Dolly Soares acusa antiga gestão do fórum de Goiás de ter tentado ‘atrapalhar e impedir a realização

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Polêmica: ativista Dolly Soares acusa antiga gestão do fórum de Goiás de ter tentado ‘atrapalhar e impedir a realização do xiv enong’. Ex-presidente da entidade, Léo Mendes, contesta as acusações

 
 
6/11/2007 – 16h20

Em documento assinado por sua presidenta, Maria das Dôres Dolly Soares, e enviado a várias lideranças do movimento de Aids do Brasil na manhã desta terça-feira, 6, o Fórum de ONG/Aids do Estado de Goiás acusa a antiga gestão da organização de tentar “atrapalhar e impedir a realização do XIV ENONG.” A ativista conta que “teve como primeiro obstáculo o fato da antiga gestão sumir com todos os documentos do Fórum” e que “de fato, somente foi lavrado o termo de posse em abril, mas nem de longe no processo de eleição se sabia da responsabilidade de realizar um ENONG." O ex-presidente do Fórum, Léo Mendes, disse que Dolly esqueceu de colocar na carta que ela era vice-presidente na antiga diretoria e que “toda a responsabilidade pela administração também era dela”.

A atual presidenta argumenta que a antiga gestão, que “até hoje não teve suas contas aprovadas, repassou para atual gestão uma situação fiscal que impedia até o recebimento dos recursos do Programa Nacional de Aids, o que dirá possibilitar a realização de novos convênios essenciais à complementação da verba mínima necessária a tão dispendiosa tarefa.” Ela declarou que “ao levantar a situação do Fórum nos órgãos competentes descobriu-se a 02 de março de 2007, nas vésperas da reunião do Banco Mundial, que o Fórum de Ongs Aids do Estado de Goiás teria como principal tarefa realizar o Encontro Nacional de Aids ENONG; que, conforme deliberação do XIII ENONG ocorrido em Curitiba, seria em Goiânia no ano de 2007. A antiga gestão começou nessa oportunidade, todo um esforço para atrapalhar e impedir a realização do XIV ENONG.”

Dolly faz acusações ainda mais sérias: “O que devemos revelar é que as pressões e discussões inócuas chegaram às raias da ameaça de morte. Ameaças de contaminação por HIV das pessoas que compunham a equipe. E até a vivência de um misterioso incêndio as vésperas do ENONG no espaço do Centro de Convenções. O que é isso? Aonde vamos parar? Todos em silencio fazendo o "nem é comigo" e nós que somos novatos nesse movimento Aids sofrendo esse tipo de agressão? Como é que pessoas que agem com esse expediente se dizem representantes da sociedade civil? Que sociedade é essa que essas pessoas representam?”, questionou.

Léo Mendes contou que quando deixou a presidência do Fórum deixou um projeto pré-aprovado para o ENONG no valor de R$ 140 mil, um outro projeto de assistência jurídica no valor de R$ 15 mil e vários apoios ao evento prometidos pelo GT UnAids. “Ela resolveu cancelar o ENONG unilateralmente, sem convocar uma assembléia ou convocar a diretoria. Eu fui chamado pelos membros da diretoria do Fórum para re-organizar o evento em três dias, período em que ela, que assinava os cheques, e a Letícia Marques, da comissão executiva, tentaram nos boicotar de todas as maneiras. Seria importante ouvir o conselho fiscal do Fórum sobre o gasto de R$ 100 mil do projeto do XIV ENONG, com contrato assinado pelo Programa Nacional e cheques assinados pela Dolly”, rebateu Mendes. Ele esclareceu que não faz parte nem da diretoria do Fórum e nem de nenhuma ONG/Aids. “Eu, como todos os membros do conselho político do ENONG, não tive nenhum acesso ao projeto enviado. Está faltando transparência política da Dolly e da Letícia Marques, que faz parte da comissão executiva. A Letícia viajou para todos os ERONG financiada pelo Ministério da Saúde. Elas usaram essa mesma estratégia na Parada Gay de Goiânia e no ERONG Centro-Oeste, em Campo Grande. Pediram o cancelamento dos eventos três dias antes deles começarem”, ressaltou.

