Sistema imunitário ou Sistema Imunológico

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CD4: O grande Líder do Sistema Imunológico

sis­te­ma imu­nológi­co, também co­nhe­ci­do por sis­te­ma imu­nitário ou sis­te­ma imu­ne, com­pre­en­de to­dos os me­ca­nis­mos pe­los quais um or­ga­nis­mo mul­ti­ce­lu­lar se de­fen­de de in­va­so­res ex­ter­nos, quer se­jam es­ses bi­o­lo­gi­cos, a ex­em­plo (to­dos os links des­ta pági­na le­vam a ou­tros si­tes. Se você quer ler algum destes artigos sem perder o fio da meada aqui, clique com o botão direito do mouse no link e selecione abrir em outra aba/janela) bactéri­asvíruspro­to­zoári­osfun­gos, quer se­jam es­ses ele­men­tos quími­cos, a ci­ta­rem-se as peçonhas, os ve­ne­nos, e si­mi­la­res.

Exis­tem dois ti­pos de me­ca­nis­mos de de­fe­sa: os ina­tos ou não es­pecífi­cos, co­mo a pro­teção da pe­le, a aci­dez gástri­ca, as célu­las fa­go­citári­as ou a se­creção de lágri­mas; e o sis­te­ma imu­nitário adap­ta­ti­vo, que com­pre­en­de a ação se­lec­ti­va dos linfóci­tos e a pro­dução de an­ti­cor­pos es­pecífi­cos.

Me­ca­nis­mos ina­tos ou não es­pe­ci­fi­cos

O sis­te­ma ina­to é com­pos­to por me­ca­nis­mos de de­fe­sa não-es­pecífi­cos, que cons­ti­tu­em uma res­pos­ta in­di­fe­ren­ci­a­da ao agen­te in­va­sor. Cons­ti­tu­em as es­tratégi­as de de­fe­sa mais an­ti­gas, sen­do al­gu­mas des­tas for­mas en­con­tra­das nos se­res mul­ti­ce­lu­la­res mais pri­mi­ti­vos, nas plan­tas e fun­gos.

Bar­rei­ras físi­cas

  • A pe­le é a prin­ci­pal bar­rei­ra. A sua su­perfície li­pofíli­ca é cons­trui­da por célu­las mor­tas ri­cas em que­ra­ti­na, uma pro­teína fi­bri­lar, que im­pe­de a en­tra­da de mi­cro­or­ga­nis­mos. As se­creções li­gei­ra­men­te áci­das e lipídi­cas das glându­las sebácea e su­dorípa­ra cri­am um mi­cro­am­bi­en­te cutâneo hos­til ao cres­ci­men­to ex­ces­si­vo de bactéri­as.
  • O áci­do gástri­co é uma po­de­ro­sa de­fe­sa con­tra a in­vasão por bactéri­as do in­tes­ti­no. Pou­cas espéci­es são ca­pa­zes de re­sis­tir ao bai­xo pH e en­zi­mas des­trui­do­ras que exis­tem no estôma­go.
  • A sa­li­va e as lágri­mas contêm en­zi­mas bac­te­ri­ci­das, co­mo a li­so­zi­ma, que des­tro­em a pa­re­de ce­lu­lar das bactéri­as.
  • No in­tes­ti­no, as nu­me­ro­sas bactéri­as da mi­cro­bi­o­ta nor­mal com­pe­tem com po­ten­ci­ais patóge­nos por nu­tri­en­tes e lo­cais de fi­xação, di­mi­nuin­do a pro­ba­bi­li­da­de de es­tes últi­mos se mul­ti­pli­ca­rem em núme­ro su­fi­ci­en­te pa­ra cau­sar uma do­ença. É por is­so que o con­su­mo de­ma­si­a­do de an­ti­bióti­cos orais po­de le­var à de­pleção da mi­cro­bi­o­ta be­nig­na nor­mal do in­tes­ti­no e, com ces­sação do tra­ta­men­to, espéci­es pe­ri­go­sas po­dem mul­ti­pli­car-se sem com­pe­tição, cau­san­do, pos­te­ri­or­men­te, di­ver­sas do­enças.
  • O mu­co é ou­tra de­fe­sa, re­ves­tin­do as mu­co­sas. Ele se­ques­tra e ini­be a mo­bi­li­da­de dos cor­pos in­va­so­res, sen­do a sua com­po­sição hos­til pa­ra mui­tos mi­cro­or­ga­nis­mos. Além dis­so, contém an­ti­cor­pos do ti­po IgA.

Fagóci­tos

Os fagóci­tos são célu­las, (neu­trófi­los e ma­crófa­gos), que têm a ca­pa­ci­da­de de es­ten­der porções ce­lu­la­res (pseudópo­des) de for­ma di­re­ci­o­na­da, en­glo­ban­do uma partícu­la ou mi­cro­or­ga­nis­mo es­tra­nho. Es­te mi­cror­ga­nis­mo é con­ti­do num vacúolo, o fa­gos­so­ma, que de­pois é fun­di­do com li­sos­so­mas, vacúolos ri­cos em en­zi­mas e áci­dos, que di­ge­rem a par­ti­cu­la ou or­ga­nis­mo. Os fagóci­tos re­a­gem a ci­to­ci­nas pro­du­zi­das pe­los linfóci­tos cd4, mas também fa­go­ci­tam, ain­da que me­nos efi­caz­men­te, de for­ma autóno­ma sem qual­quer es­ti­mu­lação. Na­tu­ral­men­te es­ta for­ma de de­fe­sa é im­por­tan­te con­tra in­fecções bactéri­a­nas, já que vírus são pe­que­nos de­mais e a mai­o­ria dos pa­ra­si­tas são gran­des pa­ra se­rem fa­go­ci­ta­dos. A fa­go­ci­to­se também é im­por­tan­te na lim­pe­za dos de­tri­tos ce­lu­la­res após in­fecção ou ou­tro pro­ces­so que le­ve a mor­te ce­lu­lar nos te­ci­dos. No en­tan­to os fa­go­ci­tos mor­rem após al­gu­mas fa­go­ci­to­ses, e se o núme­ro de in­va­so­res e de de­tri­tos for gran­de, po­derão am­bos, fa­go­ci­tos e bactéri­as, fi­car pre­sos num li­qui­do pas­to­so e ri­co em pro­teínas es­tru­tu­rais, que se de­no­mi­na pus (exu­da­to)

Es­tas célu­las pro­du­zem também ra­di­cais li­vres, for­mas al­ta­men­te re­ac­ti­vas de oxigénio, que da­ni­fi­cam as bactéri­as e ou­tros in­va­so­res além dos te­ci­dos a sua vol­ta.

