A determinação rápida da contagem de células CD4 como parte do rastreio e aconselhamento aumenta a probabilidade de sucesso na referenciação para o seguimento clínico

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T-Zelle - 3d Render  A determinação rápida da contagem de células CD4 como parte do rastreio e aconselhamento aumenta a probabilidade de sucesso na referenciação para o seguimento clínico lazy placeholderO uso de tes­tes rápi­dos de de­ter­mi­nação de con­ta­gem de célu­las CD4 au­men­ta as pos­si­bi­li­da­des de as pes­so­as di­ag­nos­ti­ca­das com in­feção pe­lo VIH se­rem en­ca­mi­nha­das com su­ces­so pa­ra os cui­da­dos de saúde, quan­do usam os ser­viços móveis de ras­treio e acon­se­lha­men­to do VIH, de acor­do com os in­ves­ti­ga­do­res da Áfri­ca do Sul que pu­bli­ca­ram os seus da­dos na edição on­li­ne do Jour­nal of Ac­qui­red Im­mu­ne De­fi­ci­ency Syn­dro­mes.

“Os nos­sos re­sul­ta­dos su­ge­rem que a in­te­gração nos ser­viços de pro­xi­mi­da­de móveis (point of ca­re) a con­ta­gem de célu­las CD4 po­de au­men­tar a per­cen­ta­gem de do­en­tes que acei­tam a re­fe­ren­ciação pro­pos­ta e re­a­li­zar pe­lo me­nos uma con­sul­ta nos ser­viços es­pe­ci­a­li­za­dos na in­feção pe­lo VIH,” es­cre­vem os au­to­res.

Em Abril de 2010, cer­ca de 13.5 mi­lhões de pes­so­as na Áfri­ca do Sul re­a­li­za­ram o ras­treio da in­feção pe­lo VIH. A per­cen­ta­gem de do­en­tes di­ag­nos­ti­ca­dos que fo­ram re­fe­ren­ci­a­dos com su­ces­so é des­co­nhe­ci­da. Con­tu­do, exis­te al­gu­ma evidência que de­ve ser bai­xa. A média da con­ta­gem de célu­las CD4 no mo­men­to em que ini­ci­am te­rapêuti­ca an­tir­re­tro­vi­ral está bem abai­xo de 200 célu­las/mm3. No início de 2011, o li­mi­ar pa­ra o início do tra­ta­men­to an­tir­re­tro­vi­ral au­men­tou pa­ra 350 célu­las/mm3. Is­to só será possível se as pes­so­as fo­rem di­ag­nos­ti­ca­das pre­co­ce­men­te e fo­ram de ime­di­a­to re­fe­ren­ci­a­das pa­ra cui­da­dos es­pe­ci­a­li­za­dos.

Os ser­viços móveis de ras­treio e acon­se­lha­men­to po­dem for­ne­cer uma opor­tu­ni­da­de de di­agnósti­co pre­co­ce da in­feção pe­lo VIH. Os in­ves­ti­ga­do­res pre­ten­di­am per­ce­ber se a pos­si­bi­li­da­de de re­a­li­zar igual­men­te tes­tes rápi­dos de con­ta­gem de célu­las CD4 às pes­so­as que usam es­te ti­po de ser­viço es­ta­ria as­so­ci­a­do a um au­men­to de pri­mei­ras con­sul­tas es­pe­ci­a­li­za­das em in­feção pe­lo VIH.

Os tes­tes rápi­dos de con­ta­gem de célu­las CD4 pro­por­ci­o­nam re­sul­ta­dos credíveis em apro­xi­ma­da­men­te 20 mi­nu­tos.

A po­pu­lação es­tu­da­da in­cluiu 508 do­en­tes na província de Gau­teng que for­ma di­ag­nos­ti­ca­dos nos ser­viços móveis de ras­treio em 2010. A ida­de média era de 33 anos, 60% eram mu­lhe­res e 40% ti­nham re­a­li­za­do um tes­te de VIH pre­vi­a­men­te.

A um to­tal de 311 do­en­tes (61%) foi ofe­re­ci­da a pos­si­bi­li­da­de de re­a­li­zar con­ta­gem de célu­las CD4; aos res­tan­tes 197 in­divídu­os (39%) não. To­dos os do­en­tes fo­ram re­fe­ren­ci­a­dos pa­ra a con­sul­ta de VIH no pra­zo de oi­to se­ma­nas.

Os in­ves­ti­ga­do­res con­tac­ta­ram os do­en­tes te­le­fo­ni­ca­men­te pa­ra ve­ri­fi­car se ti­nham com­pa­re­ci­do à con­sul­ta. Apro­xi­ma­da­men­te, 62% dos par­ti­ci­pan­tes fo­ram con­tac­ta­dos com su­ces­so.