Mendes informou que o Programa Nacional esteve em Goiânia e está fazendo uma auditoria dos projetos que Dolly Soares assinou, bem como das outras verbas adquiridas. “Eu lamento que ela tente me envolver nesse mar de lama. Ela tenta se passar por vítima, mas é a única responsável. Se alguém a ameaçou de alguma maneira, ela deve ir à polícia com as provas do que falou e não usar essa prática leviana de espalhar boatos pela internet”, concluiu.

Leia abaixo o documento do Fórum de ONG/Aids de Goiás na íntegra.

A quem interessa o caos?

Para se contar uma história é preciso ter a mente fresca, pois somente assim podemos dar ao texto o conteúdo descritivo. Gostaríamos de falar do XIV ENONG, chamando todos para uma reflexão madura e digna de uma história de tantas conquistas. Juntos, quem sabe, chegaremos a respostas para questões muito importantes tais como: como é que um evento tão bonito e significativo se transformou num caos? Ou mesmo a quem interessa o caos? A situação em que Maria das Dôres Dolly Soares assumiu o Fórum de ONGs Aids do Estado de Goiás, deve ser nesse momento relatada para que todos tenham elementos de compreensão dos entraves intermináveis para a execução do XIV ENONG.

Eleita em janeiro de 2007, teve como primeiro obstáculo o fato da antiga gestão sumir com todos os documentos do Fórum. Para que tivesse acesso ao estatuto da instituição a Sra. Maria das Dôres Dolly Soares teve que custear busca no cartório de registro de títulos e documentos. De fato, somente foi lavrado o termo de posse em abril, mas nem de longe no processo de eleição se sabia da responsabilidade de realizar um ENONG. A antiga gestão, até hoje não teve suas contas aprovadas, repassou para atual gestão uma situação fiscal que impedia até o recebimento dos recursos do Programa Nacional de Aids, o que dirá possibilitar a realização de novos convênios essenciais à complementação da verba mínima necessária a tão dispendiosa tarefa.

A Sra. Maria das Dores Dolly Soares não foi informada de projetos em andamento ou de quaisquer coisas relativa ao Fórum. Ao levantar a situação do Fórum nos órgãos competentes descobriu-se a 02 de março de 2007, nas vésperas da reunião do Banco Mundial, que o Fórum de Ongs Aids do Estado de Goiás teria como principal tarefa realizar o Encontro Nacional de Aids ENONG; que, conforme deliberação do XIII ENONG ocorrido em Curitiba, seria em
Go
iânia no ano de 2007.

A antiga gestão começou nessa oportunidade, todo um esforço para atrapalhar e impedir a realização do XIV ENONG. Ficam algumas perguntas que não podem calar: Com qual intenção, se foram esses ativistas que lutaram para que o ENONG viesse para Goiânia? Qual o objetivo de boicotar de todas as formas um espaço que deveria ser a casa do movimento social?

Coube ao inicio dos trabalhos de Maria das Dores Dolly Soares a regularização de:

► CRF – CERTIFICADO DE REGULARIDADE DO FGTS (CERTIDAO DO FGTS) O FORUM não estava inscrito no FGTS. Foi necessário fazer as informações de GEFIP dos meses de 03/2002, 12/2002, 01/2003, 12/2003, 01/2004, 12/2004, 01/2005, 12/2005, 01/2006, 12/2006, 01/2007 e 06/2007.

► CND – CERTIDÃO NEGATIVA DE DEBITOS JUNTO AO INSS – O FORUM também não estava inscrito, mas a PRESIDENTE se encaminhou até o órgão e fez esse cadastro, tivemos que informar GEFIP SEM MOVIMENTO de 03/2002, e RAIS NEGATIVAS DOS ANOS DE 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006.

► CND – CERTIDÃO NEGATIVA DÉBITOS CONJUNTA RECEITA FEDERAL E PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL – Não havia sido entregue nenhuma DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDAS, foram feitas as declarações inativas do período de 2003/2002, 2004/2003, 2005/2004, 2006/2005 e sem movimento do ano de 2007/2006.

