Microrganismo foi achado no sangue de doentes
WASHINGTON, REUTERS
Um vírus ligado ao câncer de próstata parece desempenhar um papel importante na síndrome da fadiga crônica, segundo uma pesquisa que dá pistas para um possível tratamento contra um misterioso mal que afeta 17 milhões de pessoas.
Em um grupo com 101 pessoas com a doença, os cientistas encontraram o vírus, conhecido como XMRV, no sangue de 68 pacientes. O mesmo vírus apareceu em apenas 8 pessoas de um grupo de 218 indivíduos saudáveis. O trabalho foi publicado na revista Science.
Judy Mikovits, do Instituto Whittemore Peterson, em Nevada, nos Estados Unidos, e colegas do Instituto Nacional do Câncer e da Clínica Cleveland, sublinharam que o resultado só comprova a relação entre o vírus e a síndrome, mas não garante que o patógeno cause a doença.
Seriam necessários outros estudos para demonstrar um vínculo direto, mas Judy afirma que a pesquisa oferece a esperança de que os pacientes com a doença obtenham alívio de um coquetel de medicamentos igual aos utilizados para combater o HIV e o câncer.
A síndrome debilita o sistema imunológico e causa fadiga incapacitante. Os pacientes com o transtorno podem experimentar perdas de memória, problemas de concentração, dores musculares e nas articulações, dores de cabeça, inflamação dos gânglios linfáticos e dor de garganta. Os sintomas podem durar ao menos seis meses. Até agora, o único tratamento é a terapia cognitiva para ajudar os pacientes a lidar com os efeitos asfixiantes da doença.
O XMRV é um retrovírus, semelhante ao HIV. Experimentos já comprovaram que o XMRV é capaz de provocar leucemia e tumores em animais.
A equipe de Judy afirma que estudos futuros devem determinar se o vírus causa diretamente a síndrome, é apenas um vírus oportunista em sistemas imunológicos debilitados ou se um patógeno que atua com outros vírus para causar a doença