No con­jun­to, 59% dos do­en­tes que ti­nham re­a­li­za­do tes­te rápi­do de con­ta­gem de célu­las CD4 com­pa­re­ceu à con­sul­ta, em com­pa­ração com 47% dos que não ti­nham ti­do a pos­si­bi­li­da­de de re­a­li­zar uma con­ta­gem rápi­da de célu­las CD4.

Após o con­tro­le de fa­to­res co­mo a ida­de, géne­ro e história prévia de ras­treio de VIH, os in­ves­ti­ga­do­res con­cluíram que a re­a­li­zação de tes­tes rápi­dos de con­ta­gem de célu­las CD4 es­ta­va as­so­ci­a­da a um au­men­to sig­ni­fi­ca­ti­vo de pro­ba­bi­li­da­de de com­pa­re­cer à pri­mei­ra con­sul­ta es­pe­ci­a­li­za­da em in­feção pe­lo VIH (RR = 1.23; 95% CI, 1.00-1.57).

Análi­ses pos­te­ri­o­res con­fir­ma­ram a as­so­ciação en­tre o tes­te rápi­do e a re­fe­ren­ciação com su­ces­so. Is­to re­fe­re-se aos 263 do­en­tes que acei­ta­ram a re­a­li­zação de tes­te rápi­do e re­ce­be­ram os re­sul­ta­dos da con­ta­gem de célu­las CD4. Es­ta análi­se mos­trou que a re­a­li­zação de tes­tes rápi­dos de con­ta­gem de célu­las CD4 au­men­tou a pos­si­bi­li­da­de de com­parência à con­sul­ta em cer­ca de 1/3 (RR = 1.31; 95% CI, 1.04-1.64).

Os in­ves­ti­ga­do­res acre­di­tam que o au­men­to na re­fe­ren­ciação pa­ra os cui­da­dos com o tes­te rápi­do de me­dição de célu­las CD4 “é su­fi­ci­en­te pa­ra me­re­cer con­si­de­ração a adoção des­ta in­ter­venção em lar­ga es­ca­la”.

As pes­so­as que re­ce­be­ram os re­sul­ta­dos do tes­te rápi­do ti­nham em média 414 célu­las CD4/mm3. Cer­ca de 17% dos do­en­tes ti­nham uma con­ta­gem de célu­las CD4 abai­xo de 200/mm3 (o li­mi­ar pa­ra ini­ci­ar te­rapêuti­ca an­tir­re­tro­vi­ral) e 44% ti­nham uma con­ta­gem in­fe­ri­or a 350 célu­las CD4/mm3, o no­vo li­mi­ar pa­ra início de tra­ta­men­to. As­sim, 56% não se­ri­am elegíveis pa­ra ini­ci­ar tra­ta­men­to e co­mo tal era provável que não com­pa­re­ces­sem na con­sul­ta em com­pa­ração com os do­en­tes com con­ta­gens de célu­las CD4 abai­xo de 200/mm3 (RR = 0.74; 95% CI, 0.55-0.97).

“Os re­sul­ta­dos… são mui­to en­co­ra­ja­do­res, su­ge­rin­do a in­te­gração do tes­te rápi­do de célu­las CD4 nos tes­tes de ro­ti­na ofe­re­ci­dos nos ser­viços móveis po­de au­men­tar os do­en­tes em se­gui­men­to nos cui­da­dos es­pe­ci­a­li­za­dos em in­feção pe­lo VIH,” co­men­tam os in­ves­ti­ga­do­res. Con­tu­do, no­tam que o seu es­tu­do não res­pon­deu a al­gu­mas questões. Es­tas in­clu­em as razões pa­ra acei­tar ou pa­ra re­jei­tar o tes­te rápi­do e o cus­to eficácia do ser­viço. “ O pa­pel que os tes­tes rápi­dos de con­ta­gem de célu­las CD4 e de ou­tros tes­tes rápi­dos que vi­e­rem a tor­nar-se acessíveis con­ti­nua a ser um im­por­tan­te tópi­co de in­ves­ti­gação.”

Mi­cha­el Car­ter

Re­ferência

Lar­son B et al. Ra­pid point-of-ca­re CD4 tes­ting in mo­bi­le HIV tes­ting si­tes to in­cre­a­se lin­ka­ge to ca­re: an eva­lu­a­ti­on of a pi­lot pro­gram in South Afri­ca. J Ac­quir Im­mu­ne De­fic Syn­dr, on­li­ne edi­ti­on. DOI: 10. 1097/QAI.0bo13e31825e­ec60, 2012.


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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