Especialista afirma que tratamento contra HIV atacará refúgios do vírus

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Folha Online

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Dia / Mês/Ano:

 

 

01/DEZEMBRO/07

01/12/2007 – 08h13

 

THIAGO FARIA
da Folha Online

O tratamento para pacientes da Aids evoluiu em ritmo acelerado nos últimos anos e teve no Brasil, até 2005, seu "período de ouro". A opinião é do epidemiologista Francisco Inácio Bastos, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e uma das principais referências no país para o assunto.

De acordo com o especialista, a grande barreira no tratamento da Aids atualmente são os chamados "refúgios" do HIV (ou santuários), locais no organismo onde o vírus se esconde esperando para voltar a se manifestar.

"A terapia do futuro vai ser uma terapia que não só vai matar os vírus que estão se formando, mas que também vai funcionar como um tipo de isca, para atrair o vírus que está no refúgio para eliminá-lo", afirma Bastos.

Ele aponta que nos últimos anos o combate à doença no país foi bastante intenso, principalmente após 1996, quando foi criada a lei específica que determina a distribuição gratuita de remédios anti-HIV.

Porém, ao ser combatido, o vírus foi criando resistências aos retrovirais de primeira linha e surgiu a necessidade de utilizar novas linhas de medicamentos para tratar o paciente infectado, encarecendo o tratamento.

"Ao longo do tempo, o programa de Aids brasileiro e o programa de Aids do mundo inteiro foi se tornando mais complexo e, dependendo do balanço entre remédio genérico e remédio de marca, ele vai ficando mais caro".

De acordo com um estudo publicado por Bastos em conjunto com pesquisadores da Fiocruz e da universidade norte-americana Harvard, o gasto anual em remédios anti-retrovirais no Brasil saltou de US$ 204 milhões (R$ 360,2 milhões) em 2001, quando o governo iniciou um processo de quebra de patentes nessa área, para US$ 414 milhões (R$ 731 milhões) em 2005, uma alta de mais de 100%.

Efeitos colaterais

Com a utilização de novas classes de medicamentos, de uso mais complexos e efeitos colaterais diferentes, aos poucos o perfil do paciente de Aids foi sendo alterado.

 

Doença crônica

A evolução no tratamento e a tendência de queda apresentada desde 2002, quando foram registradas 38.816 infecções –o número caiu cerca de 16% em comparação com 2006, quando o número de infectados foi de 32.628– contribuíram para que a imagem da doença mudasse.

Para Bastos, a imagem de doença fatal já foi substituída por de uma doença crônica, como diabetes crônicas, por exemplo, em que o paciente precisa tomar remédios durante toda sua vida.

A sua preocupação, no entanto, é que a doença seja banalizada e que as pessoas deixem de se preocupar com a prevenção.

"Temos que lembrar sempre que a Aids é uma doença infecciosa, e não pode ser banalizada, com o risco de haver uma explosão de novos casos", ressalta.

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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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