Iniciar o tratamento anti-retroviral não reduz a incidência ou a prevalência de infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano HPV

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Iniciar o tratamento anti-retroviral não reduz a incidência ou prevalência de infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano, segundo reportam os investigadores norte-americanos no jornal on-line BMC Infectious Diseases. Todos os tipos do vírus persistiram, incluindo aqueles associados ao maior risco de cancro no colo do útero.

Os investigadores também não encontraram evidência de que aumentos na contagem de células CD4 após iniciar a terapêutica anti-retroviral aumentam a possibilidade de eliminar a infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano (HPV).

Além disso, muitos doentes sob terapêutica anti-retroviral foram infectados com estirpes de alto risco do vírus do papiloma humano.

“Não há efeito imediato da terapêutica anti-retroviral altamente eficaz em doentes adolescentes infectados pelo VIH, especialmente em relação às estirpes de alto risco e às da vacina do HPV na prevalência, persistência ou eliminação da infecção”, comentam os investigadores. “Adicionalmente, não existe um padrão claro sobre a infecção pelo HPV ou eliminação em relação à reconstituição imunitária (baseada na contagem de células T CD4) da terapêutica anti-retroviral altamente eficaz.”

A terapêutica anti-retroviral foi associada à grande melhoria no prognóstico de muitos doentes seropositivos para o VIH. Taxas de doenças definidoras de SIDA desceram drasticamente, incluindo aquelas relacionadas com o VIH, tais com o sarcoma de Kaposi e o linfoma não-Hodgkin.

O cancro do colo do útero é também classificado como uma doença definidora de SIDA, e a investigação indica que o diagnóstico desta neoplasia aumentou desde a introdução da terapêutica anti-retroviral.

Tal como o cancro anal (taxas que também aumentaram), o cancro do colo do útero é associado à infecção, a longo prazo, por algumas estirpes do vírus do papiloma humano. Isto pode causar alterações celulares que levam ao cancro.

A informação sobre o impacto do tratamento da infecção pelo VIH na eliminação da infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano é inconsistente. Alguns estudos sugerem que a restauração imunitária que resulta da terapêutica anti-retroviral ajuda a eliminar a infecção, contudo, outras investigações não encontraram evidência sobre isto.

Os investigadores da US REACH (Reaching for Excellence in Adolescent Care and Health) conduziram um estudo coorte que pretendia clarificar esta importante questão.

Desta forma, monitorizaram a prevalência, persistência e incidência da infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano em 373 adolescentes com VIH (227) ou em risco de contrair a infecção. As idades situavam-se entre os 12 e os 19 anos, e os comportamentos associados à infecção foram sexuais ou uso de drogas.

As pessoas foram monitorizadas para a infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano todos os seis meses, e os parceiros seropositivos para a infecção pelo VIH tinham a contagem de células CD4 monitorizadas em intervalos regulares.

As adolescentes seropositivas tinham um historial variado de tratamento anti-retroviral. Um total de 100 pessoas teve um acompanhamento prévio e após o inicio da terapêutica anti-retroviral; 57 iniciaram a TARc logo após entrarem na coorte; e 70 nunca tinham feito tratamento.

No total, 70% dos participantes do estudo tinha infecção do colo do útero pelo vírus do papiloma humano, e 70% das que não estavam infectadas inicialmente, contaminou-se durante o acompanhamento.

Em média, as doentes foram seguidas por um período um pouco superior a dois anos.

As que iniciaram a TARc mostraram um bom aumento na contagem de base de células CD4, de 471/mm3 para 525/mm3.

Antes de iniciarem a TARc, as participantes seropositivas para o VIH tinham uma prevalência da infecção com uma estirpe do vírus do papiloma humano de alto risco entre 1 – 17%.

A prevalência nas pessoas seronegativas para o VIH foi entre 1-10%.

Iniciar o tratamento com medicamentos anti-retrovirais não teve impacto na prevalência de infecções de alto risco (1-18%).

Houve uma elevada incidência de infecções em doentes seronegativas e seropositivas para o VIH, com maior tendência da incidência entre as participantes infectadas pelo VIH.

Apesar de a contagem de células CD4 ter aumentado nas doentes que iniciaram a terapêutica anti-retroviral, tal não afectou a infecção pelo vírus do papiloma humano ou os padrões de eliminação.

“No total, os resultados indicam que a terapêutica anti-retroviral altamente eficaz não tem um efeito – nas infecções pelo HPV cancerígenas de elevado ou possível alto risco”, comentam os investigadores.

Por exemplo, a incidência pelo HPV 16 era de 6,54 por 100 pessoas/ano antes do inicio da TARc e 6,67 por 100 pessoas/ano depois.

Similarmente, a incidência do HPV 18 foi de 4,66 por 100 pessoas/ano no período antes do inicio a terapêutica anti-retroviral, aumentando para 6,26 por 100 pessoas/ano após as doentes iniciarem a TARc.

A incidência de algumas estirpes de alto risco do vírus foi ainda mais elevada. A infecção pelo HPV 53/66 foi de 9,83 por pessoas/ano no período anterior à TARc, passando para 12,80 após o inicio do tratamento.

“Observámos uma prevalência e incidência mais elevada de estirpes possivelmente carcinogénicas de HPV após o período de introdução da TARc. Assim, a prevenção da infecção por HPV é importante, especialmente em populações mais vulneráveis, como as adolescentes sexualmente activas”.

Os investigadores reconhecem que a pequena amostra do estudo tem possíveis limitações. No entanto, concluem que iniciar o tratamento anti-retroviral “não mostrou efeitos imediatos em relação às estirpes de alto risco e às incluídas na vacina HPV na incidência, erradicação ou persistência desta infecção”.

Referência

 

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