Aumenta número de pessoas que vivem com HIV. No Brasil, drama é com meninas de 13 a 19 anos
Rodrigo Couto
A ampliação do acesso aos antirretrovirais e o aumento do uso de PRESERVATIVOS reduziram em 17% as novas infecções por HIV em todo o planeta. A qualidade de vida dos portadores da doença aumentou em 20% o número total das pessoas que vivem com AIDS no mundo. Os dados, que integram um relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UnAids), divulgado ontem em Brasília, fizeram uma radiografia da enfermidade entre 2000 e 2008. No Brasil, a grande preocupação do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), AIDS e Hepatites Virais é com as jovens de 13 a 19 anos. Nessa faixa etária, desde 1998, são 10 casos de AIDS em meninos para 8 meninas contaminadas via sexual.
À exceção da Europa Oriental e da Ásia Central, há uma tendência de estabilização do HIV em todas as regiões do planeta, incluindo o Brasil. “Apesar dessa constatação, não é possível afirmar que a doença está sob controle. A contaminação nessas áreas (parte da Europa e da Ásia), onde a maioria das infecções ocorria entre os usuários de drogas injetáveis e os profissionais de sexo, está migrando para outros públicos, como os heterossexuais”, explica o coordenador do UnAids no Brasil, Pedro Chequer.
A chamada “feminização” da AIDS no Brasil, sobretudo entre esse público de adolescentes, é o que mais tem preocupado o governo. Um terço dos 630 mil infectados pela enfermidade no país já são mulheres. A prevalência da doença entre os homens de 15 a 49 anos é de 0,82%, enquanto entre as mulheres da mesma faixa etária é de 0,4%. “Já intensificamos nossas ações entre o sexo feminino desde 2007”, ressalta a diretora do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais, Mariângela Simão.
Uma das estratégias para reduzir o número de mulheres infectadas pela doença é a ampliação da distribuição dos PRESERVATIVOS femininos. “No próximo ano, 9 milhões deles devem ser fornecidos. Em 2011, esse número deve chegar a 10 milhões”, diz a ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire. Para aumentar a distribuição, o governo estuda implantar a primeira fábrica de PRESERVATIVOS femininos.
Vítima da chamada transmissão vertical – quando a mãe repassa o vírus para o filho – Marina (nome fictício), 16 anos, não foi contaminada sexualmente. Tímida, a adolescente de gestos infantis perdeu a mãe aos três anos e não tem notícia de seu pai. “Levo uma vida normal”, diz a garota, que toma três antirretrovirais, duas vezes ao dia. A jovem vive há cinco anos na ONG Vida Positiva, localizada em Taguatinga Norte.
A UnAids estima que pelo menos 33,4 milhões de pessoas em todo o mundo estão infectadas com o HIV. Desse total, 60% não sabem que têm a doença. Em 2008, cerca de 2 milhões de pessoas perderam a vida por conta de doenças relacionadas à AIDS e outras 2,7 milhões se infectaram com o vírus.
CORREIO BRAZILIENSE – DF |
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25/NOVEMBRO/09 |
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