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Ciência e Saúde |
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22/NOVEMBRO/07 |
Rio – O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira o Boletim Epidemiológico 2007 da Aids, documento que traz, pela primeira vez, dados sobre a proporção de pessoas que continuaram vivendo com a doença até cinco anos após o diagnóstico. O estudo foi feito com base no número de pessoas identificadas com a doença em 2000.
Em homens com mais de 13 anos, observa-se, na série histórica, crescimento da epidemia em heterossexuais, estabilização entre homossexuais e bissexuais e redução entre usuários de drogas injetáveis (UDI). Em homo/bissexuais jovens, no entanto, a tendência é de crescimento.
Em 1996, dos casos registrados em homens, 29,4% foram em homo/bissexuais; 25,6% em heterossexuais; e 23,6% em UDI. Em 2006, foram 42,6% em heterossexuais; 27,6% em homo/bissexuais e 9,3% em UDI. Em mulheres acima de 13 anos, dos casos notificados em 1996, 86,1% foram em heterossexuais e 12,6% em UDI. No ano passado, o percentual de casos em heterossexuais subiu para 95,7% e em UDI caiu para 3,5%.
Em 2005, foram identificados 700 casos de aids na população menor de cinco anos, representando taxa de incidência de 3,9 casos por 100 mil habitantes. Em 2006, foram registrados 526 casos em menores de 5 anos, mas esse número provavelmente está subnotificado. Considerando as regiões, a taxa de incidência é maior no Sul (6,1), seguido do Sudeste (4,4); Nordeste (3,1); Norte (2,7) e Centro Oeste (2,6).
Os dados segundo o critério raça/cor ainda são limitados, devido ao alto percentual de ignorados (27%). Apesar da limitação, observa-se, na série histórica, redução proporcional de casos de aids e de óbitos entre brancos e aumento entre negros e pardos, em ambos os sexos.
Casos em usuários de drogas diminuíram
Segundo o documento, o Brasil tem um terço das pessoas que vivem com HIV na América Latina. No país, destacam-se a diminuição da prevalência em usuários de drogas injetáveis (UDI), relacionada aos programadas de redução de danos; e o aumento em mulheres, cuja infecção é atribuída principalmente ao comportamento sexual de seus parceiros.
Na série histórica, foram identificados 314.294 casos de aids em homens e 159.793 em mulheres. Ao longo do tempo, a razão entre os sexos vem diminuindo de forma progressiva. Em 1985, havia 15 casos da doença em homens para 1 em mulher. Hoje, a relação é de 1,5 para 1. Na faixa etária de 13 a 19 anos, há inversão na razão de sexo, a partir de 1998. Em ambos os sexos, a maior parte dos casos se concentra na faixa etária de 25 a 49 anos. Porém, nos últimos anos, tem-se verificado aumento percentual de casos na população acima de 50 anos, em ambos os sexos.
90% das pessoas com Aids no Sudeste continuam vivas cinco anos após diagnóstico
Os dados apontam que, cinco anos depois de diagnosticadas, 90% das pessoas com aids no Sudeste estavam vivas. Nas outras regiões, os percentuais foram de 78%, no Norte; 80%, no Centro Oeste; 81%, no Nordeste; e 82%, no Sul.
O Ministério da Saúde também apresentou os números do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UINAIDS) sobre a epidemia no mundo. A nova análise dos dados mostra, ainda, que 13,9% dos indivíduos diagnosticados com aids na região Norte, em 2000, haviam morrido em até um ano após a descoberta da doença. No Centro Oeste, o percentual foi de 12,7% e no Nordeste, de 12,1%. Na região Sul, o indicador cai para 9,1% e no Sudeste, para 3%. A média do Brasil foi de 6,1%. Em números absolutos, o Brasil registrou 192.709 óbitos por aids, de 1980 a 2006.
A diretora do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão, reconhece que os números refletem as desigualdades regionais. "Nosso desafio é reforçar a qualidade da assistência no SUS e ampliar o diagnóstico precoce da infecção pelo HIV, seja nos exames de rotina na rede pública ou no uso do teste rápido".
Sudeste lidera número de casos da doença
De acordo com o Boletim, de 1980 a junho de 2007, foram notificados 474.273 casos de aids no país – 289.074 no Sudeste, 89.250 no Sul, 53.089 no Nordeste, 26.757 no Centro Oeste e 16.103 no Norte. No Brasil e nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, a incidência de aids tende à estabilização. No Norte e Nordeste, a tendência é de crescimento. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tem uma epidemia concentrada, com taxa de prevalência da infecção pelo HIV de 0,6% na população de 15 a 49 anos.
Em 2006, considerando dados preliminares, foram registrados 32.628 casos da doença, confirmando uma tendência de queda no número de casos, identificada a partir de 2002, quando houve 38.816 notificados. Naquele ano, a taxa de incidência da aids foi de 22,2 casos por 100 mil habitantes. Em 2005, a taxa foi de 19,5/100 mil e em 2006, de 17,5/100 mil.
Mundo tem 33,2 milhões de pessoas com HIV
De acordo com o relatório do UNAIDS, estima-se que existam, atualmente, 33,2 milhões de pessoas com HIV em todo mundo e que ocorreram 2,5 milhões de novas infecções em 2007. O número de pessoas que morreram em decorrência da aids neste ano foi de 2,1 milhões.
Segundo o documento, a África Subsaariana concentra 68% das pessoas infectadas pelo HIV e 76% das mortes por conta da doença. No entanto, em alguns países africanos, como Costa do Marfim, Quênia e Zimbábue, as taxas de prevalência têm caído, mesma tendência observada em países da Ásia, como Camboja, Mianmar e Tailândia.
Na América Latina, o relatório afirma que a epidemia permanece estável. Em 2007, o número estimado de novas infecções na região foi de 100 mil; e o de mortes, de 58 mil. Atualmente, estima-se que 1,6 milhão de pessoas vivam com aids na América Latina.
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