Prognóstico

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Informativo 71 – Revisto Janeiro 2004

Tradução Wilson Lobo

Ao descobrir que têm uma doença grave, é natural você querer saber quanto tempo permanecerá saudável e como a sua saúde será alterada no futuro. A palavra utilizada para a previsão do curso provável de uma doença é prognóstico, que vêm do antigo grego e significa ‘saber antecipadamente’.

Desde que os primeiros casos de AIDS foram diagnosticados no início dos anos oitenta, o prognóstico para pessoas com HIV tem mudado drasticamente. Durante os primeiros dias da AIDS acreditava-se que a maioria das pessoas morreria dentro de poucos meses após o diagnóstico da doença. Isto melhorou, em parte, porque o vírus do HIV foi identificado como o causador da AIDS e leva vários anos para destruir gradualmente o sistema imunológico e porque os médicos progressivamente aprenderam mais sobre o reconhecimento e o tratamento das infecções e dos tipos de câncer que freqüentemente ocorrem nas pessoas com HIV. Até a de dos anos noventa (antes da introdução de HAART), acreditava-se que nos países ricos como a Grã Bretanha demoraria, em média, de oito a quinze anos para a ocorrência de doenças mortais ou morte, após a infecção com o vírus de HIV.

Muitos especialistas acreditam agora que uma pessoa com HIV poderá contar com um ciclo de vida mais ou menos normal, desde que receba um tratamento anti-HIV eficaz, antes que seu sistema imunológico sofra graves danos causados pelo vírus, e, que tome corretamente seus medicamentos e seja capaz de tolerá-los.

Como é feita a previsão do prognóstico para HIV?

Os exames principais para se obter o prognóstico são os de contagem das células CD4, que fornece uma indicação do estado de saúde do sistema imunológico e o exame de carga viral que analisa a quantidade de HIV no sangue. No momento em que a contagem de CD4 abaixa e a carga viral aumenta o risco de adoecer ou morrer, em curto prazo, se torna maior.

Ao fazer um prognóstico para HIV, os médicos geralmente usam como referência o ‘Multicenter AIDS Cohort Study’. Foi ali que foi estabelecida a relação entre a carga viral e a contagem de células CD4 e o risco de progredir para AIDS ou morrer em três anos. Essa informação é freqüentemente utilizada para se tomar decisões sobre quando iniciar um tratamento para HIV. (Veja o Informativo da NAM: Carga viral e CD4).

Tratamento anti-HIV e prognóstico

O uso de Terapias Altamente Potentes (HAART: medicamentos que desaceleram a velocidade em que o vírus é capaz de se reproduzir) a partir da de dos anos noventa, levou a melhoras excepcionais no prognóstico das pessoas com HIV. Por exemplo, a taxa de mortalidade causada por AIDS no Reino Unido, diminuiu de uma taxa maior que 1.500 em 1994 para, aproximadamente, 400 por ano atualmente. Neste país, as mortes causadas pela AIDS que continuam a ocorrer, freqüentemente, acontecem entre as pessoas que foram diagnosticadas tardiamente no curso da doença, quando seu sistema imunológico já está bastante danificado.

Estudos no prognóstico de pessoas iniciando HAART indicam que o risco de se tornar gravemente enfermo ou de morrer por causa do HIV nos próximos três anos está relacionado com cinco fatores chaves: possuir ao iniciar o tratamento uma contagem de células CD4 abaixo de 200 ou uma carga viral acima de 100.000; ter mais de 50 anos de idade; ser usuário de drogas injetáveis; ou ter tido uma doença causada pela AIDS.

No Reino Unido a recomendação é que o tratamento anti-HIV tenha início antes que sua contagem de células CD4 caia para menos de 200, uma indicação de que o HIV danificou o seu sistema imunológico a tal extensão que você está vulnerável a doenças graves. É também altamente recomendável que você inicie seu tratamento com medicamentos anti-HIV se adoecer por causa do vírus. Iniciar o tratamento nessas condições tem mostrado melhorias no prognóstico em comparação com o início tardio do mesmo.

Outros fatos para considerações

Algumas doenças não relacionadas com AIDS são relativamente freqüentes nas pessoas HIV-positivas. Essas incluem doenças do fígado causadas pela hepatite B ou C, e certos tipos de câncer, como o pulmonar, testicular e anal; e doenças mentais como depressão. Os próprios medicamentos anti-HIV podem, também, causar efeitos colaterais em longo prazo, os quais podem afetar seriamente sua saúde e qualidade de vida.

Obviamente, além de HIV, existem várias outras causas para a saúde debilitada, portanto, as recomendações gerais de saúde (Por exemplo, parar de fumar, exercitar-se regularmente, fazer uma dieta balanceada.) são também fundamentais para as pessoas com HIV.

Acessibilidade a tratamento médico

Para as pessoas com pouco ou nenhum acesso aos serviços especializados em HIV e aos serviços de saúde o prognóstico é bem menos otimista, com o HIV normalmente causando doenças e morte em cinco a dez anos. De qualquer forma, mesmo onde os medicamentos para HIV não estão disponíveis, recorrer a tratamentos para infecções como a TB [Tuberculose] pode aumentar o prognóstico consideravelmente.

Mesmo em países ricos, continua sendo importante que as pessoas sejam tratadas por médicos especializados no controle da infecção pelo HIV, isto tem apresentado melhorias do prognóstico.


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