Pela primeira vez, um grupo de pesquisadores aventou uma possibilidade para o fato de algumas pessoas expostas à tuberculose não serem infectadas, ou, se atingidas, não desenvolverem a doença. A equipe do cientista Erwin Schurr, do Instituto de Pesquisa do Centro de Saúde da Universidade McGill, no Canadá, concluiu que alguns genes podem assegurar a algumas pessoas resistência à infecção pela doença. A descoberta, feita em colaboração com o doutor Alexandre Alcais, do Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica, de Paris, acaba de ser publicada no Journal of Experimental Medicine. Foram estudadas 128 famílias, originárias de uma área na África do Sul com altas taxas do mal.
Tuberculose é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium tuberculosis (MTB). Calcula-se que cerca de 20% dos atingidos, porém, são resistentes ao problema e não desenvolvem a doença. O estudo mostrou a existência de um local do cromossomo que controla essa resistência. “Em outras palavras, algumas pessoas parecem ter uma herança genética particular, que os faz naturalmente resistentes à infecção pela MTB”, explica o cientista francês Alcais. “A descoberta de um fator genético de resistência é um enorme passo adiante na luta contra a tuberculose, local e globalmente”, avalia o canadense Schurr.
A conclusão da pesquisa pode significar um desenvolvimento fundamental para pessoas com o vírus HIV, porque a tuberculose é responsável por cerca de 13% das mortes relacionadas à AIDS no mundo. “Como um acelera o progresso da outra, o HIV e a tuberculose são ‘parceiras no crime’: se nós pudermos prevenir a infecção, pacientes com deficiências imunológicas não serão mais ameaçados pela tuberculose”, explica Schurr. “Agora, nosso desafio como pesquisadores é nos concentrarmos em identificar esse fator genético e seu mecanismo de funcionamento”, conclui Alcais.
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SAÚDE |
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02/DEZEMBRO/09 |
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