Início Categoria Padrão G8 pede desculpas por ‘erro’ em cúpula

G8 pede desculpas por ‘erro’ em cúpula

0

Folha de S. Paulo

Editoria:

Pág.

Dia / Mês/Ano:

Mundo

 

20/JUNHO/07

 

G8 pede desculpas por “erro” em cúpula

 

Carta enviada ao Brasil e demais países do G5 justifica contradição entre documentos dos dois grupos

 

CLÓVIS ROSSI

ENVIADO ESPECIAL À ALEMANHA

 

                                                          

O governo alemão, em nome do G8, enviou carta ao governo brasileiro pedindo desculpas pelo “erro técnico” cometido durante a recente reunião de cúpula entre o G8 e o G5, o grupo de países externos ao clubão dos sete ricos mais a Rússia convidados para a reunião deste ano, realizada em Heiligendamm. Como é óbvio, a carta foi enviada também aos quatro parceiros do Brasil no G5, que foram África do Sul, China, Índia e México.

                                                          

A expressão “erro técnico” é de Bernd Pfaffenbach, alto funcionário do Ministério das Finanças que assessorou Merkel na cúpula. Por que “erro técnico”? Porque o G8 anexou a seu documento final da cúpula um texto assinado pela presidência alemã e pelo G5.

Um texto contradizia o outro em alguns pontos, conforme reclamação que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou durante sua exposição ao G8+5. As duas principais contradições:

                                                          

1 – Mudança climática – A grande diferença é que o documento G5+Alemanha enfatiza todo o processo das Nações Unidas, desde a conferência do clima (a Rio-92), e enfatiza também o fato de haver responsabilidades comuns mas diferenciadas no combate ao aquecimento global.

Traduzindo: o G5 acha que foram (e ainda são) os países ricos os principais responsáveis pela emissão dos gases que causam o efeito estufa, que gera o aquecimento global. Logo, eles devem pagar um preço maior para conter as emissões.

                                                          

Já o G8 enfatiza muito mais metas voluntárias para alguns países e metas regionais.

                                                          

2 – Propriedade intelectual -O documento do G5+Alemanha reconhece o “papel crucial” da proteção aos direitos de propriedade intelectual, mas diz que tal proteção deve ser feita “em conjunção” com “os propósitos de proteção do ambiente e da saúde pública”.

                                                          

Tradução: sem essa ressalva, fica mais difícil para o Brasil, por exemplo, adotar o mecanismo de licença compulsória para importar medicamentos, como o fez recentemente com remédios para a Aids. O texto do G8 não faz essa ressalva.

 

Reivindicação

De todo modo, ao explicar o problema como “erro técnico”, e não político, Pfaffenbach deixa claro que não será atendida a reivindicação que Lula apresentou na ocasião, no sentido de inverter a lógica do processo. Hoje, o G5 entra apenas no último dia da reunião, quando o documento do G8 já está discutido, pronto e acabado.

                                                          

O presidente brasileiro queria que o G5 se reunisse antes, discutisse antes os temas, para depois o G8 “levar em conta as propostas do grupo”.

                                                  
        

Não é o que vai acontecer, adianta Pfaffenbach, com a autoridade que lhe dá o fato de que a Alemanha preside o G8 até o fim do ano, para depois entregar o comando ao Japão, onde se dará a próxima cúpula.

                                                          

O alto funcionário alemão diz que seu governo fará o possível para que os convidados externos ao G8 tenham uma participação mais intensa em toda a fase preparatória. “A Alemanha pode influenciar a presidência japonesa, mas, no fim das contas, quem decide é a presidência de turno”, afirma, para sugerir: “Cabe também ao Brasil fazer pressão”.

                                                          

Por enquanto, o que já está certo é que será criada uma “unidade G5” no âmbito da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, o clube dos 30 países mais ricos do mundo) para ser o ponto de encontro entre G8 e G5 no que a diplomacia chama de “diálogo estruturado”. É esse diálogo que dará formato final à participação dos convidados de fora do G8 nas próximas cúpulas.

                                                          

Pfaffenbach faz questão de dizer que a OCDE é apenas o “ponto de encontro”, para dissolver os receios do Brasil de que o diálogo no âmbito do clubão possa ter implicações para suas políticas internas. “A OCDE não terá uma intervenção política”, assegura.


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Sair da versão mobile