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AIDS: A luta contra o preconceito621 visualizações desde a publicação original em 01/12/2009. Tempo estimado de leitura acumulado: 20 horas, 42 minutos.

by Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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Portadores do HIV em Joinville falam sobre como lidam com a doença e com a rejeição, mal que campanha quer combater

Stereotype word cloud shape

Ele sorri com os olhos e com os lábios, sem vergonha de mostrar todos os dentes, em gargalhadas que rompem as paredes. É assim diariamente: feliz e falante, com quem quer que seja. Venceu o preconceito contra si e não teme olhares indiscretos ou receosos. O homem de 45 anos é homossexual e há 16 anos convive com o HIV.

 

Ele sabe que o preconceito existe e conviveu com ele dentro da própria casa, quando contou à família que era portador do vírus. No início, não compartilhava copos, pratos e talheres. O irmão rejeitava o cigarro que antes passava de uma boca a outra sem restrições. Em vez de se abater, ele decidiu combater. Desde então, não esconde de ninguém que pode vir a desenvolver uma das doenças mais temidas. “Preconceito é o que mais tem, mas não posso ter vergonha de nada. Não tenho medo porque sei que temos um homem acima de todos nós.”

 

Como não manifestou os sintomas da Aids, leva uma vida normal, sem necessitar do coquetel de medicamentos indicado para o tratamento. A cada três meses, faz exames para controlar o comportamento do HIV. “Não penso nisso quando acordo nem quando durmo. Vivo como se não tivesse nada, porque é de dentro da gente que o preconceito nasce.”

 

A forma tranquila e serena de levar a vida faz dele um frequentador assíduo das atividades promovidas pela equipe multidisciplinar da Secretaria da Saúde de Joinville. O homem participa dos encontros com a psicóloga, das aulas de arteterapia e das reuniões com grupos maiores. Também não falta a uma consulta médica, desde o início do acompanhamento, em 1993.

 

Apesar de saber que a desinformação sobre a Aids se manifesta diariamente, ele decidiu não ter vergonha. Quando lhe questionam, fala abertamente, sem medo e sem valorizar os tabus. Tudo isso tem dado certo: poucos desconhecem sua condição e a casa continua cheia de amigos. “Só no primeiro dia fiquei desesperado e chorei. Depois, esqueci e continuo aqui, bem e pronto para o que vier.”

 

amanda.miranda@an.com.br

AMANDA MIRANDA JOINVILLE

A Notícia – SC 

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

 

 

01/DEZEMBRO/09

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