Al­gu­mas bactéri­as co­mo o My­co­bac­te­rium tu­ber­cu­lo­sis, agen­te da tu­ber­cu­lo­se, têm me­ca­nis­mos de de­fe­sa con­tra a di­gestão após fa­go­ci­to­se, e so­bre­vi­vem den­tro do fagóci­to pa­ra­si­tan­do-o e es­con­den­do-se aí dos linfóci­tos.

Fagóci­tos e célu­las re­la­ci­o­na­das:

  • Neu­trófi­los: são gra­nulóci­tos, fa­gocíti­cos móveis, os mais abun­dan­tes e são sem­pre os pri­mei­ros a che­gar ao lo­cal da in­vasão e sua mor­te no lo­cal da in­fecção for­ma o pus. Eles in­ge­rem, ma­tam e di­ge­rem patóge­nos mi­cro­bi­a­nos. São de­ri­va­dos dos mastóci­tos e basófi­los.
  • Ma­crófa­go: célu­la gi­gan­te, sen­do for­ma ma­du­ra do monóci­to, tem ca­pa­ci­da­de de fa­go­ci­tar e des­truir mi­cro­or­ga­nis­mos in­tra­ce­lu­la­res. A sua di­fe­ren­ciação é es­ti­mu­la­da por ci­to­ci­nas. É mais efi­caz na des­truição dos mi­cro­or­ga­nis­mos , tem vi­da lon­ga ao con­trário do neu­trófi­lo. São móveis e al­ta­me­ne ade­ren­tes quan­do em ati­vi­da­de fa­gocíti­ca. Ma­crófa­gos es­pe­ci­a­li­za­dos in­clu­em: célu­las de Kupf­fer (fi­ga­do), célu­las de Lan­gerhans (pe­le) e célu­las da Glia (Sis­te­ma Ner­vo­so Cen­tral).
  • Basófi­lo e Mastóci­to: são gra­nulóci­tos po­li­mor­fo­nu­cle­a­dos que pro­du­zem ci­to­ci­nas em de­fe­sa con­tra pa­ra­si­tas, também são res­ponsáveis pe­la in­fla­mação alégi­ca me­di­a­das por IgE.
  • Eo­sinófi­lo: São gra­nulóci­tos po­li­mor­fo­nu­cle­a­dos que par­ti­ci­pam na de­fe­sa con­tra pa­ra­si­tas também par­ti­ci­pan­do de reações de hi­per­sen­si­bi­li­da­de via me­ca­nis­mo de ci­to­to­xi­da­de. En­vol­vi­do em ma­ni­fes­tações de aler­gia e as­ma, via es­pe­fi­ci­da­de por antíge­no IgE.

Os neu­trófi­los, eo­sinófi­los e basófi­los também são co­nhe­ci­dos co­mo po­li­mor­fo­nu­cle­a­dos (de­vi­do aos seus núcle­os lo­bu­la­dos) ou gra­nulóci­tos.

Sis­te­ma com­ple­men­to

O sis­te­ma com­ple­men­to é um gru­po de pro­teínas pro­du­zi­das pe­lo fíga­do, pre­sen­tes no san­gue. Elas re­co­nhe­cem e li­gam-se a al­gu­mas molécu­las pre­sen­tes em bactéri­as(via al­ter­na­ti­va), ou são ac­ti­va­dos poran­ti­cor­pos li­ga­dos a bactéri­as (via clássi­ca). Então in­se­rem-se na mem­bra­na ce­lu­lar do in­va­sor e cri­am um po­ro (cha­ma­do de MAC, ou Com­ple­xo de Ata­que a Mem­bra­na), pe­lo qual en­tra água ex­ces­si­va, le­van­do à li­se(re­ben­ta­men­to osmóti­co da célu­la).

Ou­tras pro­teínas não es­pe­ci­fi­cas in­clu­em a pro­teína c-re­ac­ti­va, que também é pro­du­zi­da no fíga­do e se li­ga a al­gu­mas molécu­las co­muns nas bactéri­as mas ine­xis­ten­tes nas pes­so­as, ac­ti­van­do o com­ple­men­to e a fa­go­ci­to­se.

Res­pos­ta in­fla­matória

res­pos­ta in­fla­matória é fun­da­men­tal­men­te uma reação ines­pecífi­ca, ape­sar de ser na práti­ca con­tro­la­da pe­los me­ca­nis­mos es­pecífi­cos (pe­los linfóci­tos). Ca­rac­te­ri­za-se por cin­co sin­to­mas e si­nais, de­fi­ni­dos na an­ti­gui­da­de gre­co-ro­ma­na: ca­lor, ru­bor, tu­mor (ede­ma), dor e em últi­mo ca­so (crôni­cos) per­da da função.

A in­fla­mação é de­sen­ca­de­a­da por fa­to­res li­ber­ta­dos pe­las célu­las da­ni­fi­ca­das, mes­mo se por da­nos mecâni­cos. Es­ses me­di­a­do­res (bra­di­ci­ni­nahis­ta­mi­na) sen­si­bi­li­zam os re­cep­to­res da dor, e pro­du­zem va­so­di­la­tação lo­cal (ru­bor e tu­mor), mas também atra­em os fagóci­tos, prin­ci­pal­men­te neu­trófi­los (qui­mi­o­ta­xia). Os neu­tro­fi­los que che­gam pri­mei­ro fa­go­ci­tam in­va­so­res pre­sen­tes e pro­du­zem mais me­di­a­do­res que cha­mam linfóci­tos e mais fagóci­tos. En­tre as ci­to­ci­nas pro­du­zi­das, as prin­ci­pais sao In­ter­Leu­ci­na 1 (IL-1) e TNF (Fa­tor de ne­cro­se Tu­mo­ral)

