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29/NOVEMBRO/07 |
Atualizado Quarta-feira, 28/11/2007 às 02h00
Com atraso, Brasil entra no rol de países com IDH alto
Pela primeira vez desde que índice passou a ser divulgado, o País apresenta um número que o inclui no grupo de "alto desenvolvimento humano"; Argentina está na elite há 20 anos
Agência Estado
redacao@odiariomaringa.com.br
Mais de 20 anos depois da Argentina, que obteve a marca nos anos 80, o Brasil entrou para o clube dos países considerados de alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo relatório divulgado ontem pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud). Segundo a BBC Brasil, porém, a ascensão se deve não só a melhorias na qualidade de vida, mas à revisão de alguns indicadores brasileiros.
De acordo com o relatório, o Brasil atingiu o IDH 0,800, em uma escala de 0 a 1. Países com índice inferior a 0,800 são considerados de "médio desenvolvimento humano", categoria na qual o Brasil figurava desde 1990, quando o Pnud começou a divulgar o ranking.
Os dados são referentes a 2005. No relatório de 2004, o IDH do Brasil foi de 0,798. Apesar de ter tido uma pontuação maior, o País caiu uma posição no ranking e agora ocupa o 70º lugar, o último entre os de nações com "alto desenvolvimento".
Além do Brasil, países como Rússia, Macedônia, Albânia e Belarus ingressaram no rol de "alto desenvolvimento humano."
Revisão
O Brasil subiu no ranking do IDH não só devido a melhoras reais nos campos avaliados pelo Pnud, mas também em função de revisões de estatísticas nos bancos de dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Banco Mundial, órgãos que fornecem os números para o Pnud, normalmente baseados em dados produzidos pelos próprios países.
Um dos exemplos é a recente revisão de metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que alterou para cima o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2005. Em vez de 2,9%, o IBGE declarou que a economia do Brasil cresceu 3,2% naquele ano.
Revisões estatísticas também revelaram que os padrões de educação e expectativa de vida no Brasil aumentaram em 2005. A expectativa de vida média subiu de 70,8 anos, no relatório anterior (71,5 no número revisado), para 71,7 anos em 2005. A revisão foi feita em 62 países, a partir do ajuste do impacto da Aids na longevidade das populações, menor do que se pensava anteriormente.
Desempenho
Apesar das melhorias, o ingresso do País no grupo de nações com alto índice de desenvolvimento ocorre de forma tardia e com desempenho ainda bastante tímido. Uma rápida olhada nos indicadores mostra o quanto a atuação do País está aquém dos vizinhos Chile, Uruguai, da Argentina e também do México. "Caso queira se aproximar de outros países, o Brasil precisa adotar uma agenda específica", avalia o assessor especial para Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, o economista Flávio Comim.
O assessor se vale de cinco indicadores para mostrar o longo caminho a ser percorrido, a começar pela desigualdade social. Em 2004, a faixa 20% mais rica de brasileiros ganhava 21,8 vezes a mais do que o grupo 20% mais pobre. No México, tal índice é expressivamente menor: 20% mais ricos ganham 12,8 vezes mais do que os 20% mais pobres. No Uruguai, 10,2 vezes; e no Chile, 15,7.
Cenário
"O copo do Brasil ainda está meio vazio. Há muito o que ser feito para se aproximar da Argentina, que desde a década de 80 está entre o grupo de alto desenvolvimento humano", completa Comim.
O número de mortes registradas entre mulheres durante ou logo depois do parto é o segundo exemplo dado pelo economista. No Brasil, são registradas 110 mortes por cada 100 mil habitantes. Na Argentina, são 77 por 100 mil. O México apresenta um índice ainda menor: 60 por 100 mil, o que representa quase a metade da marca brasileira.
A mortalidade entre menores de cinco anos também é significativamente maior no Brasil. São 33 mortes por mil nascidos vivos. Na Argentina, são 18 mortes por mil e no Uruguai, 15, menos da metade da taxa brasileira.
Na área de saneamento, o exemplo brasileiro também deixa a desejar. Em 2004, a rede de esgoto atendia a 75% da população. No Uruguai, a rede já atendia a 100% da população e na Argentina, 91%. Com abastecimento de água, a situação não é diferente. Na Argentina, 96% da população têm acesso à água encanada. No Chile, 95%, enquanto no Uruguai, 100%. O Brasil oferece abastecimento para 90% da população, o mesmo que o Nepal, o 142º colocado no ranking do IDH. "O que se vê são cinco áreas em que o Brasil ainda precisa melhorar de forma significativa. Em alguns quesitos, o País apresenta taxas parecidas com as africanas", completa.
Conceito amplo
O próprio Pnud reconhece que o IDH não é suficiente para avaliar o nível de desenvolvimento humano de um país. "O conceito de desenvolvimento humano é amplo demais para ser capturado pelo IDH", diz o website do programa. Um dos objetivos do índice, ainda de acordo com o Pnud, é "chamar a atenção dos formuladores de políticas públicas e da mídia para questões humanas", tirando um pouco o foco de indicadores meramente econômicos.
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