, 27/10/2007 – 18h15Foto: Irin PlusNewsUma nova fábrica farmacêutica ugandense começou a produzir medicamentos anti-retrovirais (ARV)localmente, o que, segundo o governo, permitirá um aumento considerável no número de soropositivos com acesso a essas drogas em todo o país e no leste da África. A fábrica, que custou US$ 38 milhões, localizada num subúrbio no sul da capital, Kampala, é a primeira na África a produzir anti-retrovirais genéricos para terapia tripla completa.Além dos ARVs, ela também produzirá o Lumarten, medicação anti-malária, que contém artemisinina e lumefantrina, mas é muito mais barato do que o Coartem, marca de primeira linha recomendada pela Organização Mundial da Saúde com os mesmos componentes. “O governo se compromete a cumprir a promessa de comprar os ARVs para pacientes soropositivos e os ACT (terapia combinado à base de artemisinina) para malária desta fábrica”, disse o presidente ugandense Yoweri Museveni na cerimônia de inauguração em 8 de Outubro. A fábrica foi instalada pela companhia farmacêutica local Quality Chemicals Limited juntamente com a indiana Cipla Limited, uma das maiores produtoras de medicamentos genéricos do mundo. Espera-se que ela empregue cerca de 500 pessoas, 200 delas cientistas e que comecem os testes clínicos logo após a inauguração. A produção para o mercado local, entretanto, só será possível em Janeiro de 2008. Atualmente, cerca de 80 mil dos 250 mil ugandenses soropositivos que necessitam ARVs têm acesso ao tratamento. Profissionais da saúde citaram, no passado, o alto custo da importação dos medicamentos e a fraca infra-estrutura do sistema de saúde do país como os principais empecilhos à distribuição dos ARVs. “Este projeto oferece a Uganda um fornecimento regular e barato de medicamentos, e nosso objetivo é que todos que necessitam do tratamento ARV possam recebê-lo”, declarou Emmanuel Katongole, diretor da Quality Chemicals, na inauguração. “Os componentes dos ARVs serão importados da Índia e os ARVs serão distribuídos em hospitais privados, dispensários e farmácias; o custo dos medicamentos será de US$15 por mês”, explicou. “A produção diária por turno será de dois milhões de comprimidos [e] a produção anual de 600 milhões. Nossa meta futura é atingir uma produção de 1,2 bilhões de comprimidos se o potencial da fábrica for utilizado completamente”, acrescentou ele. “Certos medicamentos serão exportados para países da Comunidade da África do Leste [Burundi, Quênia, Ruanda e Tanzânia], para a República Democrática do Congo e para o Sudão.” A inauguração da fábrica é considerada um passo adiante na resposta contra o HIV e a Aids em Uganda, pela qual o governo foi elogiado no passado. A liderança do presidente Museveni contra a pandemia nos anos 80 e 90 permitiu um declínio na seooprevalência, que passou de 20 por cento a 6.4 por cento.Entretanto, ainda existem falhas na campanha nacional contra a Aids: três Ministros da Saúde foram demitidos em 2006, sob alegações de desvio dos fundos recebidos do Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária. Mais recentemente, o governo foi criticado por ter permitido que ARVs de um valor de quase US$ 1 milhão perdessem seu prazo de validade nos estoques nacionais. Melhorando a cadeia de fornecimento Analistas dizem que o governo precisa resolver o problema da cadeia de distribuição se deseja que a nova fábrica tenha um impacto na distribuição dos ARVs em todo o país. Segundo representantes do Ministério da Saúde, para serem autorizadas a distribuir ARVs, as farmácias devem ser qualificadas para administrar estes medicamentos e preencher certos requisitos mínimos, como a presença de um laboratório, um médico treinado e um conselheiro. “São coisas que levam tempo para se organizar, e os ARVs tem uma validade curta de 18 a 24 meses. Por isso, até que todas estas exigências sejam cumpridas, alguns deles já terão perdido parte do prazo de validade e outros já estarão vencidos”, explicou David Bagonza, da Central Nacional de Distribuição de Medicamentos de Uganda (Uganda National Medical Stores, em inglês). O diretor geral dos serviços de saúde, Sam Zaramba, declarou recentemente que o governo estava trabalhando no sentido de harmonizar as entradas e saídas dos medicamentos nas farmácias, o que significaria quantificar as necessidades do país a intervalos regulares. O governo também está melhorando o padrão dos centros de saúde nacionais de maneira a aumentar o número de pontos de distribuição de ARVs. Outros países africanos que produzem ARVs são o Egito, a Nigéria e a África do Sul. Moçambique também pretende começar a produção destes medicamentos, mas até agora não achou um doador para financiar o custo estimado de US$ 9 milhões.Fonte: Irin PlusNews
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