Sis­te­ma imu­nitário adap­ta­ti­vo ou es­pecífi­co

To­do o sis­te­ma es­pecífi­co se con­cen­tra na ca­pa­ci­da­de das célu­las imu­nitári­as dis­tin­gui­rem pro­teínas pro­du­zi­das pe­las célu­las do próprio cor­po (an­tigénio “self” – ou se­ja do próprio or­ga­nis­mo), e pro­teínas pro­du­zi­das por in­va­so­res ou pe­las célu­las hu­ma­nas sob o con­tro­lo de vírus (an­tigénio “non-self” – ou se­ja, que não é re­co­nhe­ci­do co­mo sen­do do próprio or­ga­nis­mo). Es­ta dis­tinção é fei­ta através de re­cep­to­res, os TCR (T-cell re­cep­tors) ou BCR (B cell re­cep­tors que são an­ti­cor­pos pre­sos à mem­bra­na). Es­tes re­cep­to­res, TCR ou BCR, pa­ra se­rem efi­ca­zes têm de ser pro­du­zi­dos com mi­lhões de con­for­mações. De ou­tro mo­do não se li­ga­ri­am a mui­tos ti­pos de pro­teínas de in­va­so­res, e não os re­co­nhe­ce­ri­am. Es­ta di­ver­si­da­de de re­cep­to­res não ca­be­ria no ge­no­ma da célu­la, e mi­lhões de ge­nes, ca­da um pa­ra ca­da re­cep­tor possível, não se­ria práti­co. O que acon­te­ce é que há al­gu­mas famíli­as de ge­nes, ten­do ca­da uma vári­os mem­bros li­gei­ra­men­te di­fe­ren­tes. Através de um pro­ces­so es­pe­ci­al e úni­co nas célu­las hu­ma­nas, es­tes ge­nes nos linfóci­tos re­com­bi­nam-se, um de ca­da família, num úni­co ge­ne, de for­ma to­tal­men­te ale­atória.

As­sim, por ex­em­plo, ca­da an­ti­cor­po ou BCR dos linfóci­tos B tem seis porções, e é cri­a­do de dois ge­nes úni­cos des­se lifóci­to, ge­ra­dos pe­la re­com­bi­nação (união) de um ge­ne ale­atório de ca­da família. Se hou­ver seis famíli­as, com 50, 30, 9, 6, 40, 5 mem­bros, o núme­ro possível to­tal de an­ti­cor­pos di­fe­ren­tes é de 50x30x6x9x40x5 = 16 mi­lhões. Além dis­so há ou­tros pro­ces­sos mui­to com­ple­xos que au­men­tam a di­ver­si­da­de dos BCR ou TCR ain­da mais, por mu­tação ace­le­ra­da dos ge­nes em cau­sa. A va­ri­a­bi­li­da­de dos an­ti­cor­pos é na prácti­ca ili­mi­ta­da, e o sis­te­ma imu­nitário cria an­ti­cor­pos con­tra qual­quer molécu­la, e mes­mo con­tra molécu­las ar­ti­fi­ci­ais nun­ca exis­ten­tes na na­tu­re­za.

Mui­tos dos TCR e BCR as­sim ge­ra­dos vão re­a­gir com pépti­dos própri­os. Uma das funções do Ti­mo e Me­du­la óssea é man­ter os jo­vens linfóci­tos se­ques­tra­dos até que se­ja possível de­ter­mi­nar quais re­a­gem com molécu­las do próprio or­ga­nis­mo. Es­sa função é fei­ta por célu­las es­pe­ci­a­li­za­das des­ses órgãos que apre­sen­tam aos linfóci­tos jo­vens molécu­las pro­du­zi­das por elas (e por­tan­to própri­as). To­dos os linfóci­tos que re­a­gem a elas são des­trui­dos, e ape­nas aque­les in­di­fe­ren­tes a própria (mais pos­si­vel­men­te re­ac­ti­vos a não-própri­os) são lar­ga­dos na cor­ren­te san­gui­nea.

Os lin­fo­ci­tos que não re­a­gem a própria são mi­lhões, ca­da um com mi­lhões de con­fi­gu­rações possíveis de re­cep­to­res e ha­verá in­clu­si­ve vári­os, ca­da um com re­cep­tor pa­ra zo­nas di­fe­ren­tes de ca­da pro­teína mi­cro­bi­a­na possível. A es­ma­ga­do­ra mai­o­ria dos linfóci­tos nun­ca en­con­tra uma pro­teína pa­ra a qual o seu re­cep­tor se­ja espéci­fi­co. Aque­les pou­cos que a en­con­tram, são es­ti­mu­la­dos e mul­ti­pli­cam-se. São ge­ra­das célu­las efec­to­ras com o re­cep­tor espéci­fi­co (pro­du­to­ras de an­ti­cor­pos ou ci­totóxi­cas, ou ain­da co­or­de­na­do­ras) e célu­las memória. As célu­las de memória são qui­es­cen­tes, têm vi­da lon­ga e são ca­pa­zes de re­co­nhe­cer es­se an­tigénio mes­mo mui­to de­pois, mul­ti­pli­can­do-se em mai­or núme­ro e res­pon­den­do mais ra­pi­da­men­te a in­fecções fu­tu­ras.

O sis­te­ma imu­nitário es­pe­ci­fi­co é con­tro­la­do e efec­tu­a­do lar­ga­men­te pe­los linfóci­tos. Há vári­os ti­pos de linfóci­tos.

Linfóci­tos B e pro­dução de an­ti­cor­pos

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Es­tru­tu­ra dos an­ti­cor­pos, com du­as re­giões de li­gação ao antíge­nio e uma re­gião cons­tan­te de in­te­racção com leucóci­tos.

Os linfóci­tos B pos­su­em um BCR, que é em tu­do se­me­lhan­te ao an­ti­cor­po, mas está pre­so na mem­bra­na. Os linfóci­tos B con­cen­tram-se nos gan­gli­os linfáti­cos, on­de fil­tram a lin­fa, à es­pe­ra de uma molécu­la que se­ja não-self e re­a­ja es­pe­ci­fi­ca­men­te com o seu re­cep­tor ale­atório. Pa­ra ca­da molécu­la possível há vári­os linfóci­tos es­pecífi­cos. Lo­go as­sim que ha­ja uma li­gação es­pecífi­ca an­tigênio-re­cep­tor e se o linfóci­to for es­ti­mu­la­do si­mul­ta­ne­a­men­te por ci­to­ci­nas pro­du­zi­das pe­los linfóci­tos T CD4+ (re­gu­la­do­res,ou Hel­per), eles mul­ti­pli­cam-se e di­fe­ren­ci­am-se em plasmóci­tos e em célu­las-memória. Es­tas, se a in­fecção se re­pe­tir mui­tos anos de­pois, po­dem ini­ci­ar a re­pos­ta mais ra­pi­da­men­te. Os plasmóci­tos pro­du­zem então gran­des quan­ti­da­des BCR solúvel e não pre­so à mem­bra­na, ou se­ja, an­ti­cor­pos es­pecífi­cos pa­ra aque­la molécu­la.

