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Prevalência da hepatite C nas pessoas que vivem com VIH no Reino Unido é de 9%

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Michael Carter

Segundo reportam os investigadores no Journal of Viral Hepatitis, pouco menos de 9% das pessoas seropositivas para o VIH no Reino Unido estão co-infectadas com o vírus da hepatite C.

 

“Em comparação com outros grandes estudos coorte, o total da prevalência do VHC [vírus da hepatite C] de 8,9% no Reino Unido…é baixa”, segundo comentam os investigadores. Pensam que tal é devido à baixa prevalência do VIH em utilizadores de droga por via injectada no Reino Unido.

 

Contudo, aproximadamente 20% dos doentes com VIH no Reino Unido nunca fez o teste para a hepatite C, apesar de as orientações recomendarem a todos os doentes o rastreio anual.

Positivamente, não houve qualquer evidência de que a co-infecção resultou numa resposta mais fraca à terapêutica anti-retroviral (TARc).

 

A doença hepática causada pelo vírus da hepatite C é, actualmente, a maior causa de doença e morte nas pessoas que vivem com VIH (PVVIH). Mas, há falta de informação detalhada sobre a prevalência do VHC nas PVVIH no Reino Unido. Há, também, pouca informação sobre o teste para a hepatite C e o impacto da co-infecção na resposta à TARc.

 

Desta forma, os investigadores do UK Collaborative HIV Cohort (UK CHIC) levaram a cabo um estudo observacional que envolveu 31 765 doentes seguidos em dez clínicas para o VIH, entre 1996 e 2007. A prevalência da co-infecção (determinada pelo resultado positivo do anticorpo da hepatite C), tendências do teste e a resposta à TARc foram monitorizadas.

 

No total, 64% dos doentes fizeram o teste para a hepatite C, pelo menos uma vez. A proporção de doentes que fizeram o rastreio para o vírus aumentou de 9% em 1996 para 80% em 2007.

 

 “Tem havido instruções claras de que todos os doentes com VIH devem fazer o rastreio desde, pelo menos, 2004”, escrevem os investigadores. Mas, mesmo assim, “20% dos doentes em seguimento em 2007, aparentemente, nunca fizeram o teste. A última orientação da BHIVA [British HIV Association] recomenda o rastreio a todos os doentes seropositivos para o VIH no momento do diagnóstico, com a repetição anual do teste para aqueles que o resultado foi negativo”.

 

As taxas do teste diferiram de acordo com o grupo analisado, sendo superior nos homens gay (74%), seguido por homens e mulheres heterossexuais (63%). Apesar de o uso de drogas por via injectada constituir um factor de risco definido para a hepatite C, apenas 50% das pessoas com historial de consumo de drogas injectáveis tinha feito o teste para o VHC.

 

Porém, os investigadores pensam que o verdadeiro valor da prevalência do teste neste grupo é supostamente superior. Comentam que “estes doentes poderão ter maior probabilidade de já terem realizado o teste.” Os investigadores indicam também que as taxas elevadas de mortalidade e perda no acompanhamento entre os utilizadores de drogas por via injectada poderá significar também que este grupo tem menor probabilidade de fazer o rastreio para o VHC.

 

No geral, a prevalência da hepatite C foi de 9% e a prevalência foi de 8% entre as pessoas que receberam cuidados de saúde em 2007.

 

Por contraste, a prevalência na população geral do Reino Unido estima-se que seja de 0,44%. Os investigadores sugerem a prevalência significativamente superior da infecção entre os doentes do UK CHIC reflecte “as vias de partilha de transmissão do VHC e VIH.”

 

A prevalência da hepatite C diferiu entre os grupos em risco para o VIH. Foi mais elevada nos injectores de drogas (84%), seguida pelos homens gay (7%) e homens e mulheres heterossexuais.

 

Todavia, os investigadores indicam que algumas infecções pelo VHC em homens gay podem, actualmente, ser devido ao uso de drogas por via injectada, sugerindo que este comportamento possa ser “sub-notificado por alguns HSH [homens que têm sexo com homens], o suficiente para os pôr em risco de infecção pelo VHC. A sub-notificação de uso de droga injectável como um risco para a transmissão da infecção pelo VHC em HSH pode igualmente afectar outras coortes.”

 

A maioria dos doentes co-infectados era homens (80%), caucasianos (82%), com uma média de idade de 37 anos. O risco independente mais forte para a co-infecção pelo VHC foi o grupo de transmissão do VIH.

 

Os utilizadores de droga por via injectada tinham maior probabilidade de estarem co-infectados do que todos os outros grupos em risco (p < 0,0001).

 

O impacto da co-infecção na resposta à TARc foi analisado em 9 669 doentes que iniciaram o tratamento anti-retroviral após 2000. Um total de 4% destes doentes era co-infectado.

 

No geral, 91% dos doentes alcançaram a supressão da carga viral. Os doentes co-infectados tinham tantas hipóteses como os doentes apenas infectados pelo VIH de alcançar este objectivo.

 

Não houve nenhuma associação entre a co-infecção e a subsequente subida da carga viral. A juntar, o aumento na contagem de células CD4 foi comparável entre os doentes co-infectados e mono-infectados pelo VIH.

 

 “Concluímos que não há associação entre a co-infecção pelo VHC e resposta virológica inicial, subida da carga viral ou resposta na contagem de células CD4”, enfatizam os investigadores. Observam que os resultados da coorte do estudo suíço demonstraram que a co-infecção não teve impacto na resposta virológica à TARc. 

 

 “O total cumulativo da prevalência do VHC de 8,9% no UK CHIC é mais baixo do que em outros estudos coorte, entre os quais a proporção de utilizadores de drogas é mais elevada”, concluem os investigadores. Mas mesmo assim, enfatizam que esta taxa de co-infecção é ainda “substancialmente representativa do peso da doença.”

 

Referência

 

Turner J et al. The prevalence of hepatitis C virus (HCV) infection in HIV-positive individuals in the UK – trends in HCV testing and the impact of HCV on HIV treatment outcomes. J Viral Hepat, 17: 569-77, 2010 (clique aqui para aceder gratuitamente ao abstract).

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