Um estudo com os novos inibidores da protéase para a hepatite C introduzido num grupo de doentes que não podiam esperar por um novo tratamento experimental antivírico revelou uma taxa muito mais elevada de efeitos secundários graves e de descontinuação do tratamento do que nos ensaios clínicos, segundo reportou o Dr. Christophe Hézode representante do estudo coorteFrench Compassionate Use of Protease Inhibitors in Cirrhotics durante o International Liver Congress 2012, em Barcelona.
Contudo, as taxas de resposta virológica após 16 semanas de tratamento foram elevadas neste grupo de doentes, que tinham anteriormente recaído ou falhado a resposta à combinação com interferão peguilado e ribavirina.
O programa e o estudo coorte foram implementados antes do licenciamento do telaprevir (Incivo®/Incivek®) e do boceprevir (Victrelis®) na Europa, de forma a disponibilizar um acesso precoce aos novos medicamentos em doentes com hepatite C e com necessidade urgente de tratamento. De acordo com a lei francesa, os medicamentos em fase experimental podem ser disponibilizados antes do licenciamento para doentes em situação de urgência clínica, caso os dados sobre a segurança dos mesmos estejam reunidos.
O estudo coorte pretendia avaliar os resultados nas pessoas a fazer os novos medicamentos e, em particular, avaliar a tolerabilidade e eficácia destes fármacos em pessoas mono infetadas pelo VHC e com cirrose compensada com historial prévio de ausência de resposta ou recaída após o tratamento padrão com interferão peguilado e ribavirina.
O acesso precoce ao telaprevir ou ao boceprevir foi disponibilizado a 655 doentes em 55 hospitais franceses; 445 foram elegíveis para inclusão na análise sobre a cirrose (296 sob telaprevir, 149 sob boceprevir).
O regime terapêutico com telaprevir consistiu em doze semanas de tratamento em combinação com o tratamento padrão para a hepatite C, seguido de 36 semanas com interferão peguilado e ribavirina. O regime composto por boceprevir consistiu em quatro semanas de tratamento inicial com interferão peguilado e ribavirina, seguido de 44 semanas sob boceprevir com interferão peguilado e ribavirina.
Este estudo não reportou sobre a resposta virológica sustentada após a finalização do tratamento nem sobre a eficácia e efeitos secundários das primeiras 16 semanas de tratamento. Contudo, a reposta virológica das pessoas sob tratamento à 16ª semana demonstrou que 86% (177 dos 205 doentes) sob telaprevir e 71% (89 dos 126) sob boceprevir tinham carga viral de VHC indetetável.
Não houve randomização, o que impossibilitou qualquer comparação entre os perfis de segurança de ambos os medicamentos.
A maioria dos doentes era do sexo masculino e a média de idades foi de 57 anos.
Quase metade (48,6%) dos doentes a receber telaprevir teve efeitos secundários graves, tal como 38% das pessoas tratadas com boceprevir. Esta elevada prevalência de efeitos secundário graves contrastou com as taxas de 9 e 14% observadas nos estudos de fase III que levaram ao licenciamento dos medicamentos. Cerca de 14,5% dos doentes sob telaprevir e 7% sob boceprevir interromperam o tratamento devido aos efeitos secundários graves.
“O perfil de segurança do telaprevir ou do boceprevir com o interferão peguilado/ribavirina em doentes com cirrose hepática foi fraco”, comentam os investigadores.
Anemia de grau 2 (definida por 8,0-10,0 g/dl) foi observada em 19,6% dos doentes sob telaprevir e em 22% dos doentes que receberam tratamento baseado no boceprevir. A anemia de grau 3-4 (< 8,0 g/dl) foi observada em 10% dos doentes que receberam telaprevir e em 10% dos doentes sob boceprevir.
O tratamento com eritropoetina (para aumentar os glóbulos vermelhos) para a anemia foi disponibilizado a 56% dos doentes sob telaprevir e a 66% sob boceprevir. Um quinto das pessoas sob telaprevir e 10% sob boceprevir precisaram de transfusões de sangue.
Trombocitopenia grave (grau 3-4, <50 000/mm3) foi, também, comum e observada em 13% e 17% dos doentes tratados com telaprevir e boceprevir, respetivamente. Neutropenia de grau 3-4 (< 1000/mm3) foi observada em 5% dos doentes sob telaprevir e boceprevir.
Apesar de ter sido raro ocorrerem infeções graves (1 para 2%), uma larga percentagem de doentes desenvolveu outros efeitos secundários graus 3-4 como rash, prurido e descompensação hepática (53% telaprevir; 32% boceprevir).
“Estes dados aconselham a administração cautelosa de terapêutica tripla com monitorização intensiva nos…doentes (com cirrose)”, concluem os investigadores.
Referência
Hezode C et al. Safety of telaprevir and boceprevir in combination with preginterferon alfa/ribavirin, in cirrhotic non responders. First results of the French early access program (ANRS CO20-CUPIC). International Liver Congress 2012.
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