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Menstruar ou não menstruar?

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ESTADO DE MINAS – MG | SUPLEMENTOS

ANTICONCEPCIONAIS | CONTRACEPTIVOS

11/07/2010

O assunto é polêmico, mas cada vez mais as mulheres estão buscando fo mas de reduzir as dores provocadas pelo incômodo

Carolina Cotta

Ela já fez revolução por evitar a gravidez e diminuir a intensidade e a duração da menstruação. Hoje, as pílulas ANTICONCEPCIONAIS de uso contínuo, assim como os implantes, anéis e injeções, prometem e cumprem o sonho de muitas mulheres: deixar de menstruar. Enquanto atrizes famosas aderem e fazem propaganda sobre a prática, jovens chegam aos consultórios em busca da mesma solução. A “moda” da supressão da menstruação, entretanto, está longe de um consenso entre a classe médica. De um lado, especialistas alertam para a diminuição da libido e os riscos de osteoporose. Do outro, defendem que os benefícios são melhores que os malefícios.

Walter Pace, professor e coordenador da pós-graduação de ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ginecologia Endócrina, tem seus argumentos na essência da menstruação. Segundo ele, as adeptas do método anticontraceptivo hormonal cíclico, como as pílulas de uso contínuo e as injeções, sangrariam em vez de menstruar, já que os métodos para não engravidar impedem a ovulação e a preparação do endométrio. Ao mesmo tempo, mantêm a parte interna do útero estável e quando deixam de ser consumidos, na semana de interrupção da PÍLULA, vem o sangramento. “Na mulher que não toma PÍLULA, o sangramento é fruto de um ciclo menstrual ovulatório e na que toma PÍLULA, de uma privação hormonal.”

Essa forma de ação da PÍLULA seria fruto de questões culturais, religiosas e econômicas de quando foi criada, 50 anos atrás. “Existia a cultura de que sangrar fazia bem e à Igreja interessava que o processo parecesse o mais natural possível. As mulheres, mesmo usando os métodos anticontraceptivos, deveriam continuar ‘menstruando’, um marcador para saberem que não estavam grávidas”, explica o especialista, para o qual parar de menstruar não faz mal. “É mais benéfico do que um ciclo sem bloqueio. As vantagens de suprimir a menstruação são superiores às desvantagens. O que não pode é as mulheres serem enganadas, achando que está ocorrendo uma coisa que não está.”

São várias as opções para a supressão do sangramento, como a não interrupção das pílulas ou o uso de medicamento na forma contínua. Já os hormônios de implantes, injeções, DIU, anel e PÍLULA vaginal, por não passar pelo estômago e fígado antes de atingir a circulação, minimizariam os efeitos colaterais, como alteração de coagulação, retenção de líquido e enjoos. “Não há nenhum trabalho científico no mundo que mostre o benefício do sangramento. Em compensação, já existem vários trabalhos revelando que a supressão da menstruação diminui a incidência de uma série de doenças, como endometriose, miomatose, doença inflamatória pélvica, anemia, TPM. Já o bloqueio da ovulação, princípio básico de todo método anticontraceptivo hormonal, reduziu, durante décadas, os casos de câncer de ovário.”

COMBINAÇÃO Mas para o ginecologista Lucas Vianna Machado, professor emérito da Faculdade de Ciências Médicas, o grande problema não é menstruar ou não menstruar, e sim como não menstruar. Segundo o especialista, os métodos CONTRACEPTIVOS são uma combinação de estrogênio com progestogênio, que é o antiestrogênio natural. “Ele anula as ações estrogênicas e ainda pode provocar uma série de sintomas indesejáveis, como aumento de peso, retenção de líquidos, varizes, diminuição ou aumento da libido, inchaço abdominal e depressão. Parar de menstruar é uma forma de impedir que a mulher desfrute dos benefícios dos hormônios femininos. Na jovem, isso pode impedir uma completa maturação do esqueleto, propiciando uma aquisição menor da massa óssea, além de efeitos de diminuição da libido.”

O especialista acredita que, seguramente, é uma forma cômoda de tratamento, embora possa não ser a melhor, nem a que traz mais benefícios. “Os médicos que dão preferência a esse esquema devem estar bem informados sobre os inconvenientes do progestogênio e ter tempo e disposição para conversar com suas pacientes, explicando-lhes que, embora seja cômodo não menstruar, os benefícios obtidos com esse tipo de terapia não serão tão evidentes. Essa forma de tratamento deveria se limitar a situações especiais. Uma gravidez não programada, entretanto, é muito pior que tudo isso. Eu prescrevo PÍLULA para as minhas pacientes, até as de uso contínuo, dependendo dos objetivos dela e do seu perfil endócrino. A palavra final é da paciente, mas a obrigação do médico é alertá-la. Não sou contra. O fundamental é individualizar, porque o que é bom para uma pode ser péssimo para outra.”


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