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Baixa Carga Viral do HIV, porém detectável, eleva o risco de progressão da doença e comorbidades?

As pessoas HIV positivas com baixa carga viral, porém detectável na faixa de 50 a 500 ou até 1000 cópias/ml, podem continuar a ter um risco elevado de eventos relacionados à AIDS, mas suas probabilidades de sofrerem com graves eventos não relacionadas à AIDS, incluindo doenças do coração, fígado e doença renal não parecem aumentar, de acordo com dois estudos italianos apresentadosna XVConferência Europeia da AIDS em Barcelona.

HIV

\representação gráfica do HIV em 3D

É bem conhecido que combinação eficaz de terapia anti-retroviral (TARV/Coquetel), que suprime a replicação de HIV, reduz drasticamente a progressão da doença e melhora a vida da pessoa com HIV. Descobertas recentes do grande estudo Start mostraram que pessoas que iniciam o tratamento logo após o diagnóstico tiveram um menor risco de desenvolver doenças relacionadas à AIDS e eventos não relacionados à AIDS, assim como a ocorrência de óbitos, em comparação com aqueles que esperaram até suas contagens de célulasT CD4 caírem ao antigo “nível padrão”, de 350 células T CD4 por mililitro de sangue.

Uma pequena proporção de pessoas com HIV tem apresentado carga viral baixa, porém detectável, persistentemente, apesar do tratamento e dos efeitos da viremia de baixo nível não serem completamente compreendidos. Mesmo um baixo nível de replicação viral em curso pode levar ao aumento da ativação imune e inflamação, que pode contribuir para as comorbidades não relacionadas à AIDS, tais como doenças cardíacas, câncer e formação de coágulos, que podem causar AVC e embolia pulmonar. Contudo, os estudos observacionais de grandes proporções, anteriormente não tinham observado a associação entre a viremia baixa e aumento do risco de AIDS e de doenças não relacionadas à AIDS ou mortes.

Andrea Antinori e colegas pesquisadores, com a Fundação ICONA, realizou um estudo coorte que demonstrava uma estimativa de 3 meses de incidência de eventos relacionados à AIDS, graves acontecimentos não relacionados à AIDS ou a ocorrência de óbitos entre as pessoas com o baixo nível de viremia, comparados com aqueles com cargas virais abaixo de 50 cópias/ml (indetectável).

3D generated illustration of HIV Aids virus cells for medical science background

3D generated illustration of HIV Aids virus cells for medical science background

A análise incluiu 7277 participantes do coorte italiano ICONA, que tinha pelo menos 1 pessoa/ano de seguimento com uma carga viral na faixa de 0 a 1000 cópias/ml, pelo menos 6 meses após o início de uma combinação de antirretrovirais de primeira linha. Três quartos eram homens, em sua maioria brancos, idade média de 37 anos e 18% foram co-infectados com o vírus da hepatite C. A média da contagem de CD4 no início da TARV foi de aproximadamente 300 células/mm3 e 13% haviam sido diagnosticados com AIDS. O esquema mais comum de Terapia Antirretroviral foi o que combina Sustiva (Efavirenz)com Tenofovir/Emtricitabina (Truvada, também usado em PrEP), mas uma grande variedade de outras drogas também foi utilizada.

Os pesquisadores participantes foram classificados em 4 grupos, de acordo com a contagem da carga viral seis meses após o início da TARV:

  • 0-50 cópias/ml (n=3919);
  • 51-200 cópias/ml (n=1811);
  • 201-500 cópias/ml (n=1117);
  • 500-1000 cópias/ml (n=430).

 

Eles compararam dois resultados de efetividade de tratamento entre os grupos de carga viral: AIDS ou morte por qualquer causa, e eventos não-AIDS graves acordo com a definição.