Os an­ti­cor­pos são as­sim pro­teínas re­cep­to­ras li­vres no san­gue, que são es­pe­ci­fi­cas e se li­gam à mo­le­cu­la não-self e pos­si­vel­men­te in­va­so­ra. Os an­ti­cor­pos po­dem as­sim li­gar-se a antíge­nos na su­perfície de bactéri­as, vírus ou pa­ra­si­tas. Eles os eli­mi­nam de vári­as for­mas. Po­dem neu­tra­li­zar o in­va­sor di­rec­ta­men­te (co­brin­do a su­per­fi­cie de um vírus e im­pe­din­do-o de se li­gar aos seus re­cep­to­res nas célu­las por ex­em­plo); atrair fagóci­tos (que re­co­nhe­cem e são es­ti­mu­la­dos por eles); ac­ti­var o sis­te­ma com­ple­men­to de for­ma a li­sa-los; ou ain­da es­ti­mu­lar as célu­las ci­totóxi­cas (as­sas­si­nas) pa­ra des­trui­rem as célu­las iden­ti­fi­ca­das pe­lo an­ti­cor­po.

Os linfóci­tos que pro­du­zem an­ti­cor­pos al­go efi­ca­zes (do ti­po IgM) ain­da so­frem no­vo pro­ces­so de se­lecção nos fo­li­cu­los linfóides. Aí, mul­ti­pli­cam-se ro­de­a­das de linfóci­tos T CD4+ que se­cre­tam ci­to­ci­nas, as quais in­du­zem por me­ca­nis­mos com­ple­xos al­tas ta­xas de mu­tação nos seus ge­nes dos an­ti­cor­pos. De­pois des­tro­em os linfóci­tos B que pro­du­zem an­ti­cor­pos com me­nor afi­ni­da­de pa­ra o antíge­nio e es­ti­mu­lam a di­visão dos que têm mai­or afi­ni­da­de (graças a mu­tações for­tui­tas), po­den­do es­ta no fi­nal ser mui­tas ve­zes su­pe­ri­or nos so­bre­vi­ven­tes.

Há vári­os ti­pos de an­ti­cor­pos: IgM é sem­pre o pri­mei­ro ti­po a ser pro­du­zi­do; IgG é o prin­ci­pal gru­po de an­ti­cor­pos sangüíne­os e há vári­os sub­ti­pos, apa­re­ce mais tar­de que IgMs, e têm mai­or afi­ni­da­de após hi­per­mu­tação; os IgAs são an­ti­cor­pos se­cre­ta­dos pa­ra as mu­co­sas, co­mo in­tes­ti­no, ge­ni­tais e bron­qui­os; as IgE têm funções de lu­ta con­tra pa­ra­si­to­ses; os IgD es­ti­mu­la o sis­te­ma imu­nitário.

Linfóci­to T8 e ci­to­to­xi­ci­da­de

Os Linfóci­tos T CD8+ são os linfóci­tos ci­totóxi­cos ou também cha­ma­do de Kil­lers. Na­tu­rais Kil­lers (NK) não são a mes­ma coi­sa que Linfóci­to ci­totóxi­co CD8 pois não pos­su­em TCR que é um díme­ro, mas também são linfóci­tos. Eles têm ca­da um, um ti­po de re­cep­tor es­pe­ci­fi­co nas su­as mem­bra­nas, ge­ra­do ale­a­to­ri­a­men­te nu­ma fa­se de re­com­bi­nação genéti­ca do seu de­sen­vol­vi­men­to, de­no­mi­na­do de TCR (T-cell re­cep­tor, se­me­lhan­te aos an­ti­cor­pos da célu­la B, mas de lo­ca­li­za­cao mem­bra­nar). Es­ses re­cep­to­res li­gam-se a ou­tros que to­das as célu­las hu­ma­nas pos­su­em (com­ple­xo MHC I), e que apre­sen­tam pépti­dos (frag­men­tos depro­teínas) que elas es­te­jam a pro­du­zir à su­per­fi­cie da célu­la. No ca­so que os com­ple­xos MHC I (Com­ple­xo de His­to­com­pa­ti­bi­li­da­de) – pépti­do se­ja re­co­nhe­ci­dos por uma célu­la T CD8+, es­ta últi­ma de­sen­ca­de­ará a mor­te da célu­la que apre­sen­ta o pépti­do através de en­zi­mas ci­to­li­ti­cas cha­ma­das de po­ri­nas que in­du­zem a apop­to­se da célu­la al­vo por de­se­quilíbrio osmóti­co.

To­dos os linfóci­tos T CD8+ que têm re­cep­to­res que re­a­gem a substânci­as do próprio cor­po mor­rem du­ran­te o seu “estágio” no ti­mo. Quan­do o linfóci­to T CD8+ re­co­nhe­ce um antíge­no não-self com o seu re­cep­tor nu­ma molécu­la MHC clas­se I de uma célu­la do or­ga­nis­mo, ele li­ber­ta substânci­as (per­fo­ri­na) que cri­am um po­ro na mem­bra­na, li­san­do (rom­pen­do os­mo­ti­ca­men­te) a célu­la, ou então li­ber­tam me­di­a­do­res (gran­zi­ma) que in­du­zem a célu­la a ini­ci­ar a apop­to­se (mor­te ce­lu­lar pro­gra­ma­da). Há mi­lhões de linfóci­tos CD8+ em cir­cu­lação no or­ga­nis­mo, ca­da um com re­cep­to­res ale­atóri­os pa­ra to­dos os pépti­dos possíveis não-self. Nor­mal­men­te o linfóci­to T CD8+ nai­ve só ma­ta as célu­las se for es­ti­mu­la­do por ci­to­ci­nas dos linfóci­tos T CD4+ (re­gu­la­do­res: ver mais à fren­te). Se um linfóci­to T CD8+ com de­ter­mi­na­do re­cep­tor for es­ti­mu­la­do des­sa for­ma, ele di­vi­de-se em mais célu­las ci­totóxi­cas e um pe­que­no gru­po de célu­las qui­es­cen­tes e de lon­ga es­pe­rança de vi­da, as célu­las memória, man­ter-se-ão em cir­cu­lação (en­tre o san­gue e os gângli­os linfáti­cos). Es­tas célu­las de memória po­dem ser ac­ti­va­das mais tar­de de uma for­ma mais efi­ci­en­te, mais rápi­da e in­de­pen­den­te­men­te da pre­sença de ci­to­ci­nas pro­du­zi­das pe­los linfóci­tos CD4+, após re­co­nhe­ci­men­to do pépti­do pa­ra o qual são es­pecífi­cas apre­sen­ta­do por uma molécu­la de MHC clas­se I.

