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Homossexuais dividem-se sobre o uso de droga de prevenção ao HIV

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Homossexuais dividem-se sobre o uso de droga de prevenção ao HIV

Truvada: droga é protagonista de polêmica entre homossexuais Paul Sakuma/AP

RIO – Uma droga, saudada como um salva-vidas para infectados pelo HIV em alguns grupos de risco, está no centro de um debate rancoroso entre homens gays, ativistas da Aids e profissionais de saúde. A pílula teria potencial para dispensar o uso de preservativos em relacionamentos homossexuais o que seria util na prevençcão ao HIV.

Muitos médicos e ativistas veem potencial imenso para o uso preventivo do Truvada e tentam mostrá-lo como crucial para a redução de novas infecções pelo HIV – nos EUA, ocorrem 50 mil casos por ano. A propaganda vai de fóruns na internet a festas em Nova York que contam com a adesão de drag queens.

Apesar da evidência crescente da eficácia do Truvada, há quem acredite que essa campanha é imprudente, levando os usuários de preservativos a abandonarem essa proteção e expondo-os a uma série de outras infecções sexualmente transmissíveis além do HIV e que este seria um dano colateral a tal política de prevenção ao HIV.

– Se aparecer alguma coisa melhor do que os preservativos, sou a favor, mas o Truvada não é uma opção – assegura Michael Weinstein, presidente da Aids Healthcare Foundation.

Enquanto as organizações de direitos dos homossexuais comemoram o progresso na luta para legalizar o casamento homossexual, o debate sobre a Truvada, menos divulgado, alimenta amargas divisões dentro da comunidade gay. Alguns usuários da droga admitem sentir vergonha em relação aos companheiros que não quiseram experimentá-la.

– Esta discussão é como levar um lança-chamas em um depósito de combustível – comparou Steve Ramos na edição de março da “Dallas Voice”, publicação voltada para o público gay.

O Truvada, fabricado há cerca de uma década pelo laboratório Gilead Sciences, tem sido usado, associado a outras drogas, como tratamento básico para portadores do vírus HIV. Ele tornou-se controverso em 2012, quando a FDA, a agência americana que regulamenta alimentos e medicamentos, aprovou seu uso como profilaxia pró-exposição, ou PrEP – em outros palavras, um modo de de prevenção ao HIV.

Desde então, os críticos alertam que muitos homens gays não usariam diariamente o Truvada, como seria necessário, e muitos se queixam de seu alto custo – cerca de US$ 13 mil por ano.

Segundo o laboratório Gilead, 1.774 pessoas começaram a usar a droga para prevenção entre janeiro de 2011 e março de 2013, sendo que quase metade são mulheres. Não há, segundo a empresa, estatísticas mais recentes, mas autoridades de saúde de diversas grandes cidades declaram que não há uma grande onda de aceitação ao Truvada.

De acordo com o site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, há “fortes pesquisas que indicam que a PrEP, quando usado de forma consistente, é seguro e eficaz para reduzir o risco de transmissão sexual do HIV”.

Segundo Kenneh Mayer, diretor médico do Instituto Fenway, de Boston – especializado na saúde de gays, lésbicas e transsexuais -, muitos médicos inicialmente tinham dúvidas sobre a PrEP, mas agora aprenderam a superá-las.

– Houve muita preocupação no começo – se aumentaria o comportamento de risco, se as pessoas iriam tomar a droga regularmente – lembra. – Agora, a questão não é se o Truvada é uma boa ideia, mas qual seria a melhor forma de fornecê-la, e quais paciente são os melhores candidatos

Nota do editor de soropositivo.org: Senhores jornalistas, não existe grupo de risco. Existem populações vulneráveis, como a população carcerária e a população de mulheres vivendo em situação de dependência financeira a homens cujo estilo de vida me fariam corar se eu os decantasse aqui. O truvada é mesmo uma boa opção de prevenção ao HIV, mas é preciso dar o truva e dar instruçoes sobre sexo seguro e que DSts podem ser contraídas num momento de maior paixao. Disseram, quando o Brasil começou a distribuir o conjunto de remédios que muitos chamam de coquetel, que nós, brasileiros, terceiro mundistas nao seríamos capazes de administrar um tratamento tão complicado (na época era mesmo) e nós provamos o contrário reduzindo o número de mortes, de novos casos, porque a distribuição era didática e não havia outra forma de prevenção ao HIV


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