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04/MARÇO/08 |
Celsentri, novo medicamento contra a AIDS chega ao Brasil. Programa Nacional de DST/AIDS reitera ‘conflito de interesses’ que pode atrapalhar a disponibilização do remédio no SUS
3/3/2008 – 17h30
O Celsentri (maraviroque), anti-retroviral que inaugura uma nova classe de medicamentos chamada antagonistas do co-receptor CCR5, já está disponível no mercado brasileiro. O medicamento é indicado exclusivamente para pacientes infectados por HIV com afinidade pelo co-receptor CCR5 e, para que isso seja constatado, é necessário que o paciente se submeta à realização de um exame que se chama Teste de Tropismo. Esse teste determina por qual das portas (CCR5 ou CXCR4) o vírus entra nas células. Em outubro de 2007, em entrevista concedida à Agência de Notícias da Aids (leia), a diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, declarou que a entrada do Celsentri no país não foi analisada pelo consenso terapêutico daquele ano por causa de uma pendência referente a esse teste, que só pode ser realizado em um laboratório dos Estados Unidos. “Só tem um laboratório no mundo que faz isso e foi contratado pelo laboratório produtor do maraviroque para validar o seu estudo. Então, entendemos que até este momento, se não houver alguma alternativa que não seja indicar clinicamente o medicamento por meio de um laboratório que tem relações comerciais com a empresa fabricante, temos uma situação complexa a ser resolvida, há um potencial conflito de interesses,” disse Mariângela. O assunto voltou à mídia em reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, em janeiro de 2008 (saiba mais). Em release da sobre o lançamento do Celsentri divulgado esta semana, o diretor da Unidade de Negócios Institucional da Pfizer, Glauco Marcondes, informa que a farmacêutica arcará com os custos do teste. Contatado pela Agência Aids, o Programa Nacional reiterou a sua posição em relação ao “conflito de interesses” citado por Mariângela Simão. Apesar da Pfizer arcar com os custos do teste, para a direção do programa, não é correto que a indicação do uso do remédio seja feita apenas por uma empresa – ainda mais uma que tem relações com quem vende o produto. Sempre haveria suspeita sobre a real necessidade de um paciente utilizar a droga.
Marcondes também explicou que a recomendação da Pfizer pelo teste produzido pela Monogram Biosciences “é uma questão científica, técnica. É o teste com maior sensibilidade, é o melhor teste e é o que foi usado nos exames clínicos.” Em relação às dificuldades de logística, uma vez que o material coletado para o teste precisa ser enviado para os Estados Unidos, o executivo justificou que “é uma metodologia mais complexa” e que “a questão foi resolvida. Os resultados estarão disponíveis em um prazo de 21 a 30 dias após o envio do material coletado”.
“Celsentri usa uma nova abordagem na luta contra o HIV. Trata-se do primeiro anti-retroviral oral que atua fora da célula”, afirma João Fittipaldi, diretor médico da Pfizer. Enquanto a maioria dos medicamentos ataca o HIV dentro das células de defesa, os linfócitos CD4, Celsentri impede a entrada do vírus nas células. Assim, o HIV não infecta os linfócitos CD4 e não consegue se multiplicar. O resultado é a redução na carga viral (contagem de vírus no sangue) e o aumento do número de linfócitos CD4.
“No Brasil, milhares de pacientes em tratamento para o HIV têm resistência a um ou mais medicamentos do coquetel anti-Aids. Desse grupo, aproximadamente 40% a 60% são portadores do HIV que usa o co-receptor CCR5 como porta de entrada nas células. São esses pacientes que poderão se beneficiar do tratamento com Celsentri”, diz o release da Pfizer.
Estudos
Os estudos clínicos com Celsentri começaram em 2002. Até hoje, cerca de 2,5 mil pacientes receberam ou estão recebendo tratamento com o medicamento por meio dessas pesquisas clínicas, inclusive no Brasil. Esses estudos acompanharam os pacientes por um período de 48 semanas e envolveram adultos portadores de HIV com afinidade pelo co-receptor CCR5. Os resultados apontam que aproximadamente três vezes mais pacientes que usaram Celsentri associado ao coquetel de medicamentos anti-retrovirais tiveram redução da carga viral quando comparados aos que usaram o tratamento tradicional. Da mesma forma, o aumento da contagem de linfócitos CD4 foi o dobro no grupo que recebeu Celsentri quando comparado ao tratamento convencional.
Redação Agência de Notícias da Aids
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