Especialistas em biossegurança alertam para os riscos de contágio
Camilla Lopes
O ambiente de um consultório odontológico pode ser uma via de transmissão para o vírus da gripe suína. O perigo é grande já que além da rotatividade de pessoas nesses locais, os cirurgiões dentistas trabalham sempre muito próximos dos pacientes.
- É um lugar extremamente propício. Um paciente infectado é um risco muito grande para o profissional.
Então, o isolamento de dez dias após uma gripe forte é uma recomendação que deve ser seguida à risca – alerta o coordenador da comissão de infecção respiratória da Sociedade Brasileira de Pneumologia, Paulo Teixeira.
O alerta também vem sendo feito pela Sociedade Brasileira de Odontologia (SBO). Segundo a entidade, diante do risco que a epidemia traz, a recomendação ao cirurgião dentista é adiar a consulta do paciente que é caso confirmado da gripe ou apresenta sintomas. Nos casos mais graves, quando o enfermo está com muita dor, a orientação da SBO é medicá-lo até a recuperação completa e esperar mais os dez dias propostos.
O dentista Paulo Henrique Ribeiro já toma a providência de remarcar a consulta nos casos em que os pacientes apresentam sintomas da influenza.
- A possibilidade de contágio é muito grande. Mas, se o procedimento de segurança for adotado, não há risco de contaminação. Temos que ser muito rígidos. O paciente com sintomas de gripe precisa ser remarcado. Nós dentistas estamos muito expostos a tudo.
Segundo a SBO, os profissionais de odontologia já trabalham sob forte esquema de segurança devido à possibilidade de contaminação por diversos tipos de doença, como, por exemplo, AIDS, herpes e hepatite.
Outro alerta da SBO é para que os dentistas que apresentem qualquer sintoma de gripe – mesmo fraco – se ausentem imediatamente do trabalho.
O dentista e diretor-excecutivo de uma operadora de planos odontológicos, Armando Rodrigues Filho, chama atenção para os cuidados que devem ser tomados também nos consultórios.
- Mesmo que o número de casos esteja menor neste momento nós sabemos que ano que vem virá uma nova epidemia. Então é importante manter os cuidados para estarmos preparados. O profissional não pode deixar de usar a máscara, a luva e o óculos protetor. Mas, além disso, é importante que o consultório esteja sempre arejado e se possível com luz solar.
Paciente infectado Mas o que fazer se um paciente com sintomas ou que seja caso confirmado da gripe A solicitar atendimento odontológico por estar com muita dor? Segundo Enrique Acosta, diretor da Organization for Safety and Asepsis Procedures (Osap), entidade internacional voltada para a biossegurança na odontologia, o ideal seria realizar a consulta em um ambiente preparado para isolar infecções pelo ar, que pode ser encontrado em hospitais.
- No entanto, sei que será difícil conseguir essas condições, além do cirurgião-dentista precisar de treinamento especial para usar esses equipamentos. Mas é possível controlar a dor de dente com analgésicos, antinflamatórios e antibióticos, até que o paciente se recupere da doença – diz Accosta.
O dentista Paulo Henrique Ribeiro lembra que a prática de segurança por parte dos profissionais que trabalham com os dentistas também é fundamental.
- As secretárias também precisam estar atentas. Se elas observarem que um paciente não está bem devem remarcar a consulta e evitar que esse paciente tenha contato com o dentista.
Proteção dos profissionais deve ser total e o ambiente tem que estar arejado
O profissional não pode deixar de usar a máscara, a luva e o óculos protetor Armando Rodrigues Filho Dir etor-excecutivo
É possível controlar a dor com medicamento até que o paciente se recupere Enrique Acosta Especialista em biossegurança
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01/Setembro/09 |
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