Fagóci­tos

Ape­sar de os fagóci­tos se­rem um me­ca­nis­mo ina­to, já que res­pon­dem a qual­quer cor­po es­tra­nho, eles também são efec­to­res de pri­mei­ra li­nha das de­cisões dos linfóci­tos.

Os fagóci­tos, es­pe­ci­al­men­te os ma­crófa­gos, res­pon­dem a ci­to­ci­nas ge­ra­das pe­los linfóci­tos (IL-1). Os monóci­tos são os pre­cur­so­res dos ma­crófa­gos e eles trans­for­mam-se em ma­crófa­gos se es­ti­mu­la­dos por ci­to­ci­nas dos T4. Além dis­so são atrai­dos por ou­tras ci­to­ci­nas e fac­to­res li­ber­ta­dos de célu­las em lo­cais de in­fecção ac­ti­va.

Se es­ti­mu­la­dos apro­pri­a­da­men­te pe­las ci­to­ci­nas li­ber­ta­das de for­ma lo­ca­li­za­da e con­tro­la­da pe­los linfóci­tos T4, os ma­crófa­gos li­ber­tam su­fi­ci­en­tes quan­ti­da­des de en­zi­mas e ra­di­cais li­vres pa­ra des­truir to­tal­men­te uma re­gião lo­ca­li­za­da, ma­tan­do am­bos in­va­so­res e célu­las hu­ma­nas.

Além dis­so, sob con­tro­le dos linfóci­tos, os ma­crófa­gos são res­ponsáveis por al­gu­mas re­acções imu­nológi­cas es­pe­ci­fi­cas co­mo o gra­nu­lo­ma e o ab­ces­so. O gra­nu­lo­ma ocor­re na in­vasão por mi­co­bactéri­as e fun­gos, sen­do o ex­em­plo mais céle­bre a tu­ber­cu­lo­se. É uma re­acção or­de­na­da por ci­to­ci­nas dos T4, quan­do há in­fecção in­tra­ce­lu­lar dos própri­os fa­go­ci­tos. De for­ma a im­pe­dir a dis­se­mi­nação pe­lo san­gue do in­va­sor den­tro des­sas célu­las móveis, os linfóci­tos T4 se­cre­tam ci­to­ci­nas que cha­mam mais ma­crófa­gos, e os tor­nam mais re­sis­ten­tes à in­fecção (“aler­ta de bactéria en­do­ce­lu­lar”). Além dis­so as ci­to­ci­nas pro­vo­cam a adap­tação pe­los ma­cro­fa­gos de mor­fo­lo­gia epi­te­li­al em vol­ta do nu­cleo da in­vasão, com nu­me­ro­sas ca­ma­das de célu­las imo­bi­li­za­das li­ga­das por co­nexões im­per­meáveis, de for­ma a se­ques­trar o in­va­sor. A mi­co­bactéria da tu­ber­cu­lo­se não se po­de dis­se­mi­nar e per­ma­ne­ce lo­ca­li­za­da. Ho­je mil mi­lhões de pes­so­as saudáveis têm mi­co­bactéri­as con­tro­la­das des­sa for­ma nos seus pulmões (vi­si­vel nas ra­di­o­gra­fi­as). Só na­que­les pou­cos que têm um episódio de gran­de de­bi­li­da­de imu­nitária é que o or­ga­nis­mo es­ca­pa e se ini­cia a tu­ber­cu­lo­se pro­pri­a­men­te di­ta. O ab­ces­so é se­me­lhan­te mas em re­dor de um cis­to/quis­to de pus. É im­por­tan­te pa­ra se­ques­trar bactéri­as pi­ogéni­cas cu­ja to­xi­ci­da­de ma­ta os fagóci­tos (for­man­do o pus) e não per­mi­te a lim­pe­za efi­caz.

Linfóci­to T4 e su­per­visão da res­pos­ta

Os Linfóci­tos T4, ou hel­per, são os con­tro­la­do­res de to­da a res­pos­ta imu­nitária. São eles que “de­ci­dem” que re­acções de­sen­vol­ver a uma in­vasão, ac­ti­van­do ou ini­bin­do to­das as ou­tras célu­las imu­nitári­as através deci­to­ci­nas (espécie de hor­mo­nas ou me­di­a­do­res mo­le­cu­la­res). Daí que na do­ença que ata­ca os própri­os T4, a SI­DA/AIDS, to­do o sis­te­ma imu­nitário co­lap­se.

Os linfóci­tos T4 con­se­guem de­ci­dir se há in­vasão ou não por­que ca­da um de­les contêm um re­cep­tor ge­ra­do ale­a­to­ri­a­men­te o TCR (T-cell re­cep­tor, se­me­lhan­te aos an­ti­cor­pos da célu­la B, mas mem­bra­nar). To­dos os fagóci­tos e ain­da al­gu­mas ou­tras célu­las co­mo as célu­las den­dri­ti­cas ou de Lan­gerhans, de­pois de di­ge­rir as pro­teínas do in­va­sor, apre­sen­tam pépti­dos (pe­daços) de­las nu­ma pro­teína mem­bra­nar, o MHC II (ma­jor his­to­com­pa­ti­bi­lity com­plex). Os TCR dos T4 li­gam-se a es­sas MHC2 com pépti­do e se a li­gação for efi­caz, li­ber­tam ci­to­ci­nas. Ne­nhum linfóci­to T4 tem re­cep­to­res pa­ra pro­teínas do próprio cor­po por­que es­ses fo­ram des­truídos na sua fa­se de de­sen­vol­vi­men­to no Ti­mo. Se os ni­veis des­sas ci­to­ci­nas fo­rem su­fi­ci­en­te­men­te al­tos, e se ou­tros fac­to­res me­nos bem co­nhe­ci­dos exis­ti­rem no san­gue, o T4 “de­ci­de” que há uma in­vasão e de que ti­po é, dan­do ori­gem a uma res­pos­ta imu­nitária es­pe­ci­fi­ca. Ele então pro­duz ou­tras ci­to­ci­nas es­ti­mu­lan­do to­das as ou­tras célu­las pa­ra o ti­po de res­pos­ta apro­pri­a­do. Tal co­mo to­dos os ou­tros linfóci­tos, os T4 es­ti­mu­la­dos mul­ti­pli­cam-se e al­guns ser­vem de célu­las-memória pa­ra mais rápi­da res­pos­ta ao mes­mo in­va­sor no fu­tu­ro.

