Uma doença que bate à porta de casa
Publicado em 19 de junho de 2009 (há 17 anos, 4 meses e 2 dias)Atualizado em 31 de julho de 2026 (há 2 meses e 20 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações....
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O Globo | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
O País |
| 10/FEVEREIRO/08 |
Em Recife, mulher contraiu leptospirose em enchente e foi mal atendida em hospitais
Letícia Lins RECIFE. Líder comunitária numa favela erguida à beira de mangues e canais no bairro de Afogados – onde as moradias se alternam entre palafitas e outras de alvenaria, também precárias – Maria Luzinete da Costa, 50 anos, foi triplamente vitimada pela miséria e pela omissão das autoridades: não dispunha de saneamento, pegou uma doença por causa disso e ainda foi tratada com descaso na rede pública de saúde. Terminou morrendo à míngua por uma das muitas doenças da pobreza: a leptospirose, que é transmitida pela urina do rato. Ela contraiu a infecção na frente de casa, onde vivia literalmente com o pé na lama e nos dejetos que vinham com a chuva. E morreu após ser medicada em posto de saúde da prefeitura e hospitais do SUS, como se tivesse gripada, apesar dos sintomas de que seu mal era bem mais grave.
- Aqui as valas transbordam quando chove e a água se mistura com os dejetos dos esgotos domésticos, feitos pela própria população. Quando as ruas ficam cheias, a porcaria entra nas casas boiando.
Foi o que aconteceu naquela época. As valetas não têm tampas, estavam entupidas.
- Minha mãe era muito afoita, corajosa.
- Ela começou a inchar, ficou irreconhecível.
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