As agressões contra mulheres acontecem de formas variadas, e podem ser veladas ou bastante explícitas. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon, em parceria com o Data Popular, mostra que a violência contra mulheres é uma prática mais comum e generalizada do que muitos imaginam. O estudo, chamado “Violência Doméstica: o jovem está ligado?”, foi feito a partir de entrevistas com 2 mil jovens, entre 16 e 24 anos, em todas as regiões do Brasil. Apesar de a maioria dos entrevistados (96%) aprovarem a Lei Maria da Penha e reconhecerem a existência do machismo no Brasil, mais da metade dos homens (55%) afirmou já ter agredido uma mulher de alguma forma, seja empurrando, batendo, humilhando em público ou proibindo de usar algum tipo de roupa.
Infelizmente, a violência contra a mulher ainda está longe de acabar no Brasil. No entanto, é preciso que os homens se conscientizem sobre o que de fato é violência. Ser violento com uma mulher não é apenas bater ou machucar fisicamente. Quando uma mulher está caminhando sozinha pela rua e é assediada por um desconhecido, muitas se sentem acuadas, com medo. Mas vários homens consideram isso uma forma de elogiar a mulher! Isso é um grande absurdo e precisa ser mudado! Quando falamos entre homens e mulheres que têm um relacionamento amoroso, podemos ver que o avanço das redes sociais ajuda a potencializar o controle e submissão. Mais da metade das mulheres entrevistadas na pesquisa (51%) afirmaram terem dado a senha do celular para o parceiro e 46% dividiam a senha do Facebook.
Muito desse comportamento agressivo é estimulado pela cultura machista da nossa sociedade e pela própria família. Ainda segundo a pesquisa,
43% dos jovens já viram a mãe ser agredida por algum parceiro do sexo masculino. 64% dos homens jovens que admitiram ter praticado algum tipo de violência contra uma parceira presenciaram cenas de violência doméstica em casa. No Brasil, é comum a culpabilização da vítima nos casos de estupro e agressão contra mulheres. Quando se procura compreender as razões pela qual um crime grave como o estupro ocorreu, é de praxe colocar uma parte da culpa na mulher: ou ela estava usando roupas muito curtas, ou ela foi provocante demais, entre outras razões. Esse tipo de pensamento protege o agressor e ajuda a perpetuar a cultura machista e misógina que sempre esteve entre nós. Muitos homens até hoje não sabem que sexo sem consentimento, mesmo que com a namorada ou esposa, é considerado violência sexual e rende pena de reclusão de 2 a 6 anos de prisão, de acordo com a lei 12.015.
Para que este panorama negativo mude, é necessário que nós, mulheres, conheçamos melhor nossos direitos! Deve haver uma conscientização sobre o que é violência de gênero e as mulheres não podem ter medo de denunciar! A certeza da impunidade é o combustível do comportamento agressivo e violento. Mudanças culturais não acontecem rapidamente e, por isso, toda a sociedade deve cobrar do governo e da polícia ações rigorosas contra os agressores. As leis de proteção às mulheres, como a Lei Maria da Penha, são severas mas ainda pouco cumpridas. E isso precisa mudar imediatamente. Afinal, a vida de muitas mulheres está, neste exato momento, em risco!
Apresentação de Slides por avonfalesemmedo
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