O longo caminho rumo às luzes da ribalta

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O GLOBO | NITERÓI

AIDS

19/06/2010

Cultura admite falta de incentivo, mas diz que classe não tem iniciatIva

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O teatro niteroiense viveu seu auge nos anos 60 e 70, quando, de acordo com o Fórum de Artes Cênicas, mais de 20 companhias atuavam na cidade, que também oferecia mais espaços para ensaios e apresentações. Hoje, um grande número de reivindicações faz parte do dia a dia da classe, que questiona a falta de atenção por parte do poder público. O secretário municipal de Cultura, Claudio Valério Teixeira, admite que Niterói tem feito mais por outras áreas, mas afirma que isso também é reflexo da falta de iniciativa do setor.

– Não cabe ao poder público criar alternativas, mas apoiar os núcleos criativos. Foi feito mais pelo balé e por outros setores como as artes plásticas, mas a culpa deve ser dividida.

Tem que ter um movimento que indique aquilo que eles querem – pondera o secretário, que diz estar aberto ao diálogo e não descarta, no futuro, a construção de um teatro na Região Oceânica.

Um das principais vertentes do teatro niteroiense é a infantil. Atualmente, diversas companhias investem no mercado que serve também como movimento de formação de plateia, já que de acordo com Carlos Fracho, diretor da Coof Cia. Teatral, esta é uma forma de mostrar, desde cedo, a grandiosidade do teatro: – A cidade gosta e prestigia o teatro infantil. E exatamente por isso vemos, de dois ou três anos para cá, uma invasão deste tipo de espetáculos.

Mesmo com esse intenso movimento, as companhias ainda enfrentam dificuldades. Entre as principais estão a falta de patrocínio e de infraestrutura para que o trabalho seja desenvolvido.

– Ensaiamos em locais onde conseguimos parcerias. Temos dificuldades típicas de empreendedores e vamos nos estruturando artesanalmente.

As leis de incentivo são complexas e isso atrapalha o processo – analisa Wagner Duarte, diretor da Cia. Girassol.

Ator cria café-teatro na casa da mãe

Para solucionar o problema de espaço, Eduard Roessler, diretor da Companhia Papel Crepon, que está há mais de 30 anos no mercado, construiu na casa da mãe uma espécie de café-teatro, utilizado para as oficinas e até pequenas as apresentações.

– O Teatro Popular não funciona.

Reivindicamos tanto um espaço e foi feito aquilo, que é inviável. Para os grupos independentes, é muito difícil conseguir espaço. As pessoas sofrem, e a cidade perde muito com isso – explica Roessler.

Mesmo com toda a dificuldade, o teatro infantil em Niterói também tem sua função social. É o caso da Cia. Recontando Conto, ligada à Casa Maria de Magdala, instituição que cuida de pessoas infectadas pelo vírus da AIDS.

– Toda a renda das apresentações é revertida para a sede cultural da entidade. Futuramente, o lugar abrirá espaço para jovens de comunidades, que vão passar o contraturno desenvolvendo atividades – comemora Andréa Terra, diretora da companhia.

Já Guga Gallo, que dirige a Cia.

Arte de Interpretar, diz que sempre investiu, sobretudo nos espetáculos infantis, mas, desbravando um novo caminho, ele começa a produzir espetáculos adultos, como o “Quem ó… na minha mulher”, em cartaz na cidade: – É necessário repetir o sucesso do infantil no teatro adulto. Vai chegar uma hora em que vamos começar a mesclar. Queremos criar um hábito nas pessoas. O público tem que perder esse preconceito.

A valorização do teatro adulto também faz parte da pauta do Fórum de Artes Cênicas, que tem buscado apoio para a realização de uma mostra desse tipo de espetáculo.

– Estamos, por meio de nossa luta, tentando aglutinar o público.

No ano passado, montamos um espetáculo adulto e continuamos nessa busca – afirma Antonio De Caz, coordenador do fórum.

Sohail Saud, diretor do Teatro Municipal, único palco da iniciativa pública em funcionamento em Niterói – o Teatro da UFF e o Teatro Popular estão em obras – , defende a abertura das portas da casa para as companhias de Niterói, desde que apresentem qualidade.

– O público de Niterói é muito inteligente e só comparece quando o espetáculo é bom. Hoje, o que se tem na cidade é uma boa atividade do teatro infantil e uma tentativa de retomada do adulto. É importante que este setor ocupe seu espaço na cidade, e cabe a nós dar a oportunidade para que mostre seu trabalho – conclui Saud.

Aposta na profissionalização

Cursos formam atores mais completos

Entre as apostas do teatro niteroiense estão os cursos de formação de atores. Com a vinda do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado do Rio de Janeiro (Sated-RJ) para a cidade, ainda sem data para acontecer, a Ancart, escola de Antônio Carlos Viegas, que funciona no Centro de Niterói, passará a oferecer, entre outras atividades, um curso profissionalizante. Por lá, os alunos poderão aprender técnicas e teorias que vão muito além da simples interpretação.

– Falta, no Brasil inteiro, a formação técnica para atores. Muitas vezes, eles são formados em sala de aula e, quando chegam ao palco, não sabem como funciona. É importante atualizá-los quanto ao espaço cênico – destaca Bira Vasconcellos, professor de iluminação.

O mesmo tipo de trabalho será feito pelo idealizador do Núcleo de Ensino e Pesquisa de Artes Cênicas (Nepac), Leonardo Simões. Em parceria com a UFF, ele oferecerá, a partir do segundo semestre de 2011, cursos de extensão, que terão duração de dois anos.

– O trabalho começou em 2006 e permaneceu até 2008, depois demos uma pausa. Foi um período de implantação difícil, mas o curso existe como um embrião para a criação de um curso de graduação na UFF – comemora Simões, acrescentando que o Nepac presta ainda diversos outros serviços.

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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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