Estudo mostra que investimentos em saúde no país são os mesmos de 15 anos atrás
, Agência de Notícias da Aids Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano: 17/FEVEREIRO/08 16/02/2008 – 17h Os R$ 50 bilhões investidos pelo governo brasileiro na área da saúde em 2007 e o valor...
Agência de Notícias da Aids | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
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| 17/FEVEREIRO/08 |
16/02/2008 – 17h Os R$ 50 bilhões investidos pelo governo brasileiro na área da saúde em 2007 e o valor semelhante previsto para 2008 representam o mesmo gasto por pessoa custeado pelo poder público no início da década de 90: o equivalente a US$ 280 anuais por pessoa. O valor está acima da média registrada na América Latina, mas não chega à metade da média mundial de US$ 806 per capita. Considerado o percentual dos recursos investidos em relação ao que os países arrecadam, o gasto brasileiro cai para pouco mais da metade do registrado nos vizinhos latino-americanos. Os dados fazem parte de um estudo que acaba de ser concluído pela Fundação Instituto de Administração (FIA), ligada à Universidade de São Paulo (USP), sobre investimentos em saúde em seis países da América Latina: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, México e Venezuela, considerados os mais relevantes em termos econômicos e populacionais, e com dados disponíveis para serem analisados. Para Leandro Fraga, um dos coordenadores da pequisa, realizada ao longo de mais de um ano, a estagnação nos investimentos brasileiros é preocupante, diante do processo de envelhecimento da população observado no período e previsto para as próximas décadas. O levantamento aponta que em 1990 as pessoas com mais de 60 anos de idade representavam 13,3% da população do país. Em 2020, serão cerca de 24% dos brasileiros. “Considerar que o investimento não aumentou nestes 15 anos e que neste período a população definitivamente envelheceu, sugere fortemente que a gente esteja sub-atendendo certos tipos de doenças”, avaliou Fraga, ao lembrar que o avanço na idade da população acarreta o crescimento de problemas de saúde como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, artrite e câncer, exigindo investimentos maiores. Ele destacou, no entanto, que o novo cenário exige, além da ampliação do aporte de recursos, mudanças na gestão do sistema de saúde do país que permitam melhorar a eficiência na aplicação do escasso dinheiro público. “A gente vai precisar de mais investimentos no futuro, isso é certo. Mas simplesmente colocar mais dinheiro dificilmente resolve os problemas. Na hora de aumentar o investimento é muito importante que isso seja feito de maneira criteriosa. O aporte de recursos é condição necessária, mas não suficiente, pois a nossa carência mais latente está relacionada à gestão” afirmou. Segundo Fraga, a comparação com os outros países avaliados no estudo mostrou que embora aplicando o mesmo valor per capita em saúde, o Brasil tem apresentado os piores resultados do grupo em indicadores básicos, como a mortalidade infantil e a expectativa de vida. “Se a gente investe um número semelhante à média da região e os nossos indicadores são consistentemente piores, há alguma coisa errada sobre a forma como estamos gerindo esses recursos. O resultado dessa aplicação, do ponto de vista prático para a população, está aquém do que deveria”, avaliou. De acordo com professor, os gastos em saúde vêm aumentando praticamente em todo o mundo nos últimos anos, tanto em função do envelhecimento da população, como pela incorporação de novas tecnologias. Entre os países latino-americanos pesquisados, no entanto, só o México ampliou os investimentos do início da década de 90 para cá, enquanto os outros mantiveram a mesma faixa de gastos per capita. Fraga explicou que além de aumentar em mais de US$ 100 por pessoa os recursos aplicados, o México vem incorporando no seu sistema de saúde uma filosofia de avaliação do desempenho das políticas e da qualidade da saúde pública, que representa um avanço do ponto de vista regional. No caso da Argentina, o estudo aponta queda considerável nos gastos mas, segundo Fraga, essa queda reflete a desvalorização cambial registrada no país entre 2001 e 2002, mas não redução real do ponto de vista da moeda local. Procurada diariamente durante uma semana, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde informou que não havia gestores disponíveis para comentar os problemas de gerenciamento e investimentos apontados no estudo da USP. Fonte: Agência Brasil
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