CORREIO DE UBERLÂNDIA |
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27/NOVEMBRO/09 |
Foram registrados 173 novos casos em 2009; em 2008 foram 123
Marcelo Calfat
O número de novos casos de Aids aumentou 40% em Uberlândia de 2008 para 2009, com maior concentração na faixa etária dos 30 aos 39 anos. Os dados revelam uma reversão na situação de queda registrada a partir de 2005 até 2008. Os dados são do Ambulatório Herbert de Souza, que controla, desde 2005, os registros da doença na cidade. Em geral, são 10 mulheres para cada 6 homens doentes. Na próxima terça-feira (1º) de dezembro é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
De acordo com a assistente social Cláudia Spirandeli, coordenadora do programa municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, não quer dizer que as pessoas foram infectadas exatamente nos anos mencionados. “Pode ser que sejam pessoas que já estavam infectadas pelo vírus HIV, mas só manifestaram a doença posteriormente”, disse.
Segundo a coordenadora Cláudia Spirandeli, existem 2.064 casos de aids em Uberlândia, mas o número pode chegar a até 10 mil infectados pelo HIV. “A diferença é que a pessoa pode estar infectada com o vírus, mas não manifestar a doença. Dessa forma, não é considerada com aids”, disse. O tempo entre a contaminação e a manifestação pode levar até oito anos.
Para Edval Dias Cantuário, diretor-presidente da Rede Nacional de Pessoas Vivendo e Convivendo com Aids e HIV Núcleo Uberlândia, o preconceito é algo que aumentou. “O índice é alto. Tem cenas e casos que presenciamos que, em pleno século 21, não dá para acreditar que acontecem”, afirmou.
Uberlandense tem HIV há 22 anos
Desde 1987, o aposentado Edvaldo Fratis constatou que estava contaminado pelo vírus HIV, mas nunca manifestou a doença. Ele, que experimentou cigarros e bebidas aos 7 anos, chegou a pesar 39 kg e ter doenças como tuberculose e cirrose, quando foi internado para se tratar da dependência química. Hoje a realidade é outra e Fratis disse que tem uma vida completamente normal. Com 80 kg e corpo saudável, ele caminha 4 quilômetros todos os dias e trabalha como coordenador-executivo de um centro de reabilitação de dependentes químicos. “A minha missão é ajudar pessoas que estão com dificuldades. Hoje sou a pessoa mais feliz do mundo”, afirmou.
Instituição cuida de soropositivos
Há 20 anos a Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista (Fale) é especializada no atendimento gratuito de pessoas com HIV. São 65 pessoas, entre homens e mulheres, a maior parte vinda de outras cidades, que moram no local e passam a conviver e ajudar outros soropositivos. Segundo o vice-presidente Jorge Cesário Crosara Saad, a instituição é a mais antiga da cidade e tem por objetivo dar uma vida mais digna aos doentes. Para se manter, conta com doações. “Às vezes fica apertado e a gente tem que correr atrás. É uma luta todo mês”, afirmou.
Aids em Uberlândia
Faixa etária
2005
2006
2007
2008
2009
Total
1 ano
2
1
1
0
1
5
1 a 4 anos
2
0
1
2
0
5
5 a 9 anos
3
2
1
0
0
6
10 a 14 anos
1
1
0
0
1
3
15 a 19 anos
8
4
5
3
5
25
20 a 29 anos
68
56
29
33
36
222
30 a 39 anos
101
71
52
36
70
330
40 a 49 anos
66
47
26
36
32
207
50 a 59 anos
18
18
15
11
18
80
60 a 69 anos
6
6
4
1
9
26
70 a 79 anos
2
1
1
1
1
6
Total
277
207
135
123
173
915
Fonte: Ambulatório Herbert de Souza
Doença avança pelo interior
O número de casos de Aids em pequenos municípios do país dobrou entre 1997 e 2007. Boletim Epidemiológico de DST–Aids divulgado pelo governo mostra que, em cidades com menos de 50 mil habitantes, a taxa de incidência (número de casos por 100 mil habitantes) da doença passou de 4,4 casos para 8,2 no período. Tendência inversa é registrada nos grandes centros urbanos. Em cidades com mais de 500 mil habitantes, a taxa de incidência da doença caiu 15% entre 1997 e 2007: de 32,3 para 27,4 registros por 100 mil habitantes.
Nas regiões Norte e Nordeste, no entanto, esse comportamento não se repete. Ali, a doença aumenta tanto em pequenas quanto em grandes cidades. O fenômeno registrado nessas duas regiões não surpreende. O boletim revela que o Brasil vive hoje várias epidemias de aids, com tendências e características diferentes.
Quando se analisa números gerais, vê-se que a doença está estabilizada no país: com cerca de 35 mil casos por ano – o que é considerado um patamar alto. Mas ao olhar para os dados apresentados pelas regiões, a situação muda. A incidência na região Norte saltou de 6,8 em 2000 para 15,4 em 2007. No Nordeste, o aumento também foi expressivo – de 6,9 para 11.
Além de Norte e Nordeste, a doença aumenta de forma significativa no Sul: de 2005 para 2007, as taxas de incidência passaram de 27 para 29,3 – índice empurrado pelo Rio Grande do Sul. Em apenas dois anos (entre 2005 e 2007), saltou de 32,2 por 100 mil habitantes para 43,8 por 100 mil. Porto Alegre apresentou a taxa mais alta entre as capitais em 2007: 111,5. Praticamente, o dobro que a segunda colocada, Florianópolis, com 57,4.
A diretora do Departamento de DST–Aids e Hepatites Virais, Mariangela Simão, afirma que a principal causa de expansão da doença no Sul é transmissão heterossexual. “Ali é preciso realizar ações contínuas de prevenção. Algo que precisa ser melhorado”, afirmou. Nas regiões Sudeste e Centro-oeste, os índices caíram. E é justamente o peso dos números do Sudeste – onde há a maior concentração de casos – que faz as taxas brasileiras permanecerem estáveis.
A diversidade relatada pelo boletim traz uma preocupação a mais. “Os números mostram que é preciso ações específicas em cada localidade, abordagens diferentes para que resultados de prevenção da doença sejam bem-sucedidos”, disse. Um dos pontos que mais merece atenção, na avaliação de Mariangela, é o aumento de casos no Norte. “Por questões geográficas, o acesso é mais difícil. Além disso, a região apresenta fragilidades na estrutura de tratamento e assistência.”
Saiba mais
Ambulatório Herbert de Souza DST/Aids
Telefone: (34) 3215-2444
Endereço: rua Avelino Jorge do Nascimento, 15, bairro Roosevelt
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