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Promover só abstinência contra Aids é “inumano” diz comissário da UE
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Um representante da União Européia (UE) disse nesta Segunda-feira que são “inumanas” as tentativas de convencer pessoas a adotar a abstinência sexual como única forma de prevenir o avanço da Aids.
A abstinência é defendida pelos Estados Unidos e Uganda e foi um dos principais temas debatidos nesta segunda-feira na 15ª Conferência Internacional sobre a Aids, em Bangcoc, na Tailândia. “Honestamente, eu não consigo ver a abstinência como sendo uma forma de solução universal para a questão da sobrevivência da humanidade”, disse à BBC Poul Nielsen, comissário de desenvolvimento da UE. “De fato, se essa for a única mensagem, se estaria na verdade empurrando as pessoas contra a parede. E, simplesmente, também não é realista”, disse Nielsen. E concluiu: “quero dizer, é inumano, a idéia de que essa é a única opção e insistir nela não tem qualquer elemento de amor pelos seres humanos. Honestamente, é indecente”. Verbas Os Estados Unidos têm dedicado um terço de suas verbas destinadas ao combate à Aids em países em desenvolvimento a projetos de grupos que defendem a abstinência sexual. Uganda é um dos maiores destinos dessas verbas. Nesta segunda-feira, o presidente do país, Yoweri Museveni, defendeu a tese dos Estados Unidos de que promover a abstinência e a fidelidade é a mais efetiva estratégia de combate à Aids. “Em algumas culturas, a relação sexual é tão elaborada que camisinhas são um obstáculo. Deixem a camisinha ser usada por pessoas que não podem se abster, que não podem ser fiéis ou que são alienadas”, disse Museveni em discurso durante a conferência em Bagcoc. Uganda é um dos poucos países que conseguiram transformar uma crise de casos de Aids em uma história de relativo sucesso ao controlar a epidemia. Tailândia Muitos especialistas dizem que encorajar o uso de camisinhas é a abordagem mais efetiva e citam a Tailândia como exemplo. Uma campanha realizada no país para pedir que as pessoas que trabalham na indústria do sexo insistam no uso de preservativos reduziu os índices de contaminação pelo vírus em sete vezes em relação ao registrado 13 anos atrás. Em meio ao debate sobre estratégias de combate à Aids, o Banco Mundial afirmou que utilizar o dinheiro de iniciativas contra a doença para reconstruir os sistemas de saúde de países duramente atingidos pelo vírus HIV representa um “uso justificado” para esses recursos. De acordo com a instituição, apesar do aumento do dinheiro destinado ao combate à Aids, esses investimentos não se refletiram nos serviços de saúde porque muitos países sofrem com a falta de médicos, enfermeiras e hospitais. |
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