► CND – CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS MUNICIPAIS, Emitida pela Secretaria de Finanças de Goiânia. Obs. Não há inscrição municipal para o FÓRUM DE ONGS AIDS DO ESTADO DE GOIAS.

E hoje, além de ter toda a sua documentação em dia, o Fórum de ONGS Aids do Estado de Goiás tem uma sede, casa de todas as ONGs e seu site, http://www.forumAidsgoias.org.br, veículo de divulgação dos trabalhos e espaço de comunicação direta com este Fórum. Num esforço de Hércules foi montada uma força tarefa de pessoas, que até então nem compunham esse movimento. Pessoas, que nunca estiveram nas trincheiras do movimento social. Cheias de vontade de fazer-se cumprir uma missão, que pra nós simbolizava uma honra. Mas as ONGs lideradas pela antiga gestão não se aproximaram. Ficaram de longe assistindo a elaboração de um projeto que significava um plano para dar ao discurso do movimento social um espaço democrático e construtivo.

Essa Comissão Executiva, como assim foi batizada enviou para os poucos endereços de e-mail que dispunha, convites e formulários para que o Movimento Social dissesse de que forma vocês esperavam o ENONG. O objetivo seria uma construção democrática, que obteve respostas minguadas cheias de reclamações, com quase nenhuma sugestão. As reclamações foram recebidas como norte dos trabalhos e sem saber como ter acesso a Comissão Política, essa equipe elaborou um plano para ser discutido num espaço concedido pelo Programa Nacional de Aids, na véspera da Reunião da CAMS, no dia 10 de maio e 2007.

Surpreendentemente vimos o ardoroso trabalho da antiga gestão do Fórum de ONGs Aids do Estado de Goiás em impedir a apresentação da proposição de projeto, um empenho descabido de construir constrangimentos desnecessários e pouco producentes. Nesta oportunidade ficou claro que estávamos vivendo um impasse político grave e que precisaríamos de todos os braços do movimento Aids para colocar a casa em ordem. Buscando um mecanismo de ação diante do impasse, Maria da Dores Dolly Soares, solicita ao Programa Nacional de Aids, ajuda para realização de reuniões presenciais da Comissão Política com o intuito de promover uma construção política mínima que garantisse o ENONG. A solicitação foi atendida com a possibilidade do deslocamento de membros da Comissão Executiva as cidades sedes dos ERONGs. O que foi feito com exceção do ERONG Norte, que se realizaria logo em seguida da reunião sem tempo hábil para emissão de passagens aéreas e ERONG Centro – Oeste, devido às ameaças e constrangimentos que relataremos no decorrer do texto.

Estranhamente a Comissão Executiva do XIV ENONG foi recebida nos Erongs com pouca atenção, sendo por vezes questionada de forma agressiva, por decisões que couberam a Comissão Política. A situação Política começou a ficar muito delicada quando no ERONG Sul a Comissão executiva foi questionada sobre a forma de divisão de vagas para delegados. Não tínhamos respostas, não podíamos mensurar que estávamos sendo usados numa situação política que somente o tempo poderá desvendar.

A captação de recursos também começou a ficar cada vez mais difícil quando a cada plenária de ERONG o movimento se contrapunha à relação de complementação das verbas necessárias por empresas. Não se podia captar recursos de laboratórios, Brasil Telecom, Planos de Saúde etc… Só que não foram apontados novos caminhos. Alguns militantes de Goiás empenhados em derrubar o ENONG jogavam com as lideranças políticas nacionais, colocando-os como adversários de um grupo de pessoas que somente queriam trabalhar e fazer diferença no XIV ENONG.

Será que propostas de avaliação, de mecanismos de monitoramento para trabalhos políticos, que projetos com resultados mensuráveis ameaçam tanto que merece um empenho nacional para ser derrubado? Será que esse é o momento para falarmos de um pacto de mediocridade velado que se mantém acobertando as barbaridades de algumas lideranças do movimento Aids? Até quando? Por que não se discutia a agenda política? Por que não de discutia a programação? Por que pessoas de peso do movimento como a Márcia Ribas, Fórum DF, se comprometeram pedindo, clamando, respostas para questões mínimas, que simplesmente não vieram? Por que todos se calaram? O que queriam? Implodir tudo? A quem interessa o caos?

