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10/FEVEREIRO/08 |
Centros de referência ligados a universidades fazem diagnóstico de doenças graves comparável a países desenvolvidos
Soraya Aggege
SÃO PAULO. Ao mesmo tempo em que as doenças da pobreza matam 226 brasileiros por dia, 134 antes de receber assistência, a medicina brasileira oferece diagnóstico e tratamento semelhantes aos de países desenvolvidos para várias doenças graves.
Além da rede particular, muitas novidades são oferecidas em centros de referência, geralmente ligados a universidades.
Com novos medicamentos e mais tecnologia, especialidades têm conseguido melhorar a condição de vida de quem tem doenças incuráveis, como o mal de Alzheimer, simplificar a vida de crônicos, como os diabéticos, e oferecer novas perspectivas para o câncer e a AIDS. É possível, por exemplo, ficar sem seqüelas mesmo depois de sofrer um acidente vascular cerebral, ou reduzir os riscos de hipertensão com novos medicamentos que cortam o colesterol, ou tomar remédios radioativos contra alguns tipos de câncer.
- Várias novas terapias e tecnologias estão acessíveis à rede pública, principalmente nos centros de referência. Infelizmente, muitos precisam atravessar o país para ter acesso, mas de modo geral a medicina brasileira se compara à dos países desenvolvidos – diz o professor do Departamento de Clínica Médica da USP em Ribeirão Preto José Ernesto dos Santos.
Na área da neurologia são várias novas terapias e exames preventivos, segundo a neurologista da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Elizabeth Quagliato. Nos casos de AVC, ou derrame, que mata mais de 90 mil pessoas por ano, por exemplo, é possível que o doente fique sem seqüelas, caso receba aplicação de substâncias que dissolvem o coágulo e restauram a circulação da artéria obstruída. A aplicação tem de ser feita de três a cinco horas após a obstrução.
No tratamento da doença de Alzheimer, que atinge quatro em cada cem maiores de 65 anos ainda não tem cura, são usadas substâncias que impedem que acetilcolina (o neurotransmissor da memória) seja degradada.
Está previsto para este ano no mercado um medicamento com essa finalidade, na forma de adesivo, o que facilitará a administração do medicamento.
- Na doença de Parkinson também há pesquisas sobre novos medicamentos que talvez possam retardar a evolução da doença ou diminuir as falhas ou efeitos colaterais de medicações já usadas – disse Elizabeth.
Nova tomografia beneficiará prevenção de câncer
Para a esclerose múltipla, que atinge entre 25 mil e 30 mil brasileiros, deve chegar ao mercado entre um e dois anos uma medicação que poderá ser ingerida, dispensando as injetáveis.
Trata-se de um neutralizador de anticorpos, o Natalizumab, que poderá ser indicado nos casos que não respondam aos tratamentos convencionais.
Já para a prevenção, a novidade é a tomografia por emissão de pósitrons, o PET, exame radiológico que permite avaliar a funcionalidade de certas estruturas cerebrais. No caso de câncer de pulmão, por exemplo, o resultado influencia a conduta em cerca de 40% a 60% dos casos.
Nos casos de câncer de mama, linfoma e tumor colorretal, o resultado do PET pode alterar a conduta em até 30% a 40% dos casos, avalia a pesquisadora.
Com relação ao tratamento em oncologia, também têm surgido muitas inovações na área de medicina nuclear, como os remédios radioativos, chamados radiofármacos, que podem ser empregados em tipos específicos de tumores. Esses novos tratamentos podem ser adotados quando tais tumores não respondem aos tratamentos com rádio ou quimioterapia.
A hipertensão, outra doença que assola cerca de 20% da população adulta (30 milhões de brasileiros), também está na mira dos pesquisadores. Há 20 anos não havia chegado ao mercado brasileiro nenhuma nova classe de medicamentos anti-hipertensivos.
Considerada a medicação da vez, o Alisquireno deve chegar ao Brasil em larga escala neste ano.
- Precisamos começar a usá-lo em larga escala – diz o cardiologista Fernando Nobre, da USP em Ribeirão Preto. Várias pesquisas de vacinas para doenças graves, como a AIDS, o câncer e a febre reumática, estão sendo feitas no país. A um custo médio de US$ 25 milhões e prazos de 20 anos do início à conclusão, muitas delas guardam perspectivas revolucionárias para a próxima década.
Incor da USP pesquisa vacina inédita contra HIV
Um caminho que poderá levar à descoberta de uma vacina contra o HIV está sendo percorrido há sete anos por 15 pesquisadores do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da USP. O coordenador da pesquisa, Edécio Cunha Neto, espera iniciar os testes com macacos em 2009. Entre 2010 e 2011, Cunha Neto espera testar a vacina em humanos saudáveis.
- Fizemos um desenho diferente das outras pesquisas desenvolvidas em todo o mundo – afirma.
Segundo Cunha Neto, em 2001 a pesquisa partiu de vários fragmentos do vírus da AIDS reconhecidos pelo sistema de defesa de pacientes infectados.
O método foi patenteado no Brasil e os testes da vacina em camundongos já tiveram resultados positivos. A idéia é imunizar pessoas contra o vírus. A expectativa dos pesquisadores é de que até 2015 a eficácia da vacina possa ser comprovada e o medicamento comece a ser oferecido à população.
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