Há ba­si­ca­men­te dois ti­pos de célu­las T4 hel­per, cor­res­pon­den­do a dois ti­pos de res­pos­ta. Não se sa­be exac­ta­men­te o que de­sen­ca­deia um ti­po ou o ou­tro. A res­pos­ta TH1 ca­rac­te­ri­za-se por pro­dução de ci­to­ci­nas co­mo IL-2IFN-ga­ma e TNF-be­ta. Há ac­ti­vação dos ma­crófa­gos e da fa­go­ci­to­se, e dos me­ca­nis­mos ci­totóxi­cos (linfóci­tos T), le­van­do a ex­ten­sa des­truição das zo­nas in­fec­ta­das. É efi­caz na eli­mi­nação dos pa­togéni­os in­tra­ce­lu­la­res (vírus e bactéri­as in­tra­ce­lu­la­res). Na res­pos­ta TH2 há se­creção de IL-4 e IL-5. Ca­rac­te­ri­za-se pe­lo es­ti­mu­lo da pro­dução de an­ti­cor­pos pe­los linfóci­tos B. É efi­caz con­tra or­ga­nis­mos que cir­cu­lem no san­gue, co­mo bactéri­as ex­tra­ce­lu­la­res e pa­ra­si­tas.

Que res­pos­ta, TH1 ou TH2, é pro­du­zi­da, tem im­portância pa­ra a pro­gressão da in­fecção. Por ex­em­plo na Le­pra, uma in­fecção pe­la bactéria in­tra­ce­lu­lar My­co­bac­te­rium le­prae, a res­pos­ta TH1 é ex­tre­ma­men­te efi­caz e os da­nos são míni­mos (le­pra tu­ber­cu­loi­de); mas se for ac­ti­va­da uma res­pos­ta TH2, ine­fi­caz con­tra or­ga­nis­mos in­tra­ce­lu­la­res, sur­ge a le­pra co­mum, com da­nos pro­fun­dos e des­pren­di­men­to de pe­le (le­pra le­pro­ma­to­sa).

Há ain­da um ter­cei­ro ti­po de linfóci­to T re­gu­la­dor, os linfóci­tos su­pres­so­res, que li­mi­tam e su­pri­mem a re­acção imu­nitária, um me­ca­nis­mo mui­to im­por­tan­te con­si­de­ran­do a des­truição ex­tre­ma que o sis­te­ma imu­nitário po­de pro­du­zir.

Ou­tras célu­las

  • Linfóci­tos Na­tu­ral-Kil­ler: os NK são linfóci­tos gra­nu­la­res que, tal co­mo os T8 são ci­totóxi­cos, des­tro­em célu­las hu­ma­nas tu­mo­rais ou in­fec­ta­das por vírus. Ade­rem-se a célu­la-al­vo in­fec­ta­da e in­du­zem a sua mor­te. São im­por­tan­tes na des­truição das célu­las hu­ma­nas com an­ti­ge­nos não-self (por in­fecção vi­ral ou ne­o­pla­sia) e que são ata­ca­das por an­ti­cor­pos es­pe­ci­fi­cos. Os NK pos­su­em dois li­gan­tes pa­ra a célu­la al­vo, um ati­va­dor (B7) e um ini­bi­dor ex­pres­so pe­lo MHC. Ca­so o NK se li­gue ao ati­va­dor e nao en­con­tre um MCH ex­pres­san­do um an­ti­ge­no próprio, ele li­sará a célu­la al­vo através de po­ri­nas, ca­so ele en­con­tre o ati­va­dor e o ini­bi­dor, se des­li­gará da célu­la al­vo sem lhe cau­sar da­nos.

Com­ple­men­tan­do o que foi vis­to aci­ma,os mastóci­tos são célu­las do te­ci­do con­jun­ti­vo, ori­gi­na­das a par­tir de célu­las me­sen­qui­ma­to­sas (célu­las de gran­de potência de di­fe­ren­ciação que dão ori­gem às célu­las do te­ci­do con­jun­ti­vo). Pos­su­em ci­to­plas­ma ri­co em grânu­los basófi­los (co­ram-se por co­ran­tes bási­cos). Sua prin­ci­pal função é ar­ma­ze­nar po­ten­tes me­di­a­do­res quími­cos da in­fla­mação, co­mo a his­ta­mi­na, he­pa­ri­na, ECF-A (fa­tor qui­mi­otáxi­co – de atração- dos eo­sinófi­los) e fa­to­res qui­mi­otáxi­cos (de atração) dos neu­trófi­los. Elas par­ti­ci­pam de reações alérgi­cas (de hi­per­sen­si­bi­li­da­de), atrain­do os leucóci­tos até o lo­cal e pro­por­ci­o­nan­do uma va­so­di­la­tação. A va­so­di­la­tação au­men­ta a tem­pe­ra­tu­ra no lo­cal in­fla­ma­do, di­fi­cul­tan­do a pro­li­fe­ração de mi­cror­ga­nis­mos e es­ti­mu­lan­do a mi­gração de célu­las de de­fe­sa. Al­gu­mas das substânci­as li­be­ra­das no lo­cal da in­fla­mação al­cançam o cen­tro ter­mor­re­gu­la­dor lo­ca­li­za­do no hi­potála­mo, ori­gi­nan­do a fe­bre (ele­vação da tem­pe­ra­tu­ra cor­po­ral). Ape­sar do mal-es­tar e des­con­for­to, a fe­bre é um im­por­tan­te fa­tor no com­ba­te às in­fecções, pois além de ser des­fa­vorável pa­ra a so­bre­vivência dos mi­cro­or­ga­nis­mos in­va­so­res, também es­ti­mu­la mui­tos dos me­ca­nis­mos de de­fe­sa de nos­so cor­po.

Ci­to­ci­nas

Sistema imunitário ou Sistema Imunológico lazy placeholder Ver ar­ti­go prin­ci­pal: ci­to­ci­na

As ci­to­ci­nas são hor­mo­ni­os do sis­te­ma imu­nitário que per­mi­tem às célu­las co­mu­ni­car en­tre si e com ou­tras de ou­tros órgãos. São um sis­te­ma in­cri­vel­men­te com­ple­xo e in­te­li­gen­te ain­da pou­co co­nhe­ci­do. Al­gu­mas ci­to­ci­nas mais im­por­tan­tes:

