Da AE
O Diário Oficial da União vai estampar na sua edição de terça-feira o desfecho de mais uma queda de braço entre governo e indústria farmacêutica. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publica uma autorização para que o medicamento Tenofovir, atualmente usado para AIDS, seja indicado também para portadores de HEPATITE B. A medida é resultado de uma ação inédita adotada pelo Ministério da Saúde. Diante da demora da empresa fabricante, a Gilead, em pedir a autorização para uso do remédio no tratamento da hepatite, o próprio ministério decidiu fazer a solicitação à agência.
“A hipótese mais provável é a de que havia um acordo entre empresas, dividindo o mercado brasileiro”, afirma o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sobre a resistência da fabricante. Nesse trato, a Gilead, multinacional de origem norte-americana, não entraria no mercado de tratamento de hepatites no Brasil, deixando espaço para outras fabricantes. Com a iniciativa do ministério, o possível acerto foi minado.
Além do Tenofovir, o governo tinha como escolha adotar uma outra droga, o Adefovir, produzido pela multinacional GSK. Mas há pontos desfavoráveis. “Além do problema de preço, há um risco maior de pacientes desenvolverem resistência ao medicamento”, conta a coordenadora do Programa Nacional de DST-AIDS, Mariangela Simão, que liderou a organização de um novo protocolo de tratamento para HEPATITE B. O protocolo procura trazer uma padronização da terapia.
Pelas novas diretrizes, o Tenofovir seria usado como primeira opção de tratamento para portadores de HEPATITE B. A previsão é a de que, no primeiro ano, 2,5 mil pessoas recebam indicação para o remédio.
DIÁRIO DO GRANDE ABC – SP |
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CIÊNCIA |
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27/OUTUBRO/09 |
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