22/10/2009 – 13h10
A Alta Autoridade de Saúde Pública da França (HAS) divulgou nesta quarta-feira (22) novas recomendações sobre a testagem do HIV, com o intuito de ampliar o diagnóstico precoce da Aids na população francesa. Segundo o órgão, apesar de um número considerável de testes, ainda persiste no país um atraso na realização dos exames. Estima-se que 40 mil pessoas estejam infectadas pelo vírus da Aids na França e não sabem a sorologia.
Uma das estratégias da HAS encaminhadas ao Ministério da Saúde francês é propor o teste a pessoas de 15 a 70 anos, de forma generalizada, a partir de uma maior sensibilização dos profissionais de saúde. A oferta do teste se daria em atividades rotineiras, como exames pré-operatórios e pré-natal. A outra estratégia é focar e regularizar sistematicamente a oferta dos testes em alguns grupos mais vulneráveis à infecção, como homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis.
A autoridade sanitária reforça que “o diagnóstico rápido pode permitir a instauração precoce do tratamento antirretroviral, reduzindo a morbidade e a mortalidade. Pode também favorecer o tratamento precoce das gestantes soropositivo, reduzindo os riscos de transmissão do vírus à criança ou a prevenção de doenças oportunistas.” A HAS considera que a testagem pode ser uma ferramenta de prevenção e favorecer a mudança de atitudes e comportamentos.
Cientistas e representantes de organizações da sociedade civil aprovaram a proposta. A ONG AIDES, a mais antiga do país e que dispõe de um projeto piloto de testagem voltado para a população gay, parabenizou a iniciativa, mas pediu “que a legislação evolua para favorecer outros projetos comunitários e adaptá-los às necessidades e práticas das pessoas.” A política de testagem francesa foi criada na década de 80 e tem uma legislação com poucas mudanças ao longo dos anos.
O teste do HIV no país é gratuito, mas depende de uma prescrição médica, se não for feito num dos centros de testagem anônima. Para alguns franceses, a oferta do teste com maior frequência pode fazer com que a população associe a estratégia à testagem obrigatória. A HAS reforça a necessidade de o teste ser um ato voluntário e consentido, seguido de aconselhamentos antes e após a realização do exame, respeitando a confidencialidade e a possibilidade de anonimato.
O órgão lembra que a testagem do HIV não pode ser considerada como intervenção de saúde pública isolada e que deve ser integrada à prevenção de uma forma global, incluindo outras doenças sexualmente transmissíveis e hepatites. Os resultados da aplicação das recomendações devem ser acompanhados nos próximos cinco anos, de acordo com a HAS.
De Paris, Nara Anchises
Especial para a Agência de Notícias da Aids
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