  • IL-1: li­ber­ta­das aquan­do de in­fecções. Pro­du­zem nos cen­tros ce­re­brais re­gu­latóri­os fe­bre, tre­mo­res, ca­la­fri­os e mal-es­tar; pro­mo­vem a in­fla­mação, es­ti­mu­lam os linfóci­tos T. A sua acção é res­ponsável por es­tes sin­to­mas co­muns na mai­o­ria das do­enças. No cére­bro há li­ber­tação de pros­ta­glan­di­na E2, que es­ti­mu­la o cen­tro da tem­pe­ra­tu­ra, au­men­tan­do a sua con­fi­gu­ração. A as­pi­ri­na ini­be a for­mação da pros­ta­glan­di­na (blo­queia a en­zi­ma que a pro­duz) e é por is­so que di­mi­nui a fe­bre e mal es­tar nas afecções vi­rais.
  • IL-2: Es­ti­mu­la a mul­ti­pli­cação dos linfóci­tos T e B. An­tes cha­ma­da de Fa­tor de pro­li­fe­ra­cao de Lin­fo­ci­tos
  • IL-3: Es­ti­mu­la o cres­ci­men­to e a se­creção de his­ta­mi­na.
  • IL-4: Es­ti­mu­la mul­ti­pli­cação dos linfóci­tos B; pro­dução de an­ti­cor­pos, res­pos­ta do ti­po TH2.
  • IL-5: Es­ti­mu­la mul­ti­pli­cação e di­fe­ren­ciação de linfóci­tos B; pro­dução de IgA e IgE, aler­gi­as.
  • IL-6: Es­ti­mu­la a se­creção de an­ti­cor­pos.
  • IL-7: In­duz a di­fe­ren­ciação em célu­las B e T pro­ge­ni­to­ras.
  • IL-8: Qui­mi­o­ci­na;in­duz a adesão ao en­dotélio vas­cu­lar e o ex­tra­va­za­men­to­a­os te­ci­dos.
  • IFN-al­fa: In­ter­fe­ron. Ati­va as célu­las em es­ta­do de “aler­ta vi­ral”. Pro­dução di­mi­nui­da de pro­teínas, au­men­to de en­zi­mas an­ti­vi­rais (co­mo as que di­ge­rem a du­pla héli­ce de RNA típi­ca dos vírus) e au­men­tam também a apre­sen­tação de pépti­dos in­ter­nos nos MHC I aos linfóci­tos. Es­ti­mu­la os linfóci­tos NK e T8.
  • IFN-ga­ma: Ati­va os ma­crófa­gos, tor­nan­do-os mais efi­ci­en­tes e agres­si­vos; pro­mo­ve a in­fla­mação, e es­ti­mu­la a res­pos­ta TH1, ini­bin­do a TH2.
  • TNF-al­fa: In­duz a se­creção da ci­to­ci­na e é res­ponsável pe­la per­da ex­ten­si­va de pe­so as­so­ci­a­da com in­fla­mação crôni­ca.
  • TNF-be­ta: Ati­va os fa­go­ci­tos. Es­ti­mu­la a res­pos­ta ci­to­to­xi­ca (TH1).

Órgãos linfóides

  • me­du­la óssea é o lo­cal on­de se si­tu­am as célu­las es­ta­mi­nais, que dão ori­gem a to­das as célu­las do sis­te­ma imu­ne e ain­da das pla­que­tas e eri­tróci­tos. É ain­da o lo­cal de ma­tu­ração de to­das es­tas célu­las, com ex­cepção dos linfóci­tos T.
  • ti­mo é o lo­cal de ma­tu­ração dos linfóci­tos T.
  • Os gângli­os linfáti­cos são órgãos pe­que­nos com for­ma de feijão, si­tu­a­dos em to­do o cor­po. Eles contêm linfóci­tos B e linfóci­tos T4 e T8, e são os lo­cais de re­co­lha de an­tigéni­os (fil­tração) da lin­fa. Aí se or­ga­ni­zam e con­tro­lam as de­fe­sas e for­mam folícu­los linfóides on­de os linfóci­tos B com re­cep­to­res es­pecífi­cos pa­ra os an­tigénos se ma­tu­ram em plasmóci­tos pro­du­to­res de an­ti­cor­pos. Aí também se ma­tu­ram os linfóci­tos T8 es­pe­ci­fi­cos do an­ti­ge­no em linfóci­tos ci­totóxi­cos. As célu­las apre­sen­ta­do­ras de an­tigéni­os co­mo célu­la de Lan­gerhans e os fa­go­ci­tos aflu­em aos gângli­os pa­ra apre­sen­tar an­tigéni­os re­co­lhi­dos (ou fa­go­ci­ta­dos) da pe­ri­fe­ria aos linfóci­tos.
  • baço pos­sui 4 funçoes fi­si­ológi­cas. Pri­mei­ra: Ar­ma­ze­na­men­to de Hemáci­as. Se­gun­do: Des­truição das hemáci­as ve­lhas, al­te­ra­das, ou pa­ra­si­ta­das. Ter­cei­ra: Fil­trar o san­gue e re­ter mi­cror­ga­nis­mo e ou­tros cor­pos es­tra­nhos a se­rem fa­go­ci­ta­dos. Quar­ta: Co­lo­car linfóci­tos B e linfóci­to T em can­ta­to com os antíge­nos.
  • fíga­do é pri­ma­ri­a­men­te um órgão me­tabóli­co, mas também al­ber­ga mui­tos fagóci­tos e é ele que pro­duz as pro­teínas imu­nitári­as co­mo o sis­te­ma com­ple­men­to. Con­tro­la as in­vasões in­tes­ti­nais, já que fil­tra to­do o san­gue pro­ve­ni­en­te do in­tes­ti­no, pe­la veia por­ta.
  • in­tes­ti­no e os brônqui­os são im­por­tan­tes órgãos imu­nitári­os. Contêm uma ca­ma­da com folícu­los linfóides (o MALT –mu­co­sa as­so­ci­a­ted lymphoid tis­sue ou BALT), ple­nos de lin­fo­ci­tos, que re­a­gem aos an­tigéni­os e ou­tras re­acções con­tra eles. Con­tro­lam também a flo­ra nor­mal de bactéri­as in­tes­ti­nais.
  • As ton­si­las (amig­da­las) são aglo­me­ra­dos de te­ci­do lin­foi­de em re­dor da en­tra­da da fa­rin­ge, con­tro­lan­do os in­va­so­res que en­tram pe­la bo­ca. e or­gao sis­te­ma imu­no­lo­gi­co hu­ma­no

Aler­gi­asdo­ença au­toi­mu­neleu­ce­mi­astrans­plan­tes e imu­no­de­fi­ciência

As aler­gi­as são re­acções imu­nitári­as a um antíge­no es­tra­nho des­pro­po­si­ta­das. No in­divíduo alérgi­co, o sis­te­ma imu­nitário não con­se­gue dis­tin­guir al­guns an­ti­ge­nos não-self inócu­os, co­mo grãos de pólen, de antíge­nos per­ten­cen­tes a in­va­so­res pe­ri­go­sos. Lo­go ge­ra-se uma re­acção imu­nitária a es­ti­mu­los que não po­em a in­te­gri­da­de do in­divíduo em ris­co.

