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Valor Econômico |
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03/JANEIRO/08 |
Projeto na região inclui obras em saúde e educação
Do Rio
A investida na África exigiu da Vale, após ganhar a concorrência do projeto de carvão, compromissos com o governo moçambicano de tocar investimentos sociais na região de Moatize. Moçambique, com uma população de 19 milhões de habitantes, está em 170º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. De 2005 a 2007, a multinacional brasileira investiu cerca de US$ 7 milhões em projetos sociais no país, disse André Vasconcellos, gerente da companhia.
"Finalizamos a primeira etapa de investimentos sociais assumidos com o governo moçambicano envolvendo projetos nas áreas de educação, saúde, atividades agrícolas e de assistência social em Moatize", disse Vasconcellos. "Agora, inauguramos a fase de discussão de novos projetos sociais, que incluem os reassentamentos das famílias e criação de novos empregos, calculo entre 3 mil a 5 mil postos entre diretos e indiretos. A prioridade da companhia é usar mão de obra local", garante.
Na primeira leva de investimentos sociais, durante estudos de viabilidade do projeto, a Vale investiu na formação de mão de obra local e criou um curso profissionalizante de geologia e minas para jovens da região.
Na área de saúde foram recuperados dois hospitais, o Provincial de Tete e o Centro de Saúde de Moatize, próximo das minas de carvão. E foi feito um trabalho para capacitar profissionais na área de saúde no tratamento de doenças retrovirais, dentre as quais está incluída a AIDS, que atinge a população local.
Foi desenvolvido ainda um projeto de capacitação para o trabalho agrícola, já que grande parte da população é ligada à pequena agricultura. A Vale também reconstruiu orfanatos.
A prioridade da Vale, agora, na área social, é trabalhar para contratar mão de obra local, apesar da presença das doenças e da pouca qualificação dos moradores da região. "As famílias vivem em grande parte da pequena agricultura, mas vamos providenciar para ter pessoas de Moatize no nosso processo de seleção de futuros empregados. Pretendemos conseguir o máximo de mão de obra local na implantação do projeto. Na fase de início da operação, a partir de 2011, serão absorvidos 2 mil trabalhadores", informou Vasconcellos.
Outro ponto destacado pelo executivo é a orientação da empresa para tocar uma ação intensiva na área de saúde para ajudar as comunidades a enfrentar doenças. "Agora que estamos partindo para implantar o projeto já iniciamos contatos com comunidades e parceiros locais, organizações não governamentais (ONGs) e o governo de Moçambique para discutir nossa atuação. Vamos colocar tudo na mesa, inclusive a questão do reassentamento das mil famílias", disse Vasconcellos.
O plano da multinacional para Moatize passa também pela atração de investimentos de empresas brasileiras para a região, onde estuda instalar pelo menos mais seis projetos associados à mina gigante de carvão. Recentemente, os grupos Camargo Corrêa e Odebrecht ganharam a concorrência para construir estruturas nas obras da Vale em Moçambique.
As novidades da companhia tendem a favorecer o desenvolvimento econômico e social do pequeno país africano. E quem sabe, assim, confirmar às lideranças locais de Moatize que não choveu em vão quando a entrada da Vale no país foi abençoada pelos espíritos dos ancestrais de seu povo. (VSD)
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