Sexualidade X Adolescência

Zilma Mozer Gomes

O que fazer com elas? Dentre as grandes descobertas dos jovens adolescentes está a sexualidade e com ela um turbilhão de interrogações inerentes a essa fase da vida. A sexualidade é um campo muito amplo, abrangendo todas as áreas do ser e do viver. Ela vai muito além de “sexo” ou “transa”, por isso mesmo é tão importante, pois não se restringe apenas à genitália, envolve antes de tudo afetividade.

Com base nessas observações, a adolescência e sexualidade são mediadas através da grande juíza dessa partida: a Responsabilidade. Desse modo, vale observarmos as seguintes questões: o envolvimento emocional, que a rigor deve vir antes de sexo e então decidir o que é certo ou errado e quem sabe, levar o jovem a refletir e dizer sim ou não diante das mais variadas situações que certamente ele irá encontrar nesse período. Afora outras questões, a imaturidade é um fator preponderante na adolescência, geralmente ainda em formação. Como professora do ensino fundamental e médio percebo jovens cheios de dúvidas e por vezes até assustados com as mudanças do corpo e ação implacável dos hormônios que personificam literalmente a adolescência. A curiosidade aguçada e a falta de respaldo familiar na maioria das vezes os fazem buscar informações com os professores e inquiridos porque não conversam com seus pais as respostas quase sempre são as mesmas: “tenho vergonha”, “se eu perguntar eles brigam comigo”, “perguntei, mas eles não souberam ou não quiseram, responder”. Não iremos aqui questionar “porquês” dos pais, mas claramente podemos elencar alguns motivos dessa omissão: foram criados com outros padrões educacionais, também sentem vergonha diante do assunto ou simplesmente por acharem desnecessário esse tipo de orientação. Há ainda, a procura de informações nem sempre plausíveis e freqüentemente distorcidas através das mídias: TV, internet, fotos, etc. No ambiente escolar nota-se jovens procurando se auto-afirmar e por vezes mostrando e manifestando sua sexualidade com alto nível de rebeldia geralmente acompanhado de muitos gestos obscenos e palavrões. Fica, pois, claro que um grande emaranhado de informações povoam as cabeças que estão adolescendo para o sexo e sexualidade

Considerando as conseqüências das experiências sexuais imaturas, levadas possivelmente pelas emoções, induções ou impulsos que podem ser o escopo de DST‘s, gravidez indesejada, danos morais, sociais e familiares, a escola tenta trabalhar esse tema dentro da transversalidade. Segundo dados estatísticos os jovens na faixa etária de 10 a 19 anos são líderes em números de casos de: DST‘s, gravidez indesejada e abortos.

Sabemos que bons relacionamentos devem ser enriquecedores e que as diferenças podem ser excitantes e saudáveis, sempre contribuindo para a auto-estima dos jovens, entretanto a responsabilidade medianeira no duelo Adolescência X Sexualidade perpassa os caminhos da educação que envolvem família, escola e princípios religiosos.

Apesar de a adolescência ser um momento da vida em que a própria biologia leva ao envolvimento sexual, para o jovem que vivenciou o sexo, o risco de conflito é grande e se existe o conflito o jovem deve buscar o equilíbrio da vida sexual, parando de exigir de si mesmo uma atitude que não pode ser assumida naquele momento se negando a ser mais um número nas estatísticas. Sexualidade envolve afeto, carinho e comunicação, adolescência é a fase que deve capacitar o jovem a gerenciar todos esses sentimentos com responsabilidade.

* ZILMA MOZER GOMES, Bacharel em Ciências Biológicas, especialista em Saúde Pública e Ambiental e Professora da rede Pública Estadual zilmamozer@terra.com.br

DIÁRIO DE CUIABÁ – MT | ARTIGO

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