Resultados:

 

  • 204 eventos relacionados com a AIDS ou mortes ocorreram durante 28,429 pessoas/ano de seguimento.
  • Taxas de incidência de eventos relacionados à AIDS ou morte foram 0,52, 1,25, 1,91, e 1,06 por 100 pessoas/ano para os participantes com cargas virais de 0-50, 51-200, 201-500, e 500-1000 cópias/ml, respectivamente.
  • O risco ajustado de eventos relacionados à AIDS ou morte foi 1,74 (74%), 2,30 (mais do que o dobro do risco, 130%) e 1,30 (aumento de 30%) para as pessoas com 51-200, 201-500, e 500-1000 cópias/ml, respectivamente, em comparação com aqueles com 0-50 cópias/ml. Estas diferenças foram estatisticamente significantes para os grupos 51-200 e 201-500, mas não para o grupo de 500-1000.
  • 438 eventos graves não relacionados à AIDS, ou mortes, ocorreram durante o seguimento.
  • Taxas de incidência de eventos graves não relacionados à AIDS ou morte foram 1,46, 1,77, 1,69 e 2,56 para os respectivos grupos de carga viral.
  • O risco ajustado de eventos graves não relacionados à AIDS ou morte foi de 1,09 (pouca mudança – 9%), 1,00 (diferença), e 1,54 (aumento de 54%) para as pessoas com 51-200, 201-500, e 500-1000 cópias/ml, respectivamente, nenhum dos quais foram estatisticamente significantes.

“A baixa carga viral, na faixa de 51 a 500 cópias/ml cúbico de sangue, foi associada a um risco independente do desenvolvimento de um novo diagnóstico de AIDS, que foi até 2,3 vezes maior do que o observado na presença de carga viral suprimida”, os pesquisadores concluíram.

 “Por outro lado, o baixo nível de viremia pareceu predizer um risco mais elevado de ocorrências graves não relacionados à AIDS”. [Nota do tradutor: Eu mantive esta frase em negrito literalmente igual ao original e, embora eu não seja um cientista, isso me pareceu-se mais com um “palpite” do que uma conclusão científica. O original está como se segue:“Conversely, low-level viremia did seem to predict a more elevated risk of serious non-AIDS events.”

 

Foi notado neste estudo, no entanto, que a classificação da carga viral em categorias foi baseada nos níveis atuais da carga viral e não podiam ser tomados em conta para períodos prolongados de baixo nível de replicação viral. “Blipes” virais ocasionais não são incomuns durante o tratamento, mas a viremia persistente é uma preocupação maior. Eles também disseram que o curto período do seguimento, 3 meses, pode ter subestimado os efeitos desta condição a longo prazo com relação aos possíveis desfechos clínicos.

Estes resultados, acrescentou-se, “podem ser úteis no planejamento de análises destinadas a uma melhor definição dos limiares de falha terapêutica válidos para fins clínicos e, eventualmente, incrementar as estratégias de tratamento detalhada e personalizadamente, caso a caso.”

 Eventos cardiovasculares

No segundo estudo, Silvia Costarelli do Hospital San Gerardo de Monza, e colegas com o italiano MASTER Coorte analisaram a associação entre baixo nível de viremia persistente (RNA do HIV entre 50 e 400 cópias/ml) e aumento do risco de eventos relacionados às doenças cardiovasculares.

Esta análise incluía 4393 pessoas que alcançaram a carga viral abaixo de 50 cópias/ml (NT – indetectável – no Brasil os exames de carga viral são sensíveis até um patamar ainda mais baixo, em 40 cópias de RNA por mililitro cúbico de sangue) em até 6 meses após o início da TARV, pelo menos. Cerca de 70% eram homens, a maioria era composta por italianos e a idade média dos sujeitos da pesquisa no início da era de aproximadamente 40 anos. Eles tinham doença por HIV relativamente avançada, com uma mediana de contagem de CD4 abaixo de 300 células/mm3.  O risco cardiovascular subjacente foi geralmente baixo, com apenas cerca de 1%, tendo  eventos cardiovasculares anteriores.

Uma maioria de 3576 pacientes manteve supressão viral completa e, no entanto, 574 vivenciaram falha terapêutica com rebote viral para >400 cópias/ml e 243 tinham um baixo nível de viremia persistente em dois testes consecutivos.

