Claudio, boa noite!
Consegui parar agora e assisti à sua entrevista no linkados, muito esclarecedora.
Hoje foi mais um dia difícil, mas ao final dele, mesmo que ainda no calor da coisa, no meio do furacão, como dizem, consegui me acalmar e chegar à conclusão que eu não tinha “problemas” de fato. Hoje após o exame, que terá resultado somente no dia 16, fui ao meu terapeuta, única pessoa além de você, a saber.
Frequento, há algum tempo, e hoje pude perceber que os ditos problemas que tinha, hoje, desapareceram. Engraçado como a vida nos ensina! Continuo atordoada, mas conformada num certo ponto.
Todo mundo tem uma história, e a minha estava com algumas páginas em branco há algum tempo, estava à procura de motivação para viver, passei esse final de ano com meu filho num quarto de hotel, por opção, em uma cidadezinha do interior, bons momentos de reflexão e tranquilidade merecidos, visto que minha vida atualmente é somente trabalhar, sem lazer, sem descansos…
Foram dias deliciosos que me fizeram repensar muitas coisas, e uma delas foi a busca do meu amor-próprio, minha autoestima. Minha história com relacionamentos não é nenhum conto de fadas, na verdade, soa mais como drama, e no casamento, de terror. Após o divórcio, fiquei cerca de 4 anos sem me envolver, afetiva nem sexualmente com ninguém.
O trauma foi tão grande que me fechei durante estes anos, não me sentia mais mulher, apenas mãe, visto que a responsabilidade total de cuidar em todos os aspectos do meu filho era minha, não havia “tempo” para mim. E o medo de outro relacionamento frustrado me embrulhava o estômago. Somente nos últimos 2 anos que me libertei, a duras penas, desse bloqueio.
Tive mais algumas decepções, normal.
Vivendo apenas de trabalhar e cuidando do filho, passei a viver perigosamente buscando relações casuais. Sendo que em algumas delas sem proteção, parecia que estava dando um “f0d4-se” para a vida, sem pensar nas consequências, apenas pensando nos raros momentos de prazer e migalhas de afetos que me proporcionaram.
E o resultado veio… não os culpo, nem a mim…
É duro não saber em qual situação pode ter ocorrido, mas isso hoje não mudará nada, pode até ter ocorrido numa tatuagem e talvez há anos, com meu próprio ex-esposo… Enfim, o que me dói é saber que o que buscava, talvez hoje seja muito mais difícil de se encontrar.
Na sua entrevista você relata situações em que não omitiu a doença, alguns aceitam, outros te rejeitam. E essa rejeição é que me faz pensar que estarei novamente me fechando, diante desta minha carência, não suportaria, mas vou trabalhar nisso… vamos dar tempo ao tempo.
Nada é por um simples acaso, estava negligente com minha saúde, voltei a fumar, me alimento mal, sou sedentária… Agora se quiser viver mais para continuar acompanhando a trajetória do meu filho, terei que me cuidar.
Meu filho hoje tem 8 anos, a minha vida é cuidar do bem-estar dele, visto que o pai, ausente, reside em outra cidade e só contribuí com uma mínima pensão estipulada e nenhum centavo a mais.
Trabalho feito louca para mantê-lo em colégio particular, é Federado no judô e não lhe falta nada… no aspecto de subsistência não mesmo, mas a mãe dele não está dando o que realmente precisa, e hoje reconheço!
Hoje a palavra-chave na sessão foi “recomeço”, quem sabe essa não é a hora para arrumar uma real “motivação” para viver?
Olhar as coisas de outro ângulo, parar de reclamar, ser mais grata e importar com o que realmente vale a pena.
A única certeza é que a morte um dia vai chegar para todos, mas vivemos sem pensar muito nisso, a diferença é que um soropositivo, creio, que acorde “todos os dias” gratos por poder viver mais aquele dia.
O médico que me atendeu na quarta-feira me aconselhou não contar à ninguém, exceto caso eu queira, pois o que menos preciso agora é de julgamentos, e infelizmente, é uma doença diferente da diabetes, que te obriga a tomar medicação a vida toda também, mas o HIV sempre será visto por algumas pessoas como “merecimento”, errou, e por isso foi punido.
O “pré-conceito” vem de todos os lados, família, amigos, parceiros, sociedade…
É preciso ter equilíbrio para manter sanidade e a serenidade, para saber lidar com tudo isso, e é por isso, no momento, não quero falar, minhas contas continuarão sendo pagas por mim, meu filho continuará sendo minha responsabilidade, então, não preciso, neste momento, de cargas emocionais que não irão me acrescentar em nada.
Posso viver 30, 20, 5 anos… a diferença agora é que tenho o dever de viver bem e fazer valer a pena o que não vivi nos últimos 41 anos… faço 42 no próximo mês, independente do resultado da confirmação do exame, vou considerar como um novo nascimento, nova contagem, um recomeço.
A lição está sendo dada!
Não sei o que vou enfrentar, sei que um dia vou precisar de ajuda, hoje sou “sozinha”, me dobro nos 30, mas terei que engolir meu “orgulho”, mas até lá, vida que segue.
Me empolguei no “textão”, espero que não tenha lhe causado cansaço rs.
Imagino quantas pessoas te abordam, seu trabalho é muito importante, relata tudo com clareza.
Parabéns pelo excelente trabalho.
Quando me mandou a mensagem pela manhã, estava dirigindo com meu filho no banco de trás, estava amargurada indo ao laboratório, vi a notificação subindo com você mencionando a frase do seu blog Há vida com HIV…
Foi inevitável não cair as lágrimas que estavam presas, mas junto veio um sorriso e um momento de alívio.
Que Deus continue lhe proporcionando longa vida para ajudar àqueles, que como eu, terão que enfrentar um caminho difícil, mas não impossível.
Bom descanso e mais uma vez, grata pela atenção
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