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13/JANEIRO/08 |
Novo remédio contra o lúpus
Pesquisadores de cinco estados desenvolvem uma droga para combater a doença auto-imune. Estudos devem ser concluídos até o fim do ano
Maria Vitória
Da equipe do Correio
O Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Abreu Sodré, de São Paulo, juntamente com mais quatro instituições no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Recife, coordena os estudos de um novo remédio para combater as crises do lúpus, uma doença auto-imune que atinge pele, articulações e outras partes do corpo. Qualquer pessoa que apresente os sintomas poderá se apresentar como candidato ao tratamento. A triagem inicial é feita por telefone e o atendimento é gratuito.
Segundo o coordenador da pesquisa, o reumatologista Morton Scheinberg, o estudo se encontra na terceira e última fase – que antecede a liberação do medicamento para comercialização – e deve ser concluído até o fim do ano. "É uma terapia biológica específica, agindo diretamente nos linfócitos T e inibindo a sua proliferação."
O lúpus é uma doença com sintomas e gravidade variáveis de pessoa para pessoa e, por isso, o tratamento tem um amplo espectro, de antiinflamatórios a quimioterápicos. O principal deles é não se expor ao sol, pois os raios ultravioletas desencadeiam crises. "A maioria dos medicamentos causa efeitos colaterais e vamos pesquisar como os pacientes reagem a essa nova terapia", afirma Scheinberg.
Serviço
Maiores informações
Hospital Abreu Sodré (São Paulo)
Telefone: (11) 5576-0777
Triagem de segunda a sexta-feira, das 8h às 10h
Morton Scheinberg
morton@osite.com.br
Palavra do especialista
O lúpus é mais freqüente em mulheres. Homens também podem desenvolver a doença?
Sim, apesar da baixa incidência, na proporção de nove mulheres para um homem. O lúpus no sexo masculino apresenta um quadro mais grave e estudos médicos demonstram maior freqüência de casos de inflamação renal entre os pacientes.
Uma portadora da doença pode ter filhos?
A gravidez não é contra-indicada. A gestação precisa de um planejamento, por ser de alto risco, e para evitar agravamento das crises do lúpus e possíveis complicações gestacionais: abortos, parto prematuro, baixo peso da criança ao nascer. A mulher não pode engravidar se estiver tomando medicamentos que podem prejudicar a formação do bebê. A gravidez só é contra-indicada para portadoras que apresentam complicações renais e distúrbios psiquiátricos ou tiveram derrame. Desde que haja um planejamento adequado, em 85% dos casos, a mulher pode ter um filho sem problemas.
Algumas pessoas confundem o lúpus com câncer. Por que isso ocorre?
Um conceito errado provavelmente provocado por dois fatores: a doença afeta vários órgãos ao mesmo tempo e alguns modelos de tratamento adotam o uso de quimioterápicos. É importante frisar que o lúpus não é câncer, não é infeccioso e tampouco contagioso.
Lícia Mota é reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia
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