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Observação do Editor de Soropositivo.Org: No texto que segue abaixo há o relato de 93 óbitos de pessoas com supressão viral em andamento. Todavia, não há o relato da contagem de células T CD4 de cada um destes pacientes e nem mesmo a alusão à contagem média da das células T CD4. Eu faço esta observação porque acompanho, através do aplicativo Whats App, dando suporte moral (uma conversa amistosa, uma troca de informações, e considerei, pelo menos no que tange a este site e às pessoas que visitam este site em busca de conhecimento e esperança, uma falta de humanidade em não mencionar tal fato, pois não é de todo impossível que alguns destes pacientes estivessem com uma contagem de CD4 que viesse a facultar a ocorrência de uma doença oportunista que, neste âmbito, teria sido a verdadeira causa da perda de uma vida humana, podendo atormentar psicologicamente as pessoas que cheguem a ter contato com este texto que estejam exatamente neste processo de gradativa e paulatina supressão viral.

Durante o seguimento houve 45 eventos cardiovasculares, 57 eventos relacionados à AIDS e 93 mortes entre pessoas com supressão viral em curso: 18, 53 e 37, respectivamente, entre pessoas com rebote viral e 6, 5 e 4 entre as pessoas com baixo nível de viremia persistente.

Os pesquisadores consideraram dois desfechos compostos: primeiro evento cardiovascular, com evento relacionado à AIDS ou falecimento e primeiro evento cardiovascular ou morte, ignorando a AIDS.

Para o primeiro desfecho os ajustes das incidências foram 11,7, 21,6 e 9,3 por 1000 pessoa/anos, respectivamente; para as pessoas com total supressão viral, rebote viral, e viremia persistente de baixo nível. Para o segundo desfecho as taxas de incidência foram 8,6, 11,6 e 9,0, respectivamente. Ou seja, o risco de eventos adversos foi cerca de 2 vezes maior para pessoas com rebote viral, quando a AIDS foi considerada, mas não quando considerados apenas os eventos cardiovasculares ou óbitos.

Em uma análise multivariada, pacientes com rebote viral tinham um risco significativamente maior para o primeiro e o segundo ponto de composição, em relação às pessoas com uma contínua supressão viral (razão de risco 2,15 e 1,5, respectivamente). No entanto, a persistência da viremia de baixo nível não foi associada com taxas de riscos significativamente diferentes.

“Nossos resultados sugerem que o baixo nível de viremia persistente não influencia a doença cardiovascular,” os pesquisadores concluíram. “Além disso, em nosso meio, a persistência da viremia de baixo nível ainda não era significativamente capaz de influenciar o estabelecimento de um quadro de AIDS ou morte.

Em resumo, a incidência de eventos cardiovasculares, a AIDS e a morte foram semelhantes para as pessoas com uma contínua supressão viral e aqueles com persistência da viremia de baixo nível no MASTER estudo, sugerindo que a carga viral de baixo nível não aumenta o risco de eventos relacionados ou não à AIDS. Isso conflita com os resultados do ICONA, que fez ver um maior risco de AIDS entre pessoas com baixa carga viral, mas detectável.

Escrito por Liz Highleyman

para o HIVAndHepatites.com

Traduzido por Cláudio Souza do original em Inglês em Does Low-level HIV Viral Load Raise the Risk of Disease Progression and Comorbidities?

Revisado por Beto Volpe (Tantus Nominum nullum par Elogium)

Referências

Um Antinori, UM Cozzi Lepri, Ammassari, et al . Baixo nível de viremia (LLV) variando de 50 a 500 cópias/ml está associado a um risco aumentado de eventos de AIDS na Fundação Icona coorte. XV Conferência europeia da AIDS. Barcelona,  21-24 Outubro, 2015. Resumo PS4/2.

S Costarelli, D Bernasconi, G Lapadula, et al . A persistência da  viremia de baixo nível do HIV e risco cardiovascular. XV Conferência europeia da AIDS. Barcelona,  21-24 Outubro, 2015. Resumo12/10 PE.

