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Lipodistrofia

Lipodistrofia

Lipodistrofia é o nome dado às mudanças na forma do corpo e foi inicialmente observada em 1997 nas pessoas em tratamento com coquetel anti-HIV. No princípio acreditava-se que era causada pelos inibidores de protease, mas agora se sabe que as mudanças na gordura corporal podem ocorrer, algumas vezes, nas pessoas que não incluem os inibidores de protease em seu coquetel, e possivelmente também entre aquelas que nunca tomaram medicamentos anti-HIV.

Como se manifesta?

No sentido estrito da palavra lipodistrofia significa acúmulo de gordura. Porém, as mudanças na gordura corporal observadas nas pessoas HIV – positivas incluem não só a aquisição, mas também a perda de gordura, o que poderá resultar em: aumento da cintura (sem formar dobras de gordura), aumento dos seios, acúmulo de gordura na nuca e na parte superior das costas, aumento de gordura em volta do pescoço e das mandíbulas, definhamento da face e especialmente das bochechas, definhamento das nádegas e veias proeminentes nos braços e nas pernas (por causa da perda de gordura).

Na lipodistrofia o aumento de gordura no abdômen é causado pelas gorduras viscerais, as quais se acumulam ao redor dos órgãos internos, provocando inchaço e tensão na barriga. Isto é diferente da gordura das pessoas que tem seu peso aumentado por excesso de alimentação ou pela falta de exercício.

A lipodistrofia é comum?

As estimativas da sua freqüência variam consideravelmente de 15% a 50% das pessoas que tomam medicamentos anti-HIV.

As desordens metabólicas

O metabolismo refere-se à gama de processos que mantém o corpo, incluindo a transformação da gordura e do açúcar em energia. As pessoas com lipodistrofia são comumente afetadas por desordens metabólicas, tais como o aumento do nível das gorduras (ou lipídios) no sangue. Porém, a relação entre as mudanças da gordura corporal e as desordens metabólicas não está clara. Alguns exemplos de desordens metabólicas incluem alto nível de gorduras do sangue chamado de triglicerídeos ou colesterol, grandes quantidades de açúcar no sangue, diabetes (incapacidade para processar açúcar), resistência à insulina (incapacidade para responder à insulina, a qual é necessária para o processamento de açúcar) e também o aumento das enzimas do fígado.

O que causa a lipodistrofia?

Muitos fatores têm sido relacionados com as mudanças na gordura corpórea: o tipo e a duração das combinações anti-HIV, o tempo da infecção pelo HIV, a extensão dos danos ao sistema imunológico ao iniciar o tratamento anti-HIV, o sexo, a idade, o histórico familiar, a dieta, e a massa e gordura corporais antes do início do tratamento.
Embora não há evidência de que estes fatores sejam a causa da lipodistrofia, alguns especialistas acreditam que a variação da gordura corpórea e as mudanças metabólicas observadas representam várias condições independentes, cada uma delas com as suas próprias causas que podem ou não estar relacionadas.

Quais são as implicações?

As mudanças na gordura corpórea, por si só, não apresentam riscos substanciais à saúde no futuro. Estas mudanças poderão, contudo, estigmatizar as pessoas e são uma fonte potencial de stress e preocupação entre aquelas que estão em tratamento anti-HIV.
Os altos níveis de gordura no sangue estão associados à doença do coração, derrame e pancreatite, o que gera preocupações de que as desordens metabólicas associadas à combinação de medicamentos podem aumentar o risco de doença do coração. Até o momento não existem evidências claras, mas é provável que os riscos sejam maiores para as pessoas com outros agravantes como ter pressão alta, diabetes, obesidade, ser fumante e para aquelas com um histórico familiar com doenças do coração.

Opções de tratamento

Até o presente momento, não há tratamento aprovado para as mudanças da gordura corporal causadas pelos medicamentos anti-HIV. Entretanto, muitos tratamentos estão sendo estudados, tais como hormônio de crescimento humano, esteróides anabolizantes, estimulantes de apetite e levantamento de peso. Em casos extremos, os depósitos de gordura podem ser removidos cirurgicamente, embora isto possa ser inadequado para o acúmulo de gordura no abdômen. Para corrigir as mudanças faciais, várias formas de cirurgias têm sido utilizadas.

O Pravastatin ou o Gemfibrozil são os medicamentos usados para tratar um alto nível de gordura no sangue e a resistência à insulina é tratada com medicamentos para diabetes. A segurança e a eficácia dos medicamentos geralmente utilizados nas pessoas HIV – negativas não estão, porém, estabelecidas para as pessoas HIV – positivas. Outras opções de tratamento que podem ser tomadas incluem exercitar regularmente, parar de fumar, trocar a pílula anticoncepcional para outro método de controle de natalidade e mudar a dieta com a assistência de um nutricionista.

A troca de medicamentos anti-HIV também tem sido defendida como um modo para controlar a lipodistrofia a as desordens metabólicas, particularmente com a troca do inibidor de protease por um NNRTI (Inibidor da Transcriptase Reversa não Nucleosídeo) ou Abacavir. A maioria das pessoas, mas não todas, não terão alterações na carga viral após a mudança de medicamentos (quando a carga viral está indetectável). Algumas pessoas preferem, apesar de tudo, permanecer com uma combinação que esteja dando certo.

Monitorando as mudanças

As pessoas que estão iniciando tratamento com medicamentos anti-HIV devem ser monitoradas para que as mudanças na gordura corporal sejam detectadas mais facilmente. As opções possíveis incluem escaneamentos, os quais fornecem uma imagem da distribuição da gordura, músculos e ossos no corpo e a antropometria que mede o tamanho das dobras de pele. E também, para futura referência, seu médico deverá medir o peso, a pressão sanguínea e a quantidade de gorduras e açúcares no sangue. Estes exames deverão ser feitos após um período de jejum noturno, porque os resultados podem alterar após as refeições.

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