As do­enças au­toi­mu­nes são de­vi­das à per­da da ca­pa­ci­da­de dos linfóci­tos em dis­tin­guir os an­ti­ge­ni­os self dos não-self. O sis­te­ma ata­ca as própri­as célu­las do cor­po, jul­gan­do-as in­va­so­ras. É possível que mui­tas des­tas do­enças, se­jam de­vi­do à má função das célu­las que des­tro­em os linfóci­tos com re­cep­to­res re­ac­ti­vos ao self.

Por razões ain­da não co­nhe­ci­das, as mu­lhe­res so­frem mais do que os ho­mens com a mai­o­ria das do­enças au­toi­mu­nes (co­mo lu­pusar­tri­te reu­matóide e es­cle­ro­se múlti­pla), que são apa­ren­te­men­te mais pro­va­veis em pes­so­as com de­ter­mi­na­dos ge­nes MHC, que apre­sen­tam os pépti­dos self de for­ma mais crípti­ca aos linfóci­tos. Há pou­cas do­enças au­toi­mu­nes que atin­gem mais ho­mens que mu­lhe­res, co­mo a es­pon­di­li­te an­qui­lo­san­te.

As leu­ce­mi­as (na me­du­la óssea e san­gue) e lin­fo­mas (nos gângli­os linfáti­cos) são ne­o­pla­si­as (ou se­ja can­cro) das célu­las do sis­te­ma imu­nitário. Elas de­cor­rem mui­tas ve­zes com efei­tos au­to-imu­nes e de imu­no­de­fi­ciência e são al­ta­men­te in­va­si­vas, já que cir­cu­lam li­vre­men­te pe­lo san­gue e lin­fa.

A re­jeição de trans­plan­tes de­ve-se ao fac­to de as pro­teínas MHC da pes­soa que doa o órgão se­rem di­fe­ren­tes (há gran­de va­ri­a­bi­li­da­de dos ge­nes MHC, uma ca­rac­terísti­ca que pro­te­ge a hu­ma­ni­da­de das in­fecções: há sem­pre al­guém que so­bre­vi­ve por ter um MHC que apre­sen­te os pépti­dos in­va­si­vos su­fi­ci­en­te­men­te ce­do). Os linfóci­tos in­ter­pre­tam um pépti­do self apre­sen­ta­do por uma MHC de con­for­mação di­fe­ren­te da ha­bi­tu­al co­mo sen­do não-self, e ma­tam as célu­las do órgão trans­plan­ta­do. Es­te pro­ble­ma é re­du­zi­do com es­co­lha de pes­so­as com MHC se­me­lhan­tes pa­ra doações de órgãos (fre­quen­te­men­te irmãos, pais e fi­lhos), e po­de ser al­go con­tro­la­da com imu­nos­su­pres­so­res co­mo os glu­co­cor­ticóides.

imu­no­de­fi­ciência é cau­sa­da por uma fal­ta de Linfóci­tos, ou por um défi­cit des­tes, po­de também ser cau­sa­da por uma de­fi­ciência de fagóci­tos. Con­tu­do co­mo os agen­tes do sis­te­ma imu­nitário in­te­ra­gem en­tre si quan­do exis­te a fal­ta de um des­ses agen­tes to­do o sis­te­ma imu­nitário fi­ca ameaçado. A imu­no­de­fi­ciência po­de ser congéni­ta ou ad­qui­ri­da. Na Imu­no­de­fi­ciência congéni­ta o su­jei­to so­fre de uma de­sor­dem séria do sis­te­ma imu­nitário, em que os in­divídu­os não pos­su­em nem linfóci­tos B nem Linfóci­tos T, co­mo o no­me in­di­ca es­ta do­ença nor­mal­men­te e de nas­cença, e os in­divídu­os têm de ser sub­me­ti­dos a um am­bi­en­te iso­la­do e com­ple­ta­men­te es­tre­li­za­do. Es­ta de­fi­ciência é de­vi­da a um fun­ci­o­na­men­to anor­mal da me­du­la óssea. O tra­ta­men­to da do­ença po­de pas­sar por um trans­plan­te efi­caz de me­du­la óssea. Na imu­no­de­fi­ciência ad­qui­ri­da o su­jei­to ad­qui­re a de­fi­ciência do sis­te­ma imu­nitário mais tar­de, o ca­so mais pragmáti­co des­ta do­ença é o HIV, em que com uma di­mi­nuição das Linfóci­tos T dá-se um en­fra­que­ci­men­to pro­gres­si­vo do or­ga­nis­mo, que fi­ca su­jei­to do­enças opor­tu­nis­tas, do­enças que em in­divídu­os com um sis­te­ma imu­nitário com­ple­to não têm qual­quer efei­to ou que são pou­co efi­ca­zes, mas que num ca­so em que o in­divíduo se en­con­tra com um sis­te­ma imu­nitário de­bi­li­ta­do mos­tram-se mui­to efi­ca­zes e até mes­mo mor­tais.

Far­ma­co­lo­gia e va­ci­nas

Sistema imunitário ou Sistema Imunológico lazy placeholder
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Va­ci­na oral an­ti­po­li­o­mi­e­li­te ad­mi­nis­tra­da à cri­ança.

As va­ci­nas con­sis­tem na ad­mi­nis­tração de an­tigéni­os per­ten­cen­tes a um pa­togénio (vírus ou bactéria), de for­ma a es­ti­mu­lar o sis­te­ma imu­nitário, no­me­a­da­men­te os linfóci­tos ao cri­ar nes­tes re­cep­to­res es­pecífi­cos pa­ra es­ses pa­togéni­os e es­ti­mu­lan­do a criação de uma re­ser­va de linfóci­tos cha­ma­dos célu­las de memória es­pecífi­cas, que em ca­so de in­vasão fu­tu­ra pos­sam pro­du­zir ra­pi­da­men­te níveis al­tos de an­ti­cor­pos e des­ta for­ma com­ba­ter com ra­pi­dez e eficácia es­sa pa­to­lo­gia.

Os glu­co­cor­ticóides são imu­no­su­pres­so­res po­ten­tes sen­do usa­dos em do­en­tes trans­plan­ta­dos pa­ra evi­tar a re­jeição do(s) órgão(s).

Fon­te: WI­KI­PE­DIA


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