|
80% dos brasileiros soropositivos estão na faixa etária reprodutiva Francisco Gomes Dados divulgados pelo Ministério da Saúde revelam que, no Brasil, aproximadamente 600 mil pessoas estão contaminadas pelo vírus da AIDS, o HIV. Desse total, cerca de 80% se encontram na faixa etária reprodutiva. Entre os anos de 2008 e 2009, cerca de mil mulheres que viviam com HIV engravidaram, e para fortalecer os direitos sexuais e reprodutivos dessa parcela da população, que deseja ter filhos, o DEPARTAMENTO DE DST/AIDS e Hepatites Virais lançou ontem, em Brasília, as Estratégias de Redução de Risco de Transmissão Sexual do HIV no Planejamento da Reprodução. A publicação orientará profissionais da área de saúde sobre como tratar do assunto com casais soroconcordantes, quando ambos têm HIV, ou sorodiscordantes, quando apenas um é SOROPOSITIVO. A proposta é reduzir os riscos de transmissão sexual do vírus ao parceiro e evitar novas infecções, incluindo as hepatites virais. Durante o lançamento do documento, estiveram presentes o diretor adjunto do Programa Nacional de DST/AIDS do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, e o médico infectologista e assessor técnico do Departamento DST/AIDS, Ronaldo Hallau. Barbosa enfatizou a importância da cartilha, que, segundo ele, foi elaborada há mais de um ano. “Considerando os dados e o estágio da epidemia no país, nós precisávamos discutir o assunto em um contexto de inclusão das pessoas que têm o vírus. Não dá pra desconsiderar essa demanda e o direito que elas têm de serem assistidas pela rede pública de saúde”, afirmou o diretor. Eduardo Barbosa lembrou que o texto do suplemento foi elaborado com base em evidências científicas disponibilizadas pelo Ministério, e discutido com os Comitês de Terapia Antirretroviral para Adultos e Terapia Antirretroviral para Gestantes infectadas pelo HIV. Os comitês são formados por especialistas de todo o Brasil, representantes da sociedade civil, pesquisadores e gestores DST/AIDS. Além de distribuir o suplemento nos 700 postos de Serviços de Atendimento Especializados (SAE), o Departamento capacitará profissionais de saúde para atender a demanda de casais. “A nossa intenção é fazer com que a gravidez entre pessoas que vivem e convivem com HIV e AIDS aconteça com o máximo de segurança possível, tanto para os pais, quanto para o bebê”, completou Barbosa Já o infectologista Ronaldo Hallau destacou que, de acordo com as novas recomendações, é necessário que as equipes estejam preparadas para discutir o assunto com os casais que desejam ter filhos. “Uma vez havendo desejo de paternidade ou maternidade, é necessário estabelecer um planejamento conjunto. Para os casais que optarem pelos métodos naturais, é importante não ter infecções genitais, apresentarem estabilidade imunológica, boa adesão ao tratamento e carga viral indetectável”, explicou Hallau. O médico reforçou que o suplemento é voltado prioritariamente para profissionais de saúde. “Este documento atualiza procedimentos terapêuticos indicando quando e como prescrever o uso de ANTIRRETROVIRAIS, em situações como, por exemplo, quando a CAMISINHA se rompe ou sai durante a relação e um dos parceiros não sabe se tem ou não o vírus. O principal objetivo dessas recomendações é diminuir o risco de transmissão em casos excepcionais”, esclareceu o infectologista. Para receber os medicamentos, a pessoa exposta deve procurar os SAEs ou aqueles serviços que já atendem situações de urgência, como nos casos de acidente ocupacional ou de violência sexual. “Essa busca pelo atendimento deve ocorrer, preferencialmente, nas duas horas após a relação sexual desprotegida e, no máximo, em até 72 horas. É importante ressaltar, no entanto, que a estratégia do Departamento é sempre incentivar o uso da CAMISINHA como forma de prevenir a infecção pelo HIV“, reforçou Ronaldo Hallau. Antônio e Maria (nomes fictícios) moram na Fraternidade Assistencial Lucas Evangelista (Fale), localizada no Recanto das Emas. Ele já tem o vírus há mais 18 anos, ela, há 21 anos. Para ele, o documento lançado pelo Ministério da Saúde é importante para orientar bem os profissionais de saúde para que estes saibam como passar as informações corretas para os casais que tem o desejo de ter filhos. “A gente sempre usou CAMISINHA. Mas, em uma determinada ocasião, houve o rompimento do PRESERVATIVO e ela engravidou. Felizmente, eu já sabia como lidar com a situação. Durante o parto, os médicos fizeram todos os procedimentos de descontaminação na minha filha, que hoje tem 10 anos e não tem o vírus”, disse. Ao receber o coquetel pós-exposição, a pessoa é orientada sobre os objetivos da utilização dos medicamentos, os possíveis efeitos adversos e a importância dos medicamentos. O consenso reforça, para o profissional de saúde, a relevância de uma atitude acolhedora e sem julgamento no atendimento. Além de propiciar formação do vínculo, a estratégia favorece a adesão às medidas recomendadas, especialmente as preventivas. TRIBUNA DO BRASIL – DF | GRANDE BRASÍLIA
|
{linkr:related;keywords:filhos;limit:50;title:mais+artigos}
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.
E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:
Chave Pix: solidariedade@soropositivo.org
Você também pode me escrever para: claudio@soropositivo.org
Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
