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HUB confirma cinco casos de infecção pela bactéria. Três pessoas morreram A bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase, conhecida por KPC, continua se espalhando pelo Distrito Federal. O Hospital Universitário de Brasília (HUB) registrou cinco casos de pacientes infectados, que foram confirmados por exames laboratoriais. Ao todo, foram nove casos suspeitos desde abril. Três pacientes infectados morreram, mas ainda não foi confirmado se os óbitos foram causados pela bactéria. Dos pacientes infectados pela KPC, cinco são do sexo feminino, com idade entre 68 e 84 anos, e quatro do sexo masculino, com idade entre 23 e 54. Entre os cinco que apresentaram infecção pela bactéria – quatro serviram apenas de hospedeiro – três morreram. O último caso, de um paciente portador da bactéria no intestino, foi registrado em 6 de outubro. “É difícil saber se as mortes fo-ram causadas pela KPC, pois ela ataca pacientes que já estão debilitados por outras infecções graves”, afirma a diretora adjunta de serviços assistenciais do HUB, Elza Noronha. Segundo ela, que prefere não divulgar o nome das possíveis vítimas da bactéria, a Comissão de Avaliação de Óbitos do hospital está analisando os casos para conhecer a causa das mortes. MUTANTE A bactéria KPC vem assustando a população do Distrito Federal, região com 18 óbitos entre os 108 casos registrados pela Secretaria de Saúde. A infectologista Lívia Vanessa Ribeiro explica que o perigo vem da alta capacidade de mutação das bactérias. “O que estamos vendo é uma organismo que sofreu uma mutação e passou a produzir uma enzima (a carbapenemase) que inibe a ação dos antibióticos carbapenemênicos”, explica a médica do HUB. Lívia ressalta que a existência de uma bactéria resistente a esse tipo de antibiótico reduz as alternativas de tratamento de diversas infecções. “Para combater esse quadro temos que recorrer a medicamentos mais antigos, com mais efeitos colaterais”, aponta. A médica ainda destaca que os casos identificados de infecção pela KPC estão restritos aos ambientes hospitalares. Isso porque a bactéria costuma atacar pacientes que já estão com o sistema imunológico debilitado, como os que apresentam o vírus HIV ou estão nas Unidades de Terapia In-tensiva (UTIs). “Como essas pessoas costumam tomar antibióticos carbepenêmicos de forma contínua, as bactérias presentes no organismo delas acabam tornando-se mais resistentes”, detalha a infectologista Valéria Lima. “Provavelmente o primeiro caso aconteceu dessa forma. Não con-seguimos saber se o primeiro paciente foi aqui do hospital, ou se ele veio transferido de outra unidade de saúde”, avalia a médica. CUIDADOS Não existem sintomas característicos da infecção pela KPC. Ela se manifesta com os sintomas normais de uma infecção: febre, dores na bexiga (se for o caso de uma infecção urinária), tosse (se for uma infecção respiratória). “Quando o paciente dá entrada com esses sintomas, fazemos a coleta de material para exame a fim de detectar a presença da bactéria”, conta Elza Noronha. “A estratégia do HUB é pesquisar quem tem a bactéria no intestino, para tentar identificar precocemente, isolar essa pessoa, fazer medidas preventivas e tratar o paciente”, acrescenta a infectologista Valéria Lima. A bactéria KPC propaga-se pelo contato intra-hospitalar. “Essa bactéria não voa, não passa pelo ar”, explica a médica Lívia Ribeiro. “Um médico que manipula a saliva de um paciente e não higieniza bem as mãos pode passar essa bactéria para outra pessoa com um simples aperto de mão”, exemplifica. Outra possibilidade de contágio é a má higienização de equipamentos que podem ser usados por outros pacientes.
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