, José Medeiros * Quando pararmos para pensar que o fumo é a maior causa de morte evitável do mundo, paralelamente, teremos de ser capazes de compreender a dificuldade encontrada pelos fumantes para libertar-se do vício. Apenas para traçar um quadro comparativo, lembremos que de todos os conflitos e guerras ocorridos na América Latina, ao longo de 133 anos, foram responsáveis por 81 mil mortes, enquanto, anualmente, morrem 200 mil brasileiros por causa do tabaco. Ou seja, são mais de 300 pessoas que morrem por dia no Brasil, em conseqüência do hábito de fumar, superando assim outros números alarmantes de mortes por Aids, acidentes de trânsito e crimes, quando examinados conjuntamente. Estatísticas dolorosas são, ainda, as de óbitos por dengue, tuberculose, esquistossomose mansônica, febre amarela, entre outras. Os números não param por aí. A Organização Mundial da Saúde afirma que o tabagismo matou 100 milhões de pessoas no século 20, tornando-se o maior problema de saúde pública do mundo moderno. A expectativa para este século é de um bilhão de mortes, caso não consigamos alcançar um bom nível de conscientização e criação de programas eficazes de controle e de educação sobre os perigos do fumo. No Brasil, pesquisas apontam que mais de 75% dos fumantes gostariam de deixar o cigarro, superando países como os Estados Unidos e a Inglaterra, o que sugere um bom nível de informação sobre os perigos do fumo. Boa parte disso deve-se às advertências que circulam nos maços de cigarros desde 2002. O Brasil foi o segundo País do mundo a utilizar essa estratégia de combate e a divulgar os males do fumo pela mídia. Quais são os principais empecilhos para se deixar o cigarro? Alguns profissionais apontam como causa à dificuldade dos programas, assim como, a falta de medicamentos que apóiem os tratamentos. Outra importante questão apontada como definidora é a mudança de atitude, de comportamento, ou seja, é preciso decidir deixar o tabaco e buscar um estilo de vida que facilite essa tomada de decisão. Convence-se o fumante, mas não se apóia para que ele possa deixar o vício, que é um hábito arraigado; e o hábito é uma segunda natureza. Cabe-nos a responsabilidade de fazermos um esforço para ajudar os que precisam curar-se de um vício por vezes tão agravante para a saúde, quanto o álcool e as drogas.(*) É médico e ex-secretário de Saúde e de Educação.
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