HPV (6, 11, 16 e 18). Esses são os principais tipos da doença?
Daniele: Os tipos 16 e 18 são os que estão mais associados ao câncer de colo uterino. Os dois tipos de vacina disponíveis no mercado previnem contra eles.
SRZD: As jovens não devem deixar de se proteger porque estão vacinadas, não é?
Daniele: Jamais! Até porque a fórmula só protege contra o HPV, as vacinas são muito específicas. Por isso é importante que continue se investindo em campanhas educativas, estimulando o uso do preservativo, que é o método de barreira mais acessivo e barato para a proteção de doenças e para evitar uma gravidez fora de hora.
SRZD: A vacina garante proteção contra o Vírus do Papiloma Humano por toda a vida?
Daniele: Sim, não existe dose de reforço. Esta é uma doença longa. A maior incidência acontece em mulheres por volta dos 40 anos, que contraíram o vírus mais jovens. O HPV tem uma incubação muito longa, de mais de dez anos, desde a infecção a todas as fases de inflamação, residual e desenvolvimento do câncer. Não faz sentido imunizar uma mulher de 40 anos, porque ela já ultrapassou a maior parte de sua vida sexual ativa e se vier a ter câncer decorrente deste vírus, já será por volta dos 70.
SRZD: Além do câncer de colo de útero e de canal anal, quais são os tipos de câncer também originados do vírus em questão?
Daniele: O HPV também está associado ao tumor de nasofaringe, o que não ocorre exclusivamente com as mulheres, mas também em homens. O tratamento é basicamente conduzido com radioterapia e quimioterapia, sem cirurgia.
SRZD: A senhora acha que pode haver uma resistência por parte dos pais de levarem as filhas pequenas para se vacinarem contra uma doença sexualmente transmissível?
Daniele: Esse é o maior problema. Você nunca acha que seu bebê de 9 anos tem necessidade de ser protegida de uma DST aos 9 anos. Ainda é um tabu que a gente tem que derrubar de qualquer maneira. O câncer de colo uterino é um problema de saúde pública absurdo. Não é para deixar de fazer o preventivo depois de se vacinar. A mulher pode não ter o câncer de colo uterino, mas pode ter alteração na parede do útero, mioma, cisto, um monte de coisas.
Mais sobre o Vírus*
Doença
O HPV é um vírus transmitido durante a relação sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital. Assim sendo, o contágio pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. Também pode ser transmitido da mãe para o filho no momento do parto. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 291 milhões de mulheres no mundo são portadoras do HPV. No Brasil, cerca de 685 mil pessoas são infectadas por algum tipo do vírus a cada ano.
Sintomas
A infecção normalmente causa verrugas de tamanhos variáveis. Nas mulheres, os sintomas mais comuns surgem na vagina, vulva, região do ânus e colo do útero. Nos homens, é mais comum na glande e na região do ânus. As lesões deste vírus também podem aparecer na boca e na garganta. No entanto, homens e mulheres podem estar infectados sem apresentar sintomas.
Tratamento
O HPV pode ser eliminado espontaneamente, sem que a pessoa saiba que estava infectada. Uma vez realizado o diagnóstico, o tratamento pode ser feito com medicamentos ou cirúrgico. O câncer de colo de útero é o crescimento anormal de células do útero. Essas alterações têm como principal causa a infecção por alguns tipos de HPV. Para prevenir a contaminação, o ideal é fazer acompanhamento regular com o médico, realizar exames preventivos e usar preservativos durante a relação sexual.
* Fonte: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro
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