
Os casos de infeção pelo vírus da hepatite C começaram a aumentar substancialmente desde 2005, concluí o estudo, observando-se uma tendência de aumento devido ao acréscimo de infeções diagnosticadas no ano passado.
O estudo coorte Swiss HIV (SHCS) é o maior e mais completo estudo coorte de pessoas seropositivas para o VIH no mundo; inclui a maioria das pessoas que vive com VIH na Suíça. Os testes anuais para a hepatite C tornaram-se testes de rotina em 1998.
O estudo observou 6 534 pessoas seronegativas para o vírus da hepatite C no início do estudo SHCS e que tinham realizado pelo menos um outro teste à hepatite C desde então. No que diz respeito ao grupo de via de exposição inicial a que pertenciam quando a infeção pelo VIH foi diagnosticada, 3 333 doentes (51%) eram homens gay, 3 078 (47%) heterossexuais e 123 (2%) pessoas que usavam drogas. Para que haja clareza na interpretação dos resultados, os doentes que eram homens gay e usavam drogas foram excluídos do estudo, tal como os heterossexuais que iniciaram o consumo de substâncias por via injetada após o diagnóstico da infeção pelo VIH.
Desde 1998, ocorreram 167 novos casos de infeções pelo vírus da hepatite C dos quais 101 (60%) em homens gay. Contudo, metade dos casos de infeção em homens gay ocorreu em 2009; nos últimos três anos, 51 de 65 novos casos de hepatite C (78%) ocorreram em homens gay.
As taxas de incidência mudaram drasticamente desde 1998. Nesse ano, o total da incidência de infeções pelo vírus da hepatite C em pessoas que usavam drogas seropositivas para o VIH era de 13,9%, tendo descido para os 2,2% em 2001. Em contraste, a incidência anual de casos de hepatite C em homens gay era pouco mais de 0,2% em 1998, correspondendo agora a 4,1% – um aumento superior a dezoito vezes.
Houve também um aumento, menos dramático, no grupo dos heterossexuais não injetores: a incidência do vírus da hepatite C era menos de 0,1% em 1998, sendo agora de 0,8%.
Na análise multivariável, três fatores de risco sobressaíram no grupo de homens gay, onde cada um destes dobrou o risco de infeção: uso inconsistente do preservativo, historial de sífilis e estar infetado pelo vírus da hepatite B.
“Estas observações ressalvam a necessidade de melhorar os sistemas de vigilância epidemiológica para a hepatite C entre os homens que têm sexo com homens seropositivos para o VIH”, comentam os investigadores.
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