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Publicado há 13 anos, 11 meses e 10 dias
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Ativismo! Uma luta digna de ser lutada!
Devo minha vida a pessoas que se deitaram na avenida Paulista na luta por tratamento médico paar pessoas vivendo com HIV ou AIDS

Mui­to tem se fa­la­do so­bre o cres­ci­men­to dos índi­ces de pes­so­as com HIV/AIDS, mas uma dis­cussão pa­re­ce ter per­di­do fôle­go nos últi­mos tem­pos: o ati­vis­mo está mor­ren­do após du­as déca­das de lu­ta con­tra a AIDS? O ati­vis­mo não está mor­to por­que ca­da vez mais se am­plia a ar­ti­cu­lação em re­de, de for­ma a for­ta­le­cer os pon­tos fo­cais em su­as lo­ca­li­da­des, bem co­mo po­ten­ci­a­li­zar as in­ter­venções des­sas re­des.

Ob­ser­va-se que a PVHA (pes­so­as vi­ven­do com o HIV/AIDS) está mos­tran­do o seu ros­to. Com is­so, ela não so­men­te aju­da a re­du­zir os es­tig­mas co­mo também per­se­gue e de­fen­de seus di­rei­tos com mais afin­co. Mes­mo em países de­sen­vol­vi­dos co­mo a In­gla­ter­ra, por ex­em­plo, é fun­da­men­tal a ação de ati­vis­tas pa­ra que as políti­cas in­clu­am as PVHA.

É im­por­tan­te es­tar­mos aten­tos pa­ra a ne­ces­si­da­de de ava­li­ar e ade­quar as es­tratégi­as e os te­mas a se­rem abor­da­dos, uma vez que a AIDS sem­pre apre­sen­ta no­vos e di­fe­ren­tes de­sa­fi­os. Um bom ex­em­plo dis­so é que, há dez anos, nós lutáva­mos por me­di­ca­men­tos e ho­je lu­ta­mos pe­lo aces­so uni­ver­sal a es­ses me­di­ca­men­tos. O que me pa­re­ce de­sa­fi­a­dor, nos di­as de ho­je, é de­ba­ter o te­ma en­tre os própri­os ati­vis­tas. Nos­sas agen­das estão tão com­pro­me­ti­das, que nos res­ta pou­co tem­po pa­ra au­to-ava­li­ar o ati­vis­mo.

Tal­vez um dos ca­mi­nhos pa­ra que o ati­vis­mo e os ati­vis­tas si­gam em fren­te se­ja a in­clusão de pau­tas da so­ci­e­da­de ci­vil nas agen­das das ins­ti­tuições, co­mo agênci­as, ONG, uni­ver­si­da­des, go­ver­nos etc., pa­ra que in­cor­po­rem as ações da so­ci­e­da­de ci­vil nas su­as agen­das e pos­sam con­tri­buir pa­ra a ca­pa­ci­tação des­ses ati­vis­tas.

Sa­be-se que exis­tem dois ti­pos de ati­vis­tas e ati­vis­mo: os de âmbi­to na­ci­o­nal e os de âmbi­to in­ter­na­ci­o­nal. Os pri­mei­ros atu­am na ba­se, con­tri­buin­do pa­ra for­ta­le­cer a dis­pen­sação de me­di­ca­men­tos, a qua­li­da­de do aten­di­men­to nos hos­pi­tais, o mo­ni­to­ra­men­to dos orçamen­tos da saúde e as es­tratégi­as de pre­venção lo­cal. Os de âmbi­to in­ter­na­ci­o­nal, por sua vez, in­ter­fe­rem em gran­des es­tru­tu­ras go­ver­na­men­tais e co­mer­ci­ais. Am­bos são fun­da­men­tais. Con­tu­do, foi ob­ser­va­do que as re­des que atu­am em es­fe­ras mais am­plas de­vam le­var em con­si­de­ração as ações lo­cais, uma vez que é nas ba­ses que o possível êxi­to ou fra­cas­so das es­tratégi­as ocor­re de fa­to.

Ou­tra im­por­tan­te questão é so­bre o quan­to os ati­vis­tas po­dem au­xi­li­ar os go­ver­nos – e já vêm au­xi­li­an­do des­de sem­pre -, pres­si­o­nan­do gran­des do­a­do­res pa­ra que não re­du­zam os re­cur­sos des­ti­na­dos às me­tas in­ter­na­ci­o­nais ou às fren­tes de lu­tas co­mer­ci­ais. A co­mu­ni­da­de in­ter­na­ci­o­nal é sensível à lu­ta con­tra AIDS, e a pressão dos ati­vis­tas re­ve­la-se ca­paz de in­ter­fe­rir tan­to nas de­cisões das gran­des agênci­as e la­bo­ratóri­os quan­to no vo­lu­me de re­cur­sos que ve­nham a ser dis­po­ni­bi­li­za­dos pe­los países ri­cos.

Sa­be­mos que o ati­vis­mo em HIV/AIDS é di­fe­ren­te das ou­tras for­mas de ati­vis­mo por ser cul­tu­ral, o que exi­ge um gran­de es­forço. Além de de­nun­ci­ar vi­o­lação de di­rei­tos, exi­gir ciência e tec­no­lo­gia e lu­tar por re­cur­sos, ain­da pre­ci­sa que­brar pa­ra­dig­mas, der­ru­bar ta­bus, mu­dar sis­te­mas cul­tu­rais e mo­rais en­rai­za­dos nas mais di­ver­sas so­ci­e­da­des, rom­per cos­tu­mes se­cu­la­res, nor­mas es­ta­be­le­ci­das, ide­o­lo­gi­as e ve­lhas mo­ra­li­da­des. E, por is­so, é tão com­ple­xo.

En­quan­to mi­li­tan­te da lu­ta con­tra a AIDS, acre­di­to que o ati­vis­mo po­de mor­rer de fa­to se dei­xar­mos de la­do a so­li­da­ri­e­da­de, nos­so propósi­to mais ca­ro. Ser ati­vis­ta é questão de sen­ti­men­to e es­co­lha, não uma im­po­sição. É pre­ci­so en­ten­der que o ati­vis­mo pul­sa nas nos­sas vei­as e a mi­litância na lu­ta con­tra a AIDS pre­ci­sa cons­ti­tuir for­mas in­te­li­gen­tes de lu­tar por um mun­do me­lhor no qual pos­sa­mos vi­ver e con­vi­ver nu­ma so­ci­e­da­de mais equâni­me, com jus­tiça, igual­da­de, li­ber­da­de e res­pei­to à vi­da.

. Por:Ch­ris­ti­a­no Ra­mos ,Ati­vis­ta, pre­si­den­te da ONG – Ami­gos da Vi­da, com se­de em Brasília-DF, e vi­ve com o HIV/AIDS há 22 anos.


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5:17:45 PM

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