O que devemos revelar é que as pressões e discussões inócuas chegaram às raias da ameaça de morte. Ameaças de contaminação por HIV das pessoas que compunham a equipe. E até a vivência de um misterioso incêndio as vésperas do ENONG no espaço do Centro de Convenções. O que é isso? Aonde vamos parar? Todos em silencio fazendo o "nem é comigo" e nós que somos novatos nesse movimento Aids sofrendo esse tipo de agressão? Como é que pessoas que agem com esse expediente se dizem representantes da sociedade civil? Que sociedade é essa que essas pessoas representam? Não conseguimos acreditar que todo o movimento Aids seja composto por essa lama. Quem defende as pessoas vivendo com HIV e Aids? Por que, que tanta energia é usada para esse ardil? Não seria essa mesma energia a

capaz de construir um atendimento mais digno? Por fim ao preconceito?

Com programação política atrasada vimos o esvaziamento das discussões reduzidas a um palco que o Movimento Aids não merece. A Sra. Maria das Dores Dolly Soares num ímpeto de levantar o questionamento sobre o movimento que temos e o movimento queremos, tem a coragem de cancelar o evento. Todos os fornecedores, os órgãos governamentais e movimento social foram comunicados que este não seria o momento para uma discussão política de qualidade capaz de fazer jus ao XIV ENONG e que nova data seria informada para a realização do evento. Estava tudo suspenso.

O ausente, mas indignado movimento Aids, soube se articular com uma rapidez louvável para o que seria a retomada instantânea das ausências continuadas e recorrentes. Foram montadas uma Comissão Política e Executiva com integrantes de todo o Brasil unidos pelo objetivo de garantir a realização do XIV ENONG. Nos enchemos de esperança. Munidos do ímpeto salvador, foi criado o texto de manutenção das datas do XIV ENONG, que conclamava a construção conjunta e ideária do movimento social: " Solicitamos que todos venham com o mesmo espírito solidário, colaborador e engajado que sempre foi o diferencial do movimento de luta contra a Aids, cientes de que encontrarão aqui, estrutura suficiente para a razão da existência desse movimento e a efetivação do XIV ENONG, que será o espaço político de discussão, onde o objetivo é traçar caminhos para o enfrentamento do HIV/Aids nos próximos dois anos." O referido texto foi assinado por Maria das Dores Dolly Soares, Presidente do Fórum de ONG/Aids de Goiás, Darnycley – Fórum ONG/Aids Acre, José Marcos de Oliveira – CNS – Movimento de Luta Contra a Aids, Roni Lima – Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, Elizabete Franco – GIV, Américo Nunes Neto – Fórum ONG/Aids São Paulo ; Eduardo Uchoa Letti – Fórum de ONG/Aids RS.

De fato, o chamado não se concretizou, o movimento ávido por realização não considerou as negociações realizadas pela Comissão Executiva, levando o evento para outro espaço, deixando a deriva os contratos celebrados com os fornecedores para executar os serviços previamente acertados. Mesmo assim, o Fórum de ONGS Aids do Estado de Goiás se fez presente assumindo novos compromissos financeiros impostos por essa Comissão do Movimento. O que estamos vivendo é um verdadeiro caos. Lamentável! Estamos todos perdidos, e o palco está armado para que mais uma vez o pacto da mediocridade seja celebrado. Até quando? Na real fica uma certeza que a escassez de recursos será reveladora, que a criação de uma agenda comum mensurável, clara, objetiva, virá, não sei quando ou como, mas é coisa que não podemos evitar.

O questionamento fica em torno do preço que seremos obrigados a pagar. Somente seremos um movimento social atuante quando entendermos que democraticamente correto é o poder com alternância. Que acreditar no ser humano é criar oportunidades e facilidades para a renovação constante.A quem interessa o caos?

Goiânia, 06 de novembro de 2007

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