Um estudo conduzido em doentes com os genótipos da hepatite C mais fáceis de tratar demonstrou que uma nova formulação do interferão peguilado foi associado a um número significativamente menor de efeitos secundários em comparação com a formulação padrão do medicamento.
Os dados do estudo EMERGE de fase IIb apresentado durante o 47th International Liver Congress (EASL 2012), em Barcelona, demonstraram que o interferão peguilado lambda tem uma eficácia semelhante ao interferão peguilado alfa. A principal vantagem do novo composto é a nível da redução de efeitos secundários. O interferão lambda ou alfa foi administrado em combinação com ribavirina. Uma outra importante conclusão do estudo é que houve menos necessidade de reduzir a dosagem quer do interferão quer da ribavirina, quando se utilizou interferão lambda.
Alguns medicamentos que atuam diretamente sobre o vírus da hepatite C foram aprovados ou estão em fase de desenvolvimento. Contudo, é provável que no futuro estes tenham de ser combinados com o interferão peguilado e ribavirina. Os efeitos secundários associados a estes dois medicamentos constituem a principal limitação da terapêutica do VHC. Assim, uma formulação mais tolerável de interferão seria uma vantagem, pois permitiria aos doentes iniciar e completar o tratamento e alcançar a cura.
Uma investigação preliminar demonstrou que o interferão lambda é tão eficaz quanto o interferão alfa, mas tem um perfil de efeitos secundários benigno quando utilizado no tratamento do genótipo 1 da hepatite C. Os investigadores conduziram mais investigações para avaliar a eficácia e tolerabilidade desta nova formulação do interferão peguilado em doentes com genótipo 2/3.
Um total de 118 doentes não experimentados foram recrutados para o estudo. A terapêutica foi administrada durante 24 semanas, sendo avaliadas as respostas ao tratamento. A carga viral indetetável para o VHC após a 24ª semana foi definida como resposta virológica sustentada.
Nenhum dos doentes tinha cirrose e foram randomizados em iguais proporções para os quatro braços do estudo. Os doentes incluídos em três braços foram tratados com uma dose semanal de interferão peguilado lambda (120, 180 ou 240 μg) em combinação com ribavirina. Os doentes do quarto braço receberam interferão peguilado alfa e ribavirina, sendo este o braço de controlo do estudo.
Não havia diferenças significativas no início do estudo nos diferentes braços.
As taxas de resposta virológica nos doentes sob lambda variaram entre 57% e 83%. Os melhores resultados foram observados com a dose de 180 μg (genótipo 2 = 71%; genótipo 3 = 83%). Estes resultados foram comparados com a taxa de resposta entre 40% e 67% nos doentes no braço de controlo.
Na maioria dos aspetos analisados, o interferão lambda apresentou um perfil de segurança superior ao alfa. Uma redução na dose de interferão foi necessária em cerca de 7% e 13% dos doentes sob lambda (180 μg = 7%) em comparação com 27% dos doentes tratados com o interferão alfa.
Nenhum dos doentes sob o interferão lambda precisou de reduzir a dose de ribavirina devido a um nível de hemoglobina baixo. Contudo, reduzir a dose de ribavirina foi necessário em 23% dos doentes sob interferão alfa.
Observaram-se sintomas semelhantes aos da gripe em 17% e 23% dos doentes tratados com interferão lambda. Tal, foi comparado com a taxa de 40% dos doentes do braço de controlo.
Sintomas músculoesqueléticos ocorreram também com menor frequência no braço tratado com lambda comparativamente ao braço com alfa interferão (17% para 28% vs 63%).
Sintomas de fadiga foram reportados por 50% dos doentes tratados com a dose de 240 μg de lambda, por 28% nos doentes tratados com dose de 180 μg e 41% no braço com dose de 120 μg. Isto comparado com a prevalência de 53% entre os doentes tratados com interferão alfa.
No geral, aproximadamente 9% dos doentes nos braços que incluíam interferão lambda desenvolveu anemia, comparativamente com 45% no braço de controlo. Nenhum dos doentes sob lambda desenvolveu neutropenia ou teve uma contagem baixa de plaquetas, em comparação com as taxas de 52% e 24% respetivamente nos doentes sob alfa.
Aumentos do ALT ou AST cinco ou mais vezes acima do limite superior normal ocorreram em 3% dos doentes tratados com a dose de lambda de 240 μg. Nenhuma das outras doses do interferão lambda foi associada com desregulação hepática, ocorrendo o mesmo com o interferão alfa. A bilirrubina elevada foi observada em 7% dos doentes tratados com a dose mais elevada do interferão lambda. Nenhuma das outras doses de lambda ou de alfa causaram este efeito.
Tendo em conta outros aspetos, os perfis de segurança do interferão lambda e alfa foram similares. Em particular, ambos os medicamentos, em proporções semelhantes, causaram efeitos secundários a nível neuropsiquiátrico (prevalência lambda = 40-44% vs 33% alfa).
Foi expresso no comunicado de imprensa divulgado pela farmacêutica BMS que os resultados indicam que o interferão lambda pode potencialmente ir de encontro às necessidades ainda não resolvidas dos doentes infetados com VHC e que os dados incentivam futuras investigações com esta nova formulação de interferão peguilado.
Referência
Zeuzem S et al. Peginterferon lambda-1-a (Lambda) compared to peginterferon alfa-2a (alpha) in treatment-naïve patients with HCV genotypes (G) 2 or 3: first SVR24 results from Emerge phase IIB.47th Annual Meeting of the European Association for the Study of the Liver (EASL 2012), Barcelona, abstract 1435, 2012.
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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