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Depois de passar quatro décadas tentando estabelecer pelo menos um armistício com meu pai e ver as falhas ocorrerem sistematicamente, tentativa após tentativa, eu desisti do sobrenome “de Souza”. Estava me preparando espiritualmente para isso quando uma amiga locupletou a façanha de descobrir onde está minha mãe... Cláudio Santos. Quem preferir, aluda-se a mim como o Cláudio do Site,ou Cláudio do Soropositivo.Org, ou ainda aquele da promessa não cumprida: Cláudio, o trouxa do livro que acreditou em "palavra emprenhada". Eu mostro meu rosto, embora alguns me censurem, porque, no meu modesto ponto de vista, ser portador de HIV não é crime e, portanto, não há do que me envergonhar. Eu contraí HIV pela via sexual. Eu fui um DJ e, durante cinco anos fui DJ no vagão Plaza e durante uns outros dois fui DJ do Le Masque. Lá, um filho da puta me pediu para fazer minhas férias e puxou meu tapete. Aí fui parar na "Segredos", uma casa gay e, de quebra, morei lá por um tempo. Rua da Amargura, onde R.A. Gomes me colocou. Mas dei a volta por cima e fu trabalhar na SKY. Depois, na Pink Panther, em Santos e, enfim, na XEQUE Mate e, terminei minha carreira, aquele que fora três vezes considerado o Melhor DJ de São Paulo, como um apagado DJ do La Concorde e do Clube de Paris, onde conheci uma das mais belas mulheres com quem convivi e a perdi. Conheci alguém novo, uma mulher, "do dia", que me apresentou esta Entidade, o computador e, por muito tempo vivi de consertá-los. Sei, hoje, que ainda há muita gente que me odeia. Quer saber? Get them the hell and fuck off porque eu não dou a mínima. Simplesmente faço meu trabalho e me reporto a Deus... E pra quem não acredita em resiliência, eis meu histórico médico De acordo com o que preceitua o Código de Ética Médica, nos termos da legislação vigente e de conformidade com o pedido formulado pelo interessado, declaro que o Sr Cláudio Santos de Souza, matrícula no serviço sob registro RG3256664J, está em acompanhamento regular com seguintes diagnósticos/CID-10 até o presente momento: #HIV/Aids diagnóstico em 11/1996 (B24) #Candidíase oral 1996 (B20.4) #lnfecção latente tuberculosa tratada com Isoniazida em 1997 (Z20.1) #Arritmia cardíaca: bloqueio parcial ramo D/bradicardia sinusal por antidepressivos tricíclicos em 2006 (I49.9/R00.1) #Depressão (F32) Dislipidemia (E78.5) Diabetes (E14.) Obesidade (E66.) #PO tardio de gastroplastia redutora (técnica Capella 10/2011) #Embolia Pulmonar (126.) em 2011 + hipertensão pulmonar #HAS (110) controlada após cirurgia bariátrica Catarata (H26.9) #Sífilis (A51.0) gonorréia (A54.0), herpes genital (A60) Litíase vesicular (K80.5) #Trombose venosa profunda/tromboflebite MMII de repetição (182.9): 2008, 2009 e 2010 #lntervenção cirúrgica em 21/01/2013: de herniorrafia incisional abdominal, apendicectomia, colecistectomia #Herpes zoster ramo oftálmico 04/2015 (B02) 2 # Neuropatia periférica em membros superiores e inferiores (G62.9), acarretando fraqueza muscular, parestesias e dor, medicado e em seguimento pela equipe de dor #Angioma cavernoso cerebelar - em seguimento com neurologia Tratamento: TDF+3TC+ATVr, ezetimibe, alopurinol, AAS, atorvastatina, enoxaparina, clomipramina, risperidona, zolpidem, clorpromazina, flunitrazepam, gabapentina, amitriptilina, metadona Últimos exames: CD4=1070 (28%)/CD8=1597 rel=0,67 (08/03/2015) e Carga viral- HIV(PCR)

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