“AIDS na minha vida é uma aventura contemporânea, pois tento efetivar, apesar dos desafios, a arte de existir. Entretanto, aprendi por questão de sobrevivência física, intelectual e afetiva a lidar com as diferentes nuances que surgem neste contexto. O difícil é quando o arco-íris surge de uma só vez. Respiro e sigo.
Casei duas vezes, trabalho, faço cabelo em salões baratos, mas no vinho e nos cosméticos costumo gastar um pouco mais. Cinema é quase sempre, gosto dos dramas e das comédias. Nada de terror! Adoro percussão e os tambores me emocionam. Atuo em movimentos sociais, vou a congressos de AIDS, e sonho com um mundo melhor.Fiz sexo sem PRESERVATIVO e peguei HIV em 1992. Um novo ritmo se apresentou a partir daí na minha vida: algumas internações, tratamentos que não deram certo, medos, tuberculose óssea, morte iminente, discriminação, enfim, uma profusão de experiências, que marcam o corpo e a alma até hoje. Permanecer viva tem sido definitivamente um ato de rebeldia.
O rumo dessa história mudou com uma mágica farmacológica: a chegada dos antirretrovirais, drogas que trouxeram a revolução no tratamento para a AIDS, e o acesso a eles define quem vive e quem morre com AIDS no mundo.Viver com AIDS é possível. Hoje, meus amigos (as) com AIDS morrem menos, e eu não adoeço tanto. Entretanto, o final da história não é aqui. Desejo a cura e, com a curiosidade de menina, aguardo o dia em que anunciarão: “Foi encontrada a estrela da cura para a AIDS“.
GAZETA DO POVO – PR |
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VIDA E CIDADANIA |
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01